Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação responsável: Verificação externa dá novo alento ao programa

Marcelo Furtado
11 de abril de 2002
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    No Brasil, todas as ações são coordenadas por comitês de voluntariado presentes em cada uma das unidades da Henkel (Jacareí-SP, Itapevi-SP, Diadema-SP e o escritório central em São Paulo). Uma rede de contatos com creches, asilos, escolas, entre outras entidades, recebe o auxílio desses membros dos comitês, que não só agilizam verbas como também se dedicam a trabalhos voluntários. “Reportamos nossas experiências à Abiquim, que poderá se servir de nossa forma de organização para nortear as novas práticas sociais do Atuação Responsável”, explica Sergio Crude, ele próprio participante do comitê de voluntários de Itapevi.

    Os conselhos – Quando as práticas sociais forem integradas ao Atuação Responsável possivelmente devem seguir essa forma organizacional da Henkel de criar comitês por unidades ou regionais. Isso porque o atual código de diálogo com a comunidade, de preparação e atendimento a emergências (DCPAE), já prevê a criação de um conselho comunitário, cujo principal objetivo é integrar a comunidade vizinha com a fábrica ou região fabril. Existem alguns no Brasil, impulsionados pelo programa, e que vêm funcionando com resultados bastante satisfatórios. Aproveitar essa massa crítica para colocar em prática a nova vertente social dada ao AR será uma saída natural.

    Mesmo sem ter o objetivo de envolver a empresa com projetos sociais, a simples reunião freqüente entre gente da fábrica e vizinhos faz desses conselhos uma ótima tribuna para se discutir assuntos de interesse da comunidade. Portanto, convites para a empresa ajudar em projetos ou carências da vizinhança tornam-se comuns. E apesar de o código apenas determinar que a empresa dialogue com os vizinhos e os conscientize e prepare para eventuais riscos de acidentes, iniciativas de solidariedade acabam surgindo nesses encontros.

    No conselho comunitário consultivo da regional do ABC paulista, que reúne 12 empresas desse importante pólo químico e petroquímico, essas questões constantemente vêm à tona. Com 26 representantes da sociedade, entre professores, líderes comunitários, técnicos da Cetesb, membros da defesa civil, bombeiros e secretários de meio ambiente das cidades em torno, várias idéias de cooperação surgem nas reuniões formais trimestrais e nas informais que podem ocorrer a qualquer momento.

    Nessas reuniões, segundo explica o assessor de qualidade, meio ambiente, saúde e segurança da PqU, Dilermando Nogueira, surgiram contatos entre a regional ABC, do Atuação Responsável, com o Rotary Clube da região, que podem vir a envolver as empresas com vários projetos voluntários.

    A PqU, por exemplo, organiza um projeto de reciclagem de plásticos na Apae de Mauá. “Nas reuniões do conselho sentimos a alta demanda que a vizinhança possui e como eles querem que nos tornemos moradores também, participando mais ativamente com a melhoria de qualidade de vida da região”, afirma Nogueira.

    Esse contato fez, por exemplo, a PqU financiar cartilhas de combate às drogas para um projeto organizado em escolas pela Polícia Militar. Ou ainda fez nascer a idéia de se criar um cinturão verde em Mauá, com financiamento de obras de melhoria em parques e praças, e se estudar a abertura de uma escola de informática aplicada. O trabalho mais recente promovido pelo conselho é a organização da semana do meio ambiente, marcada para o período de 3 a 9 de junho. Além de incluir um seminário para discutir as demandas ambientais da região, o evento também será palco de gincanas, festividades e concursos de redação e desenhos para as crianças das escolas vizinhas.

    Química e Derivados: Atuação: Aimberê - aceitação da Kodak melhorou depois do conselho.

    Aimberê – aceitação da Kodak melhorou depois do conselho.

    Criado em setembro de 2000, o conselho comunitário do ABC criou outras medidas práticas de melhoria no relacionamento entre empresa e sociedade. Por exemplo, foi criado um sistema 0800 integrado entre as empresas do pólo para se atender reclamações. Além da medida facilitar o o contato, serviu para medir a maior preocupação da população com as fábricas do ABC: o odor. “Qualquer cheiro desagradável, já levanta a suspeita sobre nós, o que muitas vezes não tem fundamento”, afirma o assessor da PqU e coordenador do conselho comunitário. Nogueira lembra um dia ter havido reclamação referente a um suposto cheiro de enxofre, que logo recaiu sobre a PqU. Depois provou-se ser proveniente de esgoto a céu aberto. “O enxofre é contaminante do processo petroquímico, não poderia ser nosso, mas mesmo assim procuramos solucionar o caso.”

    Curiosidade – Também vale a pena citar a experiência do conselho comunitário da Kodak, de São José dos Campos-SP, em atividade desde agosto de 1998. Formado apenas por dez famílias de um bairro vizinho, o Conjunto 31 de Março, e por seis representantes da própria Kodak, a empresa encomendou uma pesquisa para começar seus trabalhos. Queria saber qual era a principal preocupação da vizinhança com a fábrica de fotoquímicos e de revestimento de papéis de raio-X e fotografia. Para surpresa dos responsáveis, o que intrigava os vizinhos do bairro com cerca de 5 mil pessoas e 1.000 domícilios não era nem o odor, como no ABC, nem qualquer outra questão ambiental.

    “Na verdade, a grande preocupação da maioria das pessoas era poder conhecer a empresa”, lembra o gerente para assuntos comunitários da Kodak, Aimberê Carvalho. Para ser mais preciso, um total de 84% dos pesquisados tinha essa preocupação.



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