Química

Atuação responsável – Signatários têm dificuldades para implantar novo programa

Marcelo Furtado
16 de maio de 2009
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    Em processo de reestruturação de seus ativos desde 2008, ano de formação do novo grupo, segundo Sanches, o momento é propício para alinhar as práticas do novo modelo em todas as várias fábricas oriundas da fusão. “O novo programa não é apenas de controle, como o antigo e as normas ISO são, mas sim uma ferramenta de gestão que visa à sustentabilidade, ou seja, o crescimento econômico e a equidade social”, explicou o gerente. Na sua opinião, 2009 tem sido o ano de encontrar os benchmarkings internos do grupo para que sirvam de referência para os demais sites. “A sinergia entre os grupos, mais o novo modelo do Atuação Responsável, vão formar no fim um sistema de gestão com certeza muito avançado”, disse.

    De modo geral, Sanches acredita que tanto as plantas advindas da Unipar como as da Suzano eram muito envolvidas com o programa e com sistemas de gestão integrados. A ex-PqU, por exemplo, é vencedora do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) e, portanto, serve como parâmetro para as demais, assim como as unidades de polipropileno e a Riopolímeros, que contam com bons indicadores de desempenho em segurança, e a Unipar em controle ambiental e saúde ocupacional. “Mas há vários aspectos em que praticamente todas as fábricas estão adiantadas. Por exemplo, todas elas queimam hoje apenas gás natural”, destacou o gerente.

    O caminho natural para as empresas que rodam os sistemas de gestão complexos, com visão de desenvolvimento sustentável, é tornar esse conceito como parte da estratégia de negócio. E nesse sentido a Quattor conta com projetos como o do Propeno Verde, recentemente divulgado. Em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trata-se de pesquisa que permite a fabricação da resina de polipropileno obtido da glicerina, subproduto da produção de biodiesel.

    Com apoio financeiro da Finep e do Ministério da Ciência e Tecnologia, é uma tecnologia com potencial de aproveitar as aproximadamente 260 mil toneladas por ano de glicerina a ser geradas no Brasil, como subproduto da produção prevista anual de 2,5 bilhões de litros de biodiesel. Esse patamar é esperado para quando, em 2010, for obrigatória a adição de 5% de biodiesel no diesel petroquímico. Atualmente, apenas 30 mil toneladas de glicerina são geradas no mercado, a maior parte delas aproveitada na produção de sabão.

    Química e Derivados, Eduardo Sanches, Gerente de QSSMA da Quattor, Atuação Responsável

    Eduardo Sanches: reestruturação ajuda a Quattor a avançar no programa

    Com a expectativa de o projeto entrar em operação em 2012, o polipropileno verde poderá ser produzido nas mesmas unidades que operam com o propeno de nafta, o que não demandará investimentos extras. Para a Quattor, esse projeto se encaixa nas diretrizes de sustentabilidade da empresa, visto que a atividade cria uma alternativa comercial para um resíduo, proporciona a produção de uma matéria-prima de fonte renovável e ainda gera a possibilidade de reaproveitamento nas fábricas de uma grande quantidade de água empregada na transformação da glicerina em propeno.

    Mais produção verde – Conseguir criar produtos verdes na indústria petroquímica, que tradicionalmente sempre precisou se envolver mais na gestão ambiental para controlar seus impactos, é sem dúvida um sinal de evolução com poder de convencer mesmo os mais críticos. Não seria exagero afirmar ainda que, com isso, finalmente a indústria conseguiu materializar o até então abstrato conceito da sustentabilidade. Ou seja, transformou em parte do seu negócio uma atividade industrial que ajuda a minimizar ou, em alguns aspectos, eliminar os impactos ambientais. O Atuação Responsável, muito importante nas empresas que se enveredaram nesse caminho, tem com certeza sua parcela de contribuição.

    Mais um caso clássico ocorre na Braskem, a outra grande petroquímica do Brasil, que já iniciou as obras de sua fábrica para produção em 2011 do polietileno da cana-de-açúcar em Triunfo, no Rio Grande do Sul, e que tem planos de também produzir polipropileno verde. De acordo com o diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem, Jorge Soto, o polietileno verde provou em estudo ser 57% melhor do que o petroquímico em termos de impactos ambientais. “Ele é o resultado de que a sustentabilidade se tornou um valor para a Braskem”, disse.

    Falando em valores, a Braskem investiu R$ 171 milhões em 2008 em projetos de segurança e meio ambiente e, em 2009, este valor deve no mínimo ser mantido ou até mesmo aumentado, em virtude das obras da nova fábrica em Triunfo. São projetos que dão continuidade a um forte envolvimento com as diretrizes do Atuação Responsável e seu sistema de gestão integrada, o Sempre, que resultaram em vários indicadores bastante positivos para a companhia. Entre 2002 e 2008, por exemplo, foram reduzidos em 48% a emissão de efluentes, em 66% a geração de resíduos e em 13% o consumo de água.

    Provavelmente em 2009 as unidades da Braskem devem começar a passar pelo VerificAR. De acordo com Soto, as verificações prometem atestar que a empresa já se encontra na maior parte das diretrizes no elevado nível 3, em rota de melhoria contínua com minimização dos impactos. Em alguns casos, segundo ele, há a firme possibilidade de se constatar o nível de benchmarking, como no caso da segurança de trabalho, visto que a Braskem ostenta 0,28 acidente com afastamento por milhão de horas de exposição, indicador considerado dos mais baixos do mundo.



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