Ambiente: Feira apóia intercâmbio tecnológico

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De 26 a 30 de abril, a Feira Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente (Fiema Brasil) registrou a presença de 203 expositores de 21 estados brasileiros e 13 países, em 15 mil metros quadrados de estandes montados no parque de Exposições de Bento Gonçalves-RS. Os organizadores contabilizaram 22 mil visitantes entre empresários, técnicos, estudantes e pessoas interessadas em conhecer o econegócio.

Os números mostram um crescimento de 30% em comparação com a edição de 2008; e deverá proporcionar R$ 13 milhões em negócios durante os próximos meses.

Para o presidente da Fiema, Márcio Chiaramonte, a feira funciona como uma plataforma de sustentabilidade, pois proporciona acesso às novas tecnologias de controle ambiental disponíveis no mercado combinadas com o debate acadêmico.

Ao lado da Fiema, foi promovido o 2o Congresso Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente, com o objetivo de estimular o debate entre especialistas, pesquisadores, técnicos e acadêmicos, incentivando o intercâmbio de informações na área ambiental.

Segundo Chiaramonte, a organização de empresas e entidades em torno da questão ambiental é difícil porque existem sindicatos de indústrias dos setores de plásticos, metalmecânico, couro, química, mas não há uma estrutura associativa das empresas voltadas ao controle ambiental.

Química e Derivados, Márcio Chiaramonte, Presidente da Fiema, Atualidades - Ambiente - Feira apóia intercâmbio tecnológico
Chiaramonte: compra de créditos de carbono anulou impacto da feira

“Muitas empresas que realizam serviços, desenvolvem bens e produtos estão dispersas nesses segmentos”, ponderou o presidente da Fiema.

De qualquer maneira, o econegócio começa a se confrontar com situações em que os empresários precisam se posicionar. Nesse aspecto, Chiaramonte saiu em defesa da cadeia petroquímica.

“Virou moda jogar pedra na indústria de sacolas plásticas, mas não são questionados os projetos de engenharia dos supermercados”, atacou.

“O que é pior: as sacolas plásticas, ou aqueles sistemas de refrigeração energeticamente ineficientes em prédios com iluminação artificial permanente, inadequados para os dias de hoje?”

Coerente com a sua finalidade de difundir as práticas ambientalmente corretas, a diretoria da Fiema anunciou a compra de créditos de carbono, na casa das 30 toneladas, como forma de indenizar a sociedade pelos gases causadores do efeito estufa gerados durante o evento.

Para tanto, a diretoria da feira contratou os serviços da Enerbio, consultoria especializada na montagem de projetos para venda, compra e intermediação de negócios no mercado de créditos de carbono.

A Enerbio opera a compra e venda desses créditos por certificação do Bureau Veritas Certification, o qual atua na condição de Voluntary Carbon Standard (VCS).

Trata-se da mais recente forma de investimentos em papéis provenientes da neutralização dos gases do efeito estufa.

O VCS funciona como um mercado paralelo formado por empresas que não fazem parte do protocolo de Kyoto, mas querem, de maneira voluntária, criar mecanismos de medição de sua atividade poluente e pagar a conta por iniciativa própria.

Em outras palavras, existem empresários investindo em créditos de carbono sem participarem do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que é o sistema oficial chancelado pela Organização das Nações Unidas.

Ainda assim, a Enerbio atua no mercado MDL com estruturação de projetos, de comercialização de ativos de carbono, como intermediária para a obtenção de financiamentos de projetos para estratégias de neutralização de emissões, elaboração de relatórios de sustentabilidade, como o Global Reporting Initiative para organizações (GRI) e o relatório WCD – World Comission on Dams para usinas hidrelétricas de grande porte.

A Enerbio, segundo seus diretores, detém mais de um milhão de créditos de carbono emitidos, mais de R$ 250 milhões de ativos de carbono em carteira, o registro do maior projeto brasileiro pelo padrão VCS e relacionamento com mais de 200 compradores de ativos de carbono.

Com efeito, promove estudos pela metodologia GHG necessária para emissão da certificação 14064. A empresa responde por 11 projetos no sul do Brasil e dois na Região Norte vinculados a vendas de créditos de carbono de usinas hidrelétricas.

