Cloro-Soda: Produção local espera por investimentos em três anos

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A produção nacional de cloro e soda cáustica teve aumento de 10,3% durante o primeiro trimestre de 2010 em comparação com os primeiros três meses de 2009, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor).

Com isso, o índice de ocupação da capacidade instalada do setor no Brasil passou de 82% para quase 91%.

“Caso o Brasil continue a crescer por volta de 6% ao ano, precisaremos de novas capacidades produtivas de soda/cloro em cerca de três anos, ou seja, considerando que o prazo médio de construção de unidades produtivas gira em torno de dois anos, precisamos investir agora”, afirmou Aníbal do Vale, presidente da Abiclor e diretor-comercial da Carbocloro.

A decisão de investir no setor é meramente financeira, segundo informou, dada a disponibilidade dos principais insumos: sal e energia elétrica.

Além disso, há oferta de crédito no mercado mundial, os preços das commodities estão subindo e o país tem a expectativa de sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, ou seja, há incentivos para a construção civil, forte consumidora de cloro.

O problema maior é a competição internacional, especialmente no campo da soda cáustica, que tem menos limitações de transporte que o cloro (este viaja mais como dicloroetano, DCE, ou como policloreto de vinila, o PVC, ou seu monômero, o MVC).

“A China tem 25 milhões de t/ano de capacidade instalada de soda e exporta muito, com preços aviltados”, informou Vale.

A explicação para tamanha superioridade estaria nas diferenças na estrutura de custos daquele país, com políticas diferentes de impostos, remuneração do trabalho e de subsídios à eletricidade, por exemplo. A eletricidade, aliás, é o item de custo mais expressivo do setor, representando 45% do total, sendo que metade dessa despesa é constituída por tributos incidentes sobre a energia.

“Todas as indústrias eletrointensivas do Brasil tendem a perder competitividade por causa disso”, criticou.

O setor de soda/cloro tem se esforçado para reduzir o consumo de energia por tonelada produzida. Segundo a Abiclor, o consumo específico baixou para 3,19 MWh/t de cloro em 2009, mantendo uma trajetória descendente desde 2007, quando gastou 3,24 MWh/t. Em 2010, esse indicador deverá cair para 3,17 MWh/t, segundo a entidade setorial.

Chama a atenção na comparação dos trimestres a redução das importações de cloro, de 1.814 t para 972 t (ou 46,4% a menos), e de soda, de 259.476 t para 241.836 t (ou 6,8% a menos).

“Duas fabricantes nacionais expandiram suas capacidades no período e o índice de ocupação subiu”, explicou Vale. A produção nacional de cloro no primeiro trimestre de 2010 ficou em 333.014 t, enquanto a de soda, em 371.369 t. A capacidade instalada setorial ao final de 2009 era de 1.531.013 t/ano de cloro.

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