Química

Atuação responsável – Signatários têm dificuldades para implantar novo programa

Marcelo Furtado
16 de maio de 2009
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    SimplificAR – Alguns técnicos envolvidos no Atuação Responsável, porém, acreditam que o programa precisa ser ainda simplificado. É o caso do coordenador de HSEQ da Lanxess do Brasil, Paulo César Moro, cuja unidade de químicos em Porto Feliz-SP passou pelo VerificAR em outubro de 2008. Para ele, mesmo que a revisão já tenha melhorado bastante o programa em comparação com o antigo disposto em códigos, a sua estrutura ainda confunde um pouco o entendimento do processo de autoavaliação. E, mais importante, Moro acredita que falta um pouco mais de entrosamento entre os órgãos certificadores e a coordenação na Abiquim. “No planejamento da auditoria, isso ficou claro. Os prazos pré-agendados para a verificação não foram suficientes para os trabalhos, o que demonstra que o conhecimento não foi bem disseminado”, afirmou.

    Na opinião de Moro, a falta de sintonia entre os órgãos envolvidos também dificulta a ocorrência de uma das grandes vantagens do AR revisado: a possibilidade de unificação de auditorias com as demais normas: ISO 14000, 9000, OSHAS 18000 e as de responsabilidade social (SA 8000 e NBR 16001). “As certificadoras ainda não conseguem fazer a integração e, de certa forma, também não se mostram interessadas em fazê-lo”, explicou. Para a Lanxess, segundo Moro, seria muito importante a unificação, tendo em vista que apenas em 2008, além do VerificAR, a fábrica precisou passar por mais de dez auditorias. “Seria uma redução de custo e tempo que viria em boa hora”, completou.

    Química e Derivados, Paulo César Moro, Coordenador de HSEQ da Lanxess do Brasil, Atuação Responsável

    Paulo César Moro sugere maior interação com órgãos certificadores

    Nesse sentido, aliás, a Lanxess já faz globalmente a integração de auditorias por meio de certificações internacionais das normas ISO, que diminuem a quantidade delas por meio de um sistema de amostragem que tira a necessidade dos sites serem verificados todos os anos. “Anualmente enviamos as evidências para a matriz para serem checadas pelo certificador e apenas a cada três anos precisamos ser auditados in loco”, disse. E seria nesse sistema de certificação internacional que reside uma das dificuldades de integração com o VerificAR brasileiro, que Moro afirma se replicar em outras signatárias de origem estrangeira, também adeptas desses certificados internacionais. “Como será feito para o Atuação Responsável ser considerado por uma auditoria em nível global?”, questiona.

    Elogios – Apesar dos problemas iniciais, outros signatários têm sido “todo elogios” ao novo modelo do Atuação Responsável. Um exemplo ocorre na Basf, que realizou o primeiro processo de autoavaliação e verificação em 2008 e, por sinal, com direito a auditoria integrada entre o VerificAR e as normas ISO, ao contrário do afirmado pelo colaborador da Lanxess. Segundo a coordenadora para a América do Sul do Atuação Responsável na Basf, Alessandra Freitas, a auditoria na unidade multipropósito de Guaratinguetá-SP, em junho de 2008, foi em conjunto com a ISO 14001 e ISO 9001 e realizada pela certificadora DQS.

    Além de integrar a auditoria com as normas, para Alessandra, a oportunidade foi única para alinhar as práticas do Atuação Responsável, sistema de gestão oficial da Basf, em todas as dimensões do novo programa (saúde, segurança, meio ambiente, proteção empresarial, qualidade e responsabilidade social). Como a autoavaliação, preparatória para a verificação, é feita por meio de um comitê multifuncional da empresa, com pessoas responsáveis por cada dimensão, a troca de informações e a análise crítica entre os colaboradores possibilitaram várias melhorias e um profundo conhecimento sobre o estado do sistema de gestão.

    Química e Derivados, Alessandra Freitas, Coordenadora para a América do Sul do Atuação Responsável na Basf, Atuação Social

    Alessandra Freitas: implantação do novo AR alinhou as práticas na Basf

    A autoavaliação na transnacional de origem alemã, apesar de ter sido um pouco difícil no início, depois se mostrou uma ótima experiência, na opinião de Alessandra. “Se você segue as orientações do programa, consegue avaliar de maneira precisa o estágio da gestão em todos os aspectos contemplados”, afirmou. “E assim estabelece ou não metas para melhorar o nível daquela prática”, completou. Aliás, em todas as avaliações, confirmadas com o VerificAR, as práticas da Basf estiveram no mínimo no nível 2 e, na maioria delas, no nível 3. Em 2010, estão previstas dessas auditorias integradas nas demais unidades da Basf no Brasil.

    Estratégia – Outra empresa com impressão muito favorável ao novo Atuação Responsável é a petroquímica Quattor, resultado da recente fusão dos ativos da Suzano Petroquímica, a Unipar e a Petrobras. Desde 2007, a empresa realiza o VerificAR em suas plantas e já se encontra, segundo seu gerente de QSSMA, Eduardo Sanches, com níveis entre 3 e 4 em todas as diretrizes do programa. As verificações até o momento foram nas unidades de polipropileno (ex-Suzano Petroquímica) em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro e na unidade de químicos básicos (ex-PqU) em Mauá-SP.



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