O projeto que venderá créditos de carbono para a Fiema necessariamente será do sul do país, preferencialmente gaúcho, por solicitação da diretoria da feira. Existem duas hidrelétricas no norte do estado em condições de realizar a operação.

Outra medida prática definida pela diretoria da Fiema foi a construção da estação de tratamento de efluentes do Parque de Eventos de Bento Gonçalves, que entrou em funcionamento durante a feira e foi projetada pela Fundação Proamb, entidade não-governamental da cidade que promove a gestão das questões relacionadas com o impacto ambiental gerado pela indústria local.

A ETE trata e destina adequadamente o efluente gerado durante as lavagens do material de pintura e construção das montagens das feiras e eventos realizados no parque.

Química e Derivados, Ecobio, Atualidades - Ambiente - Feira apóia intercâmbio tecnológico
Ecobio mostrou estação modular para tratar efluentes

O local abriga anualmente eventos como a Festa Nacional do Vinho (Fenavinho), a Movelsul, um dos principais eventos internacionais da cadeia produtiva dos móveis, e a Fimma, uma feira metalmecânica.

A estação tem capacidade para tratar cinco metros cúbicos de efluentes por dia. O processo de tratamento se destina a tratar resíduos de tintas acrílicas.

Congresso – Durante o 2o Congresso Internacional de Tecnologia para o Meio Ambiente o pesquisador e professor Enrique Leff, da Universidade Nacional Autônoma do México se revelou pessimista com relação às iniciativas relacionadas com sustentabilidade.

“Há uma crise ambiental da humanidade e, na verdade, a situação é insustentável diante de uma racionalidade econômica produtiva, pois a natureza e o planeta têm limites impostos pelas leis de entropia”, afirmou.

A produção industrial tal como foi concebida, assinalou Leff, acelerou o aquecimento global. Diante dessa realidade, o interessante é mudar a dinâmica para uma racionalidade ambiental, em que o progresso ocorra em consonância com as leis da natureza.

Química e Derivados, Enrique Leff, Pesquisador e professor da Universidade Nacional Autônoma do México, Atualidades - Ambiente - Feira apóia intercâmbio tecnológico
Leff não enxerga solução de curto prazo para problemas ambientais

“As novas tecnologias de saneamento e o intercâmbio de pensamentos, nos últimos tempos, trazem alívio, mas as soluções definitivas estão longe de ser alcançadas”, criticou.

Apesar da manifestação pessimista, Leff foi uma espécie de voz dissonante dentro do segundo congresso de Bento Gonçalves.

A grande maioria dos palestrantes preferiu debater com base em experiências positivas.

O doutor em Meteorologia e pesquisador do grupo de Estudos sobre Mudanças Climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE-CST), Wagner Soares, foi um dos palestrantes do primeiro dia.

Ele comentou os impactos das mudanças climáticas globais, como o efeito estufa.

Com gráficos, Soares demonstrou o aumento da temperatura média global provocado pela interferência do homem.

Entretanto, acentuou que é possível reverter essa tendência combatendo os desperdícios, aprendendo e ensinando sobre o clima, reduzindo o desmatamento e estimulando as empresas a minimizar o impacto ambiental.

Para Soares, cabe aos governos e instituições oficiais o planejamento estratégico para que essa agenda possa ser cumprida.

O coordenador do programa ambiental da cidade de Turku, na Finlândia, Juha Kääriä, informou que a instituição estimula seus alunos a desenvolver atividades acadêmicas e de empreendedorismo na área ambiental.

O orçamento é de 3 milhões de euros por ano. Juha Kääriä ressaltou que os estudantes trabalham com o Baltic Sea Now, um programa de proteção ao Mar Báltico, financiado pela União Europeia.

Expositores felizes – A Fiema 2010 deixou uma impressão positiva entre os expositores. André Telles, da Ecosan, disse ter gostado da promoção e comentou os novos modelos de estações de tratamento de efluentes com a tecnologia Ecobio, que podem tratar resíduos de comunidades de 25 a 5 mil habitantes.

São estações modulares que podem ser ampliadas com o crescimento populacional, pois funcionam num sistema construtivo de encaixe.

