Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação responsável quer indústria mais solidária

Marcelo Furtado
5 de julho de 2001
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    Química e Derivados: Atuação: grafico6.A primeira etapa do projeto de verificação externa ocorrerá de forma piloto neste ano, baseando-se em avaliações similares da associação norte-americana da indústria química (ACC). Empresas voluntárias, como Akzo Nobel, Basf e DuPont, já se candidataram a inaugurar o novo processo. Caso uma análise posterior de um conselho da Abiquim constate sua eficácia, o plano é expandir a verificação, a princípio voluntária, aos outros signatários. De acordo com Marcelo Kós, para a verificação serão formados grupos de cerca de seis pessoas, da comunidade e de outras empresas. Depois de apresentados e aprovados pela empresa auditada (que arcará com todas as despesas), eles passarão dois dias fazendo a auditoria dos códigos na fábrica.

    Por ser ainda experiência piloto, alguns detalhes não estão definidos. No modo americano de avaliação, por exemplo, para coordenar a auditoria há um grupo profissional, de uma empresa terceirizada especialmente formada para coordenar a auditoria. O comitê de auditores conta ainda com membros da comunidade e de outras indústrias. No Brasil, não há planos de formar uma empresa similar, mas talvez a Abiquim treine alguém ou uma auditoria profissional para cumprir esse papel de coordenação. “Após o congresso, já devemos ter definida a metodologia”, diz Kós.

    Química e Derivados: Atuação: grafico10.Críticas – Um dos motivos que levam as associações a caminharem em direção ao chamado pelos americanos de MSV (management system verification) é dar uma resposta aos críticos do programa. Ser auto-avaliado normalmente tem sido visto como uma ação cabotina. Foi para responder a terceiros também que a mesma associação norte-americana passou a estudar a adoção de um certificado do Responsible Care (o nome original), nos moldes do conferido pela norma ISO 14001.

    Mais especificamente, a iniciativa da certificação americana se deve a uma reivindicação da indústria automotiva daquele país, que cogitou exigir o certificado ambiental da ISO de seus fornecedores químicos. Por estar envolvida com o Responsible Care já há treze anos, a ACC pretende atender essa demanda de clientes por meio de um certificado do programa, sem precisar assim recorrer a um outro sistema de gestão.

    Química e Derivados: Atuação: Freitas - banho de ducha fria em sindicalistas.

    Freitas – banho de ducha fria em sindicalistas.

    Mesmo que o Brasil ainda esteja numa etapa anterior à americana, elaborando a verificação externa já em prática nos EUA, atitudes de melhoria podem amenizar as críticas e compensar algumas atitudes recentes não muito simpáticas. A principal delas ocorreu em abril numa reunião internacional do Responsible Care. Por pressão da ACC, os sindicatos de trabalhadores, representados internacionalmente pela federação dos sindicatos (ICEM), foram impedidos de assinar um acordo global para participar do programa. Isso teve efeito também no Brasil, onde a CNQ/CUT pretendia se fazer presente nos chamados conselhos comunitários.

    No Brasil, segundo afirma o assessor do CNQ, Nilton Freitas, a resolução internacional, provocada pelos americanos, foi um banho de “ducha fria”. Colocados de escanteio pela Abiquim, os sindicatos só conseguiram espaço no Atuação Responsável em iniciativas isoladas, como uma da Basf, que permitiu a participacão de sindicalistas em conselhos do programa em Camaçari-BA e Guaratinguetá-SP.

    “Isso demonstra que nem tudo está perdido, visto que a empresa teve coragem de nos convidar, de forma experimental e a contragosto do resto da indústria”, observa Freitas.

    Afora esses problemas, outra constante no trabalho da Abiquim tem sido conscientizar as pequenas e médias indústrias signatárias sobre a importância do Atuação Responsável. “Para essas empresas, o programa representa um custo a mais e isso inibe um pouco a adoção das

    Química e Derivados: Atuação: Mayer - princípios éticos devem ser revisados.

    Mayer – princípios éticos devem ser revisados.

    práticas”, diz o coordenador Heinz Mayer, também presidente do conselho de administração da Basf. Embora as grandes empresas estejam em um nível bastante avançado, sendo que 25 delas nos últimos graus (5 e 6) do sistema, há casos de pequenas ainda no nível mais baixo possível, sem nada implantado, e sem nunca ter enviado à Abiquim seus índices de auto-avaliação.

    A dura realidade das empresas menores, que desde 1998 são obrigadas como associadas da Abiquim a ser signatárias, poderia de certa forma abalar a imagem do programa caso uma delas provocasse, por exemplo, um grave acidente. Mas, para Heinz Mayer, não é o caso. “Um hipotético acidente de uma dessas indústrias não deve ferir a credibilidade específica do Atuação Responsável, não muito conhecido para os leigos, mas de todo o setor químico”, diz. Talvez esteja aí a razão de fazer o programa ser levado mais a sério pelas empresas de menor porte.

    Associquim inicia processo de distribuição responsável

    O emprego do Atuação Responsável pela indústria química tem provocado um efeito cascata em outros setores correlatos. Mais recentemente, o de tintas, por meio da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), anunciou que em seu próximo congresso, em setembro, iniciará as discussões para a introdução no Brasil do Coating Care, um programa adotado pela indústria americana nos moldes do Responsible Care. Deve ser traduzido para “Responsabilidade em Tintas”.

    Mas a iniciativa mais madura, sem dúvida, é a da Associação Brasileira do Comércio de Produtos Químicos (Associquim). Em 31 de maio, numa assembléia com todos seus 105 associados, a Associquim aprovou, depois de um ano de elaboração, o Processo de Distribuição Responsável (Prodir), uma versão brasileira do Responsible Distribution Process, da associação norte-americana de distribuição química (NACD).

    Ao contrário do Atuação Responsável, o Prodir não será obrigatório aos associados. Para Glória Benazzi, assessora de logística e meio ambiente da Associquim e responsável pