Cargas Minerais : Imerys compra negócio de carbonatos da Quimbarra

Imerys compra negócio de carbonatos da Quimbarra

Está sendo enviado para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informe sobre a intenção de a Imerys adquirir os negócios de carbonatos da Quimbarra, atualmente em poder do grupo americano Praxair (no Brasil, a antiga White Martins).

O acordo para compra dos ativos foi firmado em junho e estão se desenrolando as etapas finais de negociação.

Trata-se da maior unidade produtora de carbonato de cálcio precipitado independente (não-cativa) do País, além de duas unidades cativas junto a empresas produtoras de papel, perfazendo o total de 220 mil t/ano.

A Quimbarra também é líder no mercado latino-americano dos carbonatos de cálcio e de magnésio naturais moídos. Ao todo são 15 unidades produtivas no continente.

“A compra da Quimbarra vem ao encontro da intenção global da Imerys de crescer tanto pela própria empresa como por meio de aquisições”, comentou o diretor-gerente da Imerys do Brasil Mineração Ltda., José Tardelli Filho.

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“Nós compramos negócios nos quais possamos agregar valor por meio de aplicação de tecnologia.”

A Quimbarra passou às mãos da Praxair na compra da Liquid Carbonic, então a maior produtora nacional de CO2, uma das matérias-primas para a fabricação do carbonato, a outra é a cal. O negócio não é considerado core business na empresa de gases industriais, mas está no centro do foco da Imerys, especializada em cargas minerais para celulose, papel, tintas, plásticos e várias outras aplicações.

A própria Imerys merece uma explicação preliminar.

A empresa foi formada pela incorporação da English China Clays (ECC) pela francesa Imetal, em 1999. No mesmo ano, a Imetal vendeu seus interesses em metais e tornou-se interessante alterar a denominação social para confirmar a reorientação estratégica. O nome escolhido foi Imerys.

No Brasil a ECC já produzia caulim primário (formado no mesmo local da rocha-mãe, um granito), na unidade de Mogi das Cruzes-SP, fornecendo produtos de características especiais, com moagem e micronização controladas para se obter estruturas e tamanhos diferenciados de grãos.

A Imetal tinha produção de caulim secundário (obtido de sedimentos de origem granítica depositados em local diferente da ocorrência da rocha-mãe) na Amazônia, por meio da subsidiária Rio Capim Caulim, cuja produção é 95% exportada. No Espírito Santo havia produção própria de carbonato de cálcio natural, usado como o caulim para revestimento de papéis e produção de tintas, principalmente.

Na reorganização de negócios, a Rio Capim Caulim virou Imerys Rio Capim Caulim, que é operada diretamente pela matriz. “A unidade de negócios do Brasil lida apenas com a produção e venda destinada ao mercado interno”, explicou Tardelli. No caulim há concorrentes de peso, como a Caulim da Amazônia (operada pelo grupo Mendes) e PPSA (pela Vale do Rio Doce em cooperação com a multinacional TKC).

Na opinião de Tardelli, a negociação não deverá ser bloqueada pelo Cade, pois a posição no mercado total, em especial no precipitado, é pequena. As aplicações de carbonato de cálcio precipitado podem ser divididas em dois grupos distintos.

No primeiro está o atendimento às fábricas de papel, o maior consumidor do produto. “Antigamente, a folha de papel era formada em meio ácido, só demandando caulim”, explicou. “Mais recentemente, houve o desenvolvimento da via alcalina que abriu o caminho para o uso do carbonato, com grande economia para o produtor de papel e melhor resultado final”.

No entanto, a grande economia é alcançada quando a própria papeleira opera sua unidade de carbonato de cálcio precipitado, obtido pelo borbulhamento de CO2 (abundante nessas indústrias) em uma lama de cal. O processo permite controlar o tamanho dos cristais formados e o seu tamanho, de modo a obter os tipos mais adequados ao processo do operador.

Há várias empresas fornecendo as instalações para esse fim e, em alguns casos, até as operam para os clientes, a exemplo da SMI e da Faxe Kalc. A própria Quimbarra responde por duas unidades cativas (ou satélites), na Ripasa e na antiga Cia. de Papel Pirahy. “Nossa participação nessa aplicação é diminuta”, considerou.

No segundo grupo podem ser listadas as produtoras de carbonatos para aplicações diversas, nas quais o uso do produto é determinado apenas pelo seu preço em comparação com substitutos. “Nesse grupo somos líderes, mas a concorrência entre materiais e também com outros produtores é muito forte”, afirmou.

Como exemplo ele citou as formulações de tintas, nas quais os principais ingredientes são a resina e o dióxido de titânio. Por economia, os produtores incorporam grande quantidade de cargas às suas tintas. “Podem ser usados carbonatos, barita, talco e muitos outros produtos, dependendo apenas dos preços”, informou. O mesmo ocorre com a produção de compostos plásticos.

A intenção da Imerys é aproveitar a capacidade da Quimbarra para produzir linhas especiais, de modo a apoiar a fabricação de artigos industrializados de qualidade compatível com as exigências internacionais. Nos plásticos, por exemplo, Tardelli cita a contribuição negativa das cargas minerais, atribuindo a elas a perda de produtividade de equipamentos de transformação.

“Os equipamentos e as resinas são idênticas às do exterior, mas o desempenho da produção é menor”, disse. Segundo informou, atualmente as menores partículas de cargas minerais para esse fim medem 2,5 micrômetros, enquanto já se fala em 0,5 micrômetro em âmbito mundial. “Produtividade significa custo para o transformador”, afirmou.

Apesar de anunciar a intenção de oferecer diferenciais de tecnologia, Tardelli afirma que isso será feito à medida do grau de desenvolvimento dos mercados atendidos. No caso do precipitado, como é possível controlar a formação dos cristais desde o início, é viável atuar em vários mercados e em múltiplas aplicações.

Nos carbonatos naturais moídos a situação é um pouco diferente, pois a produção de especialidades depende de como a natureza formou esses cristais. “Vamos ser cada vez mais competitivos nas commodities, como o carbonato de cálcio 325 mesh [peneira] e ofereceremos tipos especiais quando possível”, afirmou.

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