Empresa: Bayer cresce 15% no trimestre

Atualidades

O ano 2000 começou bem para o grupo Bayer no Brasil.

O faturamento referente ao primeiro trimestre apresentou aumento de 15% sobre igual período do ano anterior, em moeda forte (dólares americanos), desempenho atribuído à melhor competitividade mundial dos produtos brasileiros alcançada após a desvalorização do real.

Esse fator, no entanto, causou a queda de 13% nas vendas totais de 1999 em relação a 1998, quando avaliadas em dólares.

Na moeda nacional, as vendas cresceram 33%, somando R$ 1,28 bilhão, equivalentes a 2,2% do faturamento mundial do grupo.

Neste ano, o grupo vai investir US$ 40 milhões para ampliar as linhas de óxido de ferro (antiga fábrica da Globo em Porto Feliz-SP), de poliuretanos e de termoplásticos.

Além disso, é preciso contar com a incorporação do negócio de polióis da Lyondell, adquiridos pela matriz, às atividades da filial brasileira, movimento que representa um aporte de vendas de US$ 35 milhões por ano.

As vendas da área de polímeros do grupo, abrangendo poliuretanos, borrachas, matérias-primas industriais e termoplásticos, cresceram 14% sobre as de 1998, somando US$ 22,7 milhões. Isso se explica pela evolução do negócio de PU após a compra dos polióis da Lyondell.

No final do ano, a Bayer comprou da Unigel os 33% que esta ainda detinha da antiga Companhia Brasileira de Polímeros (CBP), renomeada para Bayer Polímeros.

Ao adquirir a totalidade das ações, o grupo estuda a viabilidade de promover a integração total do negócio, o que permitiria colocar todas as equipes de polímeros no mesmo endereço, em São Paulo.

Existem algumas dificuldades para isso, a começar pelo fato de o prédio da sede estar em processo de reforma, um andar por vez, que deve demorar ainda alguns anos para ser concluído.

Já na área de produtos químicos as vendas caíram de US$ 184,6 milhões em 1998 para US$ 122,3 milhões.

A queda abrupta é explicada pela venda da participação na antiga Tibrás para a Millenium.

As áreas de produtos para couros, têxteis e papel apresentaram estabilidade, enquanto a linha de aromas da H&R teve bom desempenho.

Essa área não é prioritária na estratégia da empresa, segundo seu presidente no Brasil Helge Karsten Reimelt.

Química e Derivados, Helge Karsten Reimelt. Millenium, cai participação de químicos
Reimelt: cai participação de químicos

“A participação dos negócios químicos no faturamento deve ser reduzida a 15% ou 10%, menos pela venda de unidades e mais pelo incremento de vendas das linhas de polímeros, saúde e produtos agropecuários”, afirmou.

As linhas de corantes têxteis já foram unidas às da antiga Hoechst para formar a DyStar. No ano passado, a Basf aderiu ao negócio com seus produtos, permitindo ganhos substanciais para a joint venture, que pretende faturar US$ 1,22 bilhão neste ano.

Uma das áreas prioritárias, a de saúde, abriga as linhas farmacêutica, produtos para venda direta ao consumidor (consumer care) e de diagnóstico e sofreu queda de faturamento da ordem de 20%, fechando 1999 com vendas de US$ 150,4 milhões.

“Os aumentos de preços de remédios não conseguiram compensar a desvalorização cambial, item de peso nos custos, pois os princípios ativos são na maior parte importados”, disse Reimelt.

Para 2000, a área farmacêutica espera recuperar vendas a partir do lançamento do antibiótico Avalox.

Também contribuirá para o resultado o investimento de US$ 25 milhões feito na nova fábrica dessa divisão, que passou a produzir também pomadas e líquidos e poderá atender a toda a demanda do Mercosul, acrescendo US$ 10 milhões em exportações.

Mesmo assim, o déficit comercial da Bayer permanecerá ao redor de US$ 100 milhões anuais, tendo registrado US$ 40 milhões de exportações e US$ 130 milhões de importações em 1999.

Os produtos vendidos ao consumidor sem receita médica como a Aspirina e o Alka Seltzer, apresentaram queda de faturamento, devido à queda do poder aquisitivo da população e à concorrência extremamente agressiva.

Na linha diagnóstica, a empresa passou a contar com os negócios da Chiron, tornando-se uma das líderes mundiais. A Bayer já havia adquirido os produtos diagnósticos da Merck e hoje fatura US$ 2 bilhões por ano com a atividade em todo o mundo.

Da filial brasileira é esperado que venda algo entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões ao ano. “Ainda estamos longe disso, mas é a nossa meta”, confirmou Reimelt.

A importância estratégica do Brasil nos negócios da Bayer aumentou com a decisão de concentrar no País as operações de suprimentos, serviços de informática e área técnica do grupo para toda a América Latina.

“Não haverá centralização administrativa na região, mas prestação de serviços”, explicou Reimelt.

Reforço no PU – Principal produto da Bayer no Brasil, o poliuretano está na linha de frente dos investimentos. “A idéia é elevar a produção local de MDI para 50 mil t/ano e tornar a unidade auto-suficiente”, comentou Reimelt.

Para isso, será ampliada a produção de anilinas, hoje insuficiente para atender as necessidades da própria companhia, que as importa.

A capacidade atual de produção de MDI em Belford Roxo-RJ chega a 36 mil t/ano, mas os mercados automobilístico, calçadista e de refrigeração justificam o investimento, que será acompanhado pela respectiva expansão da fábrica de poliol-poliéter contígua.

Na linha de espumas flexíveis para colchões e estofamentos, a Bayer vai aumentar sua participação, contando com fábrica nova de TDI (isocianato de toluileno) nos EUA, com grande escala e baixos custos unitários, além de ter reforçado sua linha de polióis pela compra do negócio da Lyondell (ex-Arco) por US$ 2,45 bilhões.

O valor incluiu contrato de fornecimento de óxido de propeno para a unidade de polióis.

A operação comercial mantida pela Lyondell no Brasil já foi absorvida pela Bayer e está sendo operada sem sobressaltos, segundo Ihor Fedak, diretor de poliuretanos e borracha da empresa.

O contrato incluiu patentes, licenças e know how técnico de procedimentos.

Plásticos em alta – A linha de plásticos de engenharia (ABS/SAN) deverá ampliar sua capacidade atual de quase 30 mil t/ano para 40 mil t/ano em 2 anos, exigindo investimento de US$ 6 milhões.

O valor inclui a modernização da fábrica baiana, agora totalmente pertencente à Bayer.

A intenção de fortalecer o negócio é evidenciada pela transferência para lá dos equipamentos de compoundagem, antes instalados na fábrica da Unigel em São Bernardo do Campo-SP. “A Bayer Polímeros é central de fornecimento de ABS/SAN para a América Latina”, disse Reimelt.

No entanto, essa linha de produtos apresenta importações crescentes de monômero de estireno, feitas, segundo a empresa, para evitar o alto preço cobrado pelo fornecedor local.

Pigmentos de ferro – A unidade de Porto Feliz-SP, comprada da Globo Pigmentos, produz óxidos de ferro de qualidade reconhecida internacionalmente e vai ser ampliada das atuais 13 mil para 15 mil t/ano a curto prazo. Em alguns anos, a capacidade será novamente expandida para quase 20 mil t/ano.

“A qualidade do óxido de ferro amarelo dessa unidade é excelente e hoje há falta desse pigmento em todo o mundo, facilitando a exportação”, comentou Reimelt, destacando os EUA como mercado preferencial. Segundo ele, ainda é preciso melhorar as linhas de secagem e moagem, exigindo mais US$ 6 milhões para aplicação futura.

Espaço para fábricas – Há três anos a Bayer divulga a intenção de alugar espaço em seu site de Belford Roxo-RJ para outras empresas químicas, de modo a gerar vantagens mútuas. Até o ano 2000, apenas a fornecedora de gases industriais Messer Griesheim aceitou o convite, já contando com unidade de produção no local.

Depois de forte processo de reestruturação, que culminou com o fechamento de unidades, a Bayer verificou que não teria como ocupar sozinha toda a área do site.

Trata-se de área preparada para a instalação de unidades químicas, dotada de infra-estrutura completa, incluindo tratamento de resíduos industriais líquidos e sólidos (incinerador rotativo de alto desempenho).

“Uma empresa que lá se instale pode conseguir uma redução de quase 40% em seus custos de implantação pela disponibilidade dessa estrutura”, explicou o diretor executivo Axel Schaefer.

No entanto, poucos se candidataram além da Messer. Schaefer atribui a baixa demanda à retração da atividade química nos últimos anos, que deve reverter-se.

Além disso, a escolha de local é um processo lento, sujeito a muitas exigências de ambas as partes, pelas quais se verifica a necessidade de algum grau de integração às linhas da Bayer.

“Sem dúvida, o ideal é que seja fornecedor ou consumidor de alguma das fábricas lá instaladas”, disse.

Além da oferta de espaço, Schaefer ressaltou os avanços do grupo em qualidade e segurança ambiental, destacando a obtenção de certificados ISO 9000 em todas as unidades e ISO 14000 para várias delas, além da redução dos índices de acidentes de trabalho e de emissões de CO2.

Internet nas vendas – A unidade de poliuretanos vai ser a pioneira no Brasil a fazer vendas pela internet. “Até dezembro teremos 3 clientes estratégicos conectados, a título de experiência”, comentou Ihor Fedak.

Esses clientes, o maior comprador nacional da área, o maior distribuidor da companhia e o distribuidor na Argentina, permitirão avaliar o sistema em todas as modalidades de negociação.

“Até meados de 2001 todos os maiores 22 clientes, que representam 80% das vendas, estarão sendo atendidos pela rede”, disse.

A estratégia de negócios, no primeiro momento, contempla apenas a operação de venda e acompanhamento da entrega, feita por veículos rastreáveis por satélite.

No futuro, segundo Fedak, a idéia é administrar os estoques dos clientes, com sistema de pedidos automatizados. Para suportar essas operações, a Bayer implantou o sistema SAP R/3 e está migrando para o R/4, que apresenta ferramentas mais desenvolvidas para negócios pela rede.

A Bayer vai manter página própria por meio da qual oferecerá informações completas sobre seus produtos. Em uma das telas será possível aos clientes cadastrados (portadores de senhas) entrar nas respectivas fichas de pedidos e realizar operações comerciais.

A construção do sistema no Brasil está avaliada em US$ 2 milhões, e conta com apoio da AT Kearney. Segundo Fedak, no exterior, a companhia já participa do sistema de leilões on-line mantido pela ChemConnect.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios