Biocidas: Thor amplia formulações no país

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A subsidiária brasileira da transnacional de origem inglesa Thor inaugurou no dia 31 de maio uma unidade de dispersão – com um reator para cinco toneladas – para dar início à formulação combinada de fungicidas e algicidas no Brasil.

Até então, a subsidiária formulava apenas bactericidas no país, dependendo da importação desses preservantes para filmes secos de tintas na forma diluída, arcando com elevados custos.

“Perdíamos competitividade por não contarmos com formulação local de fungicidas e algicidas”, avaliou Ridnei Brenna, diretor-geral da Thor Brasil.

Com o reator de aço 316L, dotado de um sistema de alimentação de pós com pressão negativa, impedindo a fuga de materiais tóxicos para o ambiente da fábrica, um investimento de US$ 2 milhões, ele pretende ampliar a participação no mercado de tintas em toda a América do Sul, com exceção de Colômbia e Venezuela, países atendidos pela unidade mexicana da companhia.

Brenna comentou que as grandes fabricantes de tintas no país selecionam fornecedores de biocidas mediante certames (bids) que habilitam o vencedor a atender determinadas linhas produtivas pelo prazo de dois anos.

Química e Derivados, Brenna: competitividade aumenta com fungicidas e algicidas locais
Brenna: competitividade aumenta com fungicidas e algicidas locais

“Esses bids contemplam tanto a proteção in can, com bactericidas, quanto a de filme seco, garantida com fungicidas e algicidas”, explicou.

Como não era competitiva nessa segunda parte, a Thor tinha dificuldade para disputar os bids.

Além dos custos logísticos de importação, o diretor-geral considera que os produtos formulados pela companhia no México e na Alemanha continham um teor bem mais elevado que o usualmente empregado nas tintas brasileiras, aumentando seu preço de venda.

“Uma tinta europeia costuma conter de 1% a 1,5% de preservantes in can, enquanto a tinta brasileira fica entre 0,1% e 0,2%”, comentou.

Diferentemente do Brasil, ele aponta os mercados do Chile, Peru e Equador como grandes consumidores de especialidades biocidas, mais interessados em garantir a qualidade e oferecer diferenciais aos consumidores.

“No Brasil, há uma tendência à commoditização, embora a própria estrutura dos bids transfira para o fornecedor mais responsabilidades, tarefas e custos, incluindo monitoramento da linha de produção, análises microbiológicas e até a aplicação automática dos insumos”, afirmou.

A proteção na lata (in can), bem difundida no Brasil desde a adoção do Código de Defesa do Consumidor, tem como principais biocidas a mistura de cloro e metil isotiazolinonas (CIT e MIT) com um fast killer, como o formol ou seus liberadores (semiacetais, usualmente).

“O foco da Thor para proteção in can está na mistura de MIT com BIT (butil isotiazolinona), associada ou não a algum outro ingrediente, como bromopol, sais de prata ou piritionato de zinco”, afirmou.

Ele admite que o preço é mais alto, mas há vantagens para o cliente e para os consumidores finais.

“O formol já foi banido de vários mercados, mas no Brasil ainda é preciso esperar uma regulamentação mais rígida”, considerou. A diferença de preços entre a mistura CIT/MIT e a MIT/BIT chega a 60%, segundo Brenna.

No caso dos fungicidas e algicidas, o uso no Brasil ainda não está totalmente disseminado.

A dose média no país fica entre 0,15% e 0,2%, contra 2% das melhores tintas europeias, projetadas para durar mais de dez anos.

Segundo o diretor-geral, essa aplicação usa os mesmos ingredientes ativos, tanto aqui quanto na Europa, com destaque para o carbendazim, o diuron e a octil isotiazolinona (OIT).

“A Europa também usa esses ingredientes, porém na forma encapsulada para liberar os ativos para o filme em contato com a umidade do ar, garantindo atuação prolongada e o controle da lixiviação”, comentou.

A linha de formulação de fungicidas e algicidas tem características técnicas que permitem também a produção de misturas MIT/BIT, a chamada linha MB.

