Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação responsável: Verificação externa dá novo alento ao programa

Marcelo Furtado
11 de abril de 2002
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    Química e Derivados: Atuação: atuacao02.Mudança de conceito – O objetivo da Abiquim com relação ao PNQ só deve ser levado adiante de forma mais definitiva quando as mudanças estruturais do programa, previstas também para este ano, se concretizarem. Isso porque ficou acordado em 2001 que até o próximo congresso anual, marcado para a primeira semana de outubro, vários gargalos serão corrigidos e aperfeiçoamentos acrescentados aos códigos. Para começar, os próprios princípios éticos diretivos, espécie de mandamentos do programa, serão revisados pelo comitê executivo do AR.

    A mudança fundamental é a inclusão da chamada responsabilidade social, termo que sintetiza o envolvimento das empresas com a comunidade, por meio do apoio e coordenação de projetos assistencialistas. Mas, de forma conceitual, a mudança ultrapassará esse aspecto. A revisão e o rearranjo dos códigos, promovidos por todas as comissões do programa (de transporte, saúde, segurança, meio ambiente, etc), pretendem repensar o conceito de responsável. Mais uma vez quem explica é o gerente Kós, da Abiquim: “Vamos expandir o conceito para além da sáude, meio ambiente e segurança, incluindo os aspectos sociais e econômicos, o que significa em suma pensar no programa como uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável.”

    Química e Derivados: Atuação: atuacao03.Justamente por ampliar o leque do conceito de responsabilidade é que essa nova intenção da Abiquim pode levar os associados a se candidaterem ao PNQ, cujo princípio é premiar a empresa com visão séria no quesito sustentabilidade. Não por menos, a já premiada Copesul é uma das mais engajadas nessa estratégia (ver QD-395, pág. 12), com o costume até de publicar anualmente um balanço social e ambiental, relatando os investimentos e ganhos nessas áreas.

    Química e Derivados: Atuação: atuacao04.A sustentabilidade, embora possa parecer um termo de significado vago, na verdade tem a ver com a sobrevivência das empresas. Nenhuma corporação com pretensões de se manter por um período razoável e, melhor ainda, de se expandir no mercado competitivo, pode ignorar o fato de que sua imagem para ser positiva vai depender de um conjunto de medidas e costumes responsáveis. Qualquer desleixo no aspecto ambiental ou social, em qualquer lugar do mundo, pode afetar as ações da própria empresa ou do principal cliente na bolsa de valores de Nova York, por exemplo. Isso quando não serve de pretexto para barreiras alfandegárias ou quando, pior ainda, a deixa em má reputação junto ao público consumidor.

    Por essa razão que as comissões técnicas e executivas do Atuação Responsável estão trabalhando durante o ano para reformar os códigos e resumi-los ou, quando possível, integrá-los. “A idéia é transformar o signatário em uma companhia responsável de forma geral, em todos os aspectos, levando-a à excelência, e não em um simples implementador de normas”, diz Kós. Por isso a reforma não significa apenas incluir práticas sociais, mas também, por exemplo, mudanças nas ambientais, estimulando o emprego de tecnologias limpas para minimizar gastos com tratamento.

    Em linhas gerais, as mudanças técnicas, que incluirão ainda os outros aspectos, como o da segurança e o transporte, visam dar uma estratégia de eficiência mais ampla à fábrica. Não por menos, no Canadá, país inventor do Responsible Care, há um código de manufatura que coordena todas questões do processo de forma integrada, desde a saúde e segurança até o controle ambiental ou o gerencimento de produto. Isso não quer dizer que os brasileiros imitarão os canadenses, mas com certeza levarão em conta essas experiências.

    Química e Derivados: Atuação: atuacao05.Além disso, a modificação no programa atende a vários propósitos. Em primeiro lugar, melhora a imagem da empresa junto à comunidade externa, sendo encarada como um agente social mais participante e preocupado em produzir de forma limpa e controlada. No mesmo sentido, sua boa fama será ainda maior caso o plano de tornar o setor um forte concorrente ao PNQ se concretize. E, por fim, internamente, no âmago da Abiquim, as modificações atendem a uma demanda cada vez maior por parte dos líderes do programa, ou seja, as empresas de grande porte mais envolvidas e adiantadas na implantação. Isso porque são essas empresas (cerca de 10% das 140 associadas) que mais desejam ver o programa se expandir para a sustentabilidade.

    Não é caro – Essa posição de vanguarda em querer transformar o Atuação Responsável em um sistema mais amplo de gestão traz várias vantagens para o programa no Brasil. Com a atitude das empresas grandes, as pequenas e médias se vêem forçadas a cumprir pelo menos o básico, ou seja, implementar os códigos de modo mais sério e rápido. Tal ação indireta sobre os signatários, aliás, se compatibiliza com uma postura recém-adotada pela Abiquim. No final do ano passado, cinco empresas foram desligadas do programa e da associação por não se comprometerem em adotar o Atuação Responsável.

    Química e Derivados: Atuação: Pizzigatti - a Atuação Responsável não é caro para implantar.

    Pizzigatti – a Atuação Responsável não é caro para implantar.

    A maioria das empresas com posição de liderança já estão com quase todos os códigos 100% implantados e entram no chamado nível 6, correspondente à etapa de melhoria contínua. Já as mais atrasadas ou ainda não conseguiram se envolver plenamente (e estão sendo pressionadas para tal, caso contrário serão também afastadas) ou então se inscreveram há pouco tempo, por terem sido convidadas por associados como empresas parceiras. Este último é o caso de 17 empresas transportadoras e uma de tecnologia ambiental (ver boxe pág. 36). A pressão sobre as “atrasadas” é cada vez maior e mais resistente a desculpas.

    “Não se pode dizer, como muitos tentam alegar, que é caro implementar o Atuação Responsável, em razão de supostos investimentos em equipamentos de controle ambiental e automação”, critica Antonio Pizzigatti Jr, vice-coordenador executivo do programa e diretor industrial da Rohm and Haas.



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