Química e Derivados, Aerador, Atualidades - Ambiente - Feira apóia intercâmbio tecnológico
Aerador rotativo da Higra consome menos energia

A linha Advanced de difusores subaquáticos para oxigenação continua em pleno aperfeiçoamento na Ecosan, sendo apresentada como equipamento de alta eficiência energética, de rápida absorção de agentes orgânicos que geram odor, podendo ser instalados em pequenas áreas de indústrias, condomínios, loteamentos e bairros planejados.

Outra novidade foi um parafuso transportador de sólidos. Segundo Telles é o único oferecido no país com mancal em eixo central, capaz de reduzir em 30% o consumo de eletricidade, além de necessitar de pouca manutenção.

Marco Baldo, da Higra Industrial, destacou a nova família de aeradores rotativos para movimentação de 360o para incorporação de oxigênio submerso atingindo cinco metros de profundidade.

O equipamento é oferecido a empresas de saneamento e grandes indústrias, exigindo 25% a menos de potência.

Em suma, em uma estação onde são acionados hoje cem aeradores, é possível realizar o mesmo procedimento com 75 aparelhos de última geração da Higra, pois esses com menos potência atingem uma área maior e giram mais rápido.

Bruno Dinamarco e Silvio Gemignani, da BF Dias, também reservaram lançamentos para a Fiema 2010, entre os quais uma comporta para lagoas e tanques de tratamento feita de aço inoxidável, além de uma nova família de difusores removíveis para aeração.

A vantagem das comportas é a possibilidade de serem operadas por dezenas de anos sem qualquer necessidade de manutenção.

Juliana Ramos, analista de vendas da Andritz Separation, disse que essa edição parece ter registrado público-alvo menor.

A firma produz sistemas de saneamento urbano e industriais, tais como decantadores, sistemas de esteiras, equipamentos para a aeração.

Ela destacou como novidade o Aquaguard, uma esteira com peneira de sólidos que é colocada em uma área central de tanques de tratamento, sendo desenvolvida especialmente para o tratamento de efluentes de usinas de cana-de-açúcar.

Os decanters centrífugos, um dos carros-chefes das vendas da Andritz, são apresentados como um excelente separador para a indústria química e suas variantes, como farmacêutica, curtumes, alimentícia e saneamento. Seus modelos de 1 DN a 12 DN podem operar com vazões entre 4 m3 até 280 m3 por hora, com 1% de sólidos.

Mário Salles, da Marte Balanças, apresentou o medidor de oxigênio por luminescência, no qual uma sonda com luz promove a leitura de O2, não necessitando de troca de membrana por não conter solução eletrolítica.

O aparelho está adequado a operar em qualquer situação de saneamento industrial.

Química e Derivados, Silvio Gemignani e Bruno Dinamarco, da BF Dias, Atualidades - Ambiente - Feira apóia intercâmbio tecnológico
Gemignani(esq.) e Dinamarco: comporta feita de aço dura mais

A Coventya mostrou na feira um equipamento específico para recuperar níquel em unidades da galvanoplastia.

O pessoal do departamento de vendas admite que a máquina é cara e que sua descoberta pelo mercado será gradativa.

O aparelho recebe o efluente do processo e devolve para ele o metal pesado recuperado, operando por um sistema de separação química em banho eletrolítico com filtração contínua da água.

A vantagem é justamente essa: aproveita-se novamente o insumo e a água limpa pode ser descartada.

Representante do patrocinador do evento, o Banco do Brasil, o gerente da agência em Bento Gonçalves, Sidnei Butske, lembrou que o banco é signatário do protocolo de Kyoto.

Portanto, uma empresa para se beneficiar de financiamentos voltados à aquisição de bens de capital, expansão de instalações, ou formação de capital de giro precisa ser ambientalmente correta, nos padrões estipulados pela ONU, dentro dos padrões MDL – mecanismo de desenvolvimento limpo.

Na opinião de Oswaldo Faria, da empresa Sanitec, a Fiema é o único evento de base tecnológica para a apresentação de equipamentos para efluentes e desenvolvimento de serviços.

A Sanitec nasceu incubada dentro das Universidades Federal e Católica de Pelotas-RS, sendo especializada em equipamentos e procedimentos para todas as etapas de tratamento, atuando no mercado nacional.

“As outras feiras são eventos para máquinas e equipamentos que colocam o ambiente como complemento, não como protagonista”, comparou Faria.

Ele assinalou que, no caso da Fiema, o visitante alvo está realmente à procura de uma solução para seus resíduos.

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