A partir de maio, a filial local passou a adaptar suas formulações de acordo com as necessidades de seus clientes locais, criando a linha LPB (Local Products Brazil), que já relaciona 30 itens, elaborados para clientes específicos.

“Entregamos uma solução aquosa para in can e uma dispersão com fungicidas e algicidas para os fabricantes de tintas, para que eles as apliquem conforme as recomendações predeterminadas”, explicou.

No comando da Thor Brasil desde 2009, Brenna promoveu uma reestruturação profunda da companhia, alterando o quadro de colaboradores, que passou de 15 para 30, agregado ao quadro de profissionais capacitados, com experiência em companhias internacionais.

Mesmo assim, a participação de mercado no Brasil ainda é tímida para uma companhia com meta de faturamento mundial de € 300 milhões em 2013.

Pioneira na produção industrial de isotiazolinonas, da qual é a maior fabricante mundial, a Thor detém 65% do mercado europeu de biocidas (em todos os segmentos).

“A companhia tem tradição inovadora, podemos trazer vários itens diferenciados de outras fábricas para o mercado local”, comentou.

Química e Derivados, Sem proteção biocida, paredes mofam
Sem proteção biocida, paredes mofam

Outros mercados – Embora seja muito atraente, por se tratar de volumes elevados de consumo, o mercado de tintas ainda é pouco significativo para a Thor Brasil.

“As vendas de biocidas para tintas representam apenas 15% do nosso faturamento, temos uma forte expectativa de crescimento, com a partida da nova unidade de fungicidas e algicidas”, afirmou.

A Thor divide seus esforços em quatro plataformas de negócios: biocidas industriais; preservantes para personal care; preservantes para couro; e retardantes de chama.

“Na Europa, a companhia possui estruturas específicas para cada uma dessas divisões, mas aqui no Brasil temos negócios em todas essas áreas, com estrutura menor”, explicou.

Segundo informou, 2012 foi encerrado com elevação de 40% no faturamento no Brasil em comparação com 2011.

Brenna definiu para 2013 a meta de crescer 38% sobre 2012, mas não tem expectativa de crescer mais de 20% neste ano.

“Durante todo o primeiro semestre, só tivemos boas vendas em janeiro e junho; julho está com bons números, mas não será possível recuperar a queda do começo do ano”, ponderou.

Apesar disso, a área de preservantes para cosméticos registra resultados memoráveis.

De janeiro a junho deste ano, as vendas nesse segmento no país foram 70% superiores às do mesmo período do ano anterior. Embora a base de comparação seja modesta, o indicador é auspicioso.

A Thor, atenta ao bom desempenho global desse segmento, reforçou sua linha de produtos, agregando aos biocidas os silicones e excipientes.

A preservação de couros chega até a etapa de wet blue, na qual o Brasil detém posição importante de fornecedor mundial.

“Oferecemos ao mercado ativos encapsulados com um desempenho técnico interessante, com boa aceitação”, comentou.

Nesse segmento, 90% das vendas são Indent (importações diretas dos clientes). O estoque local garante suprimento em caso de deficiências logísticas pontuais.

Nos retardantes de chama, conta com linha baseada em fosfatos, isenta de halogênios, enquanto o bromo ainda é o padrão de mercado.

“A substituição dos halogenados é crescente no exterior”, comentou.

A companhia vendia produtos para o ramo têxtil, mas começou a abrir mercado nos plásticos.

Um mercado promissor está nos domissanitários, ao qual a companhia oferece cloreto de benzalcônio (BAC 50 e 80), embora a concorrência com produtores locais seja acirrada.

Outro segmento importante de mercado consiste na venda de ingredientes ativos (geralmente CIT/MIT) para formuladores de produtos para tratamento de águas de processo e de utilidades (resfriamento, trocas térmicas etc.).

“Nesse mercado, atuamos diretamente ou mediante distribuidores autorizados”, afirmou.

A Thor, informa Brenna, está finalizando a construção de uma fábrica de isotiazolinonas na China, com grande capacidade de produção e previsão de entrar em operação em 2014. Com essa fábrica, a expectativa é de reduzir ainda mais os custos, ampliando a possibilidade de disputar com mais força o mercado brasileiro de biocidas.

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