Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação responsável: Verificação externa dá novo alento ao programa

Marcelo Furtado
11 de abril de 2002
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    Com o propósito de atender essa curiosidade, a Kodak criou um projeto de portas abertas, convidando três grupos por ano para visitações, cujos integrantes precisam ser indicados por membros do conselho comunitário.

    Química e Derivados: Atuação: atuacao08.Mas essa alienação com as questões de meio ambiente não desviou o foco do conselho. “Depois de uma troca de experiência com nossa matriz nos EUA, onde existia um conselho há mais tempo, percebemos que a atenção precisa ser dada a um assunto, de preferência o ambiental, em razão de sua abrangência”, explica Carvalho. Essa decisão fez a Kodak criar o projeto “Patrulheiros Ambientais”, um curso freqüente de seis meses que visa ensinar noções de meio ambiente a crianças de uma escola vizinha.

    As 150 crianças já formadas pelo curso (30 por semestre) transformaram-se no que a Kodak denomina de multiplicadores de informação. “Eles podem ensinar as outras crianças, pelo convívio, a respeitar o meio ambiente, incutindo idéias como a reciclagem, a coleta seletiva, entre outros temas”, diz. Para provar que o esforço não foi em vão, Aimberê Carvalho cita dois casos: um garoto formado pelo curso criou um projeto de coleta seletiva na sua igreja e um grupo de meninas passou a ministrar palestras sobre meio ambiente em salas de aula.

    De forma mais geral, a experiência do conselho, na visão do gerente, ajudou em muito a melhorar a imagem da empresa na vizinhança. Na pesquisa anterior à criação do conselho, a aceitação da empresa chegava a 94% pela população do bairro. Após alguns anos do trabalho comunitário o nível de simpatia atingiu 98,5%. Esse aumento, segundo Carvalho, explica-se por uma série de desentendidos que foram corrigidos depois de o relacionamento tornar-se mais aberto entre empresa-comunidade.

    Um exemplo foi a Kodak ter provado que uma reclamação comum entre os vizinhos era infundada. Muitos se queixavam de um pó preto que persistia em sujar as casas próximas à fábrica. Com testes de laboratório, devidamente confirmados, foi atestado ser o pó preto na verdade proveniente da poluição gerada pela grande quantidade de carros em trânsito na próxima Rodovia Dutra. “A quantidade de pó era seis vezes maior ao lado da estrada”, justifica o gerente.

    Mas também houve casos em que a população tinha razão. Certa madrugada um ruído estridente incomodou o bairro. Tinha origem na limpeza de tubulação das caldeiras da Kodak por hidrojateamento. “Reconhecemos o erro e passamos a fazer a limpeza apenas durante o dia”, afirma Carvalho. Esse relacionamento de vizinhos cordiais, que procuram chegar a um entendimento antes de começarem conflitos, pode ser um ótimo início para fazer cumprir o plano da Abiquim de tornar as empresas do Atuação Responsável mais envolvidas com as questões sociais.

    Empresa de remediação ambiental torna-se signatária

    Química e Derivados: Atuação: Igel - o ideal é evitar as emergências.

    Igel – o ideal é evitar as emergências.

    Além das empresas transportadoras convidadas por signatários a participar do Atuação Responsável como parceiras na adoção dos códigos, em setembro de 2001, pela primeira vez, uma empresa de tecnologia ambiental assinou o termo de compromisso do programa. Trata-se da Ecosorb, de São Paulo, especializada em sistemas de contenção e absorventes de vazamentos de hidrocarbonetos e outros contaminantes.

    O convite para participar partiu da Oxiteno, empresa do grupo Ultra com alguma familiaridade com a Ecosorb, tendo em vista que esta possui como proprietário e presidente Rogério Igel, um dos herdeiros e acionistas do referido grupo petroquímico.

    Assim como as transportadoras são convidadas pelas empresas químicas para facilitar o cruzamento de práticas do Atuação Responsável entre os dois setores, a Ecosorb, segundo Igel, também entrou no programa para ajudar os signatários químicos.

    “Dentro do nosso plano de se tornar empresa de serviços ambientais, queremos realizar para a indústria o gerenciamento de risco exigido pelo programa”, explica.

    De acordo com Rogério Igel, a intenção de prestar serviços para os signatários também inclui a coordenação e preparacão de simulações de planos de emergências para acidentes, sobretudo para aquelas empresas sem muita estrutura para esse tipo de projeto exigido pelo AR. “Queremos, porém, priorizar o treinamento e o gerenciamento que visa evitar as emergências”, diz Igel. Em primeiro lugar, porém, a Ecosorb vai implementar o Atuação Responsável internamente. Segundo seu diretor-superintendente, Pedro Maziero, até o final de 2002 a empresa pretende estar com o trabalho concluído. “Estamos adaptando os códigos e indicadores à nossa realidade com o apoio da Abiquim, cujas reuniões das comissões freqüento periodicamente”, afirma Maziero.

    Fundada no final de 1998, com essa nova postura de ensinar a se evitar emergências a Ecosorb revela uma ampliação significativa na sua estratégia comercial. Isso porque a empresa iniciou seu trabalhos justamente para atender emergências, comercializando turfas absorventes de vazamentos de petróleo da canadense EarthCare (ver QD-371, pág. 39). Desde aquele período, aliás, já conseguiu internar no País mais de 300 toneladas desses produtos naturais, utilizados nos principais vazamentos da Petrobrás.

    Nos acidentes dos últimos anos na Refinaria de Araucária-PR foram empregadas 40 t das turfas, e na Baía de Guanabara, no Rio, o vazamento foi em parte contido com 60 t desse produto que retém e quebra as moléculas dos hidrocarbonetos, para posterior descarte em aterros ou co-processamento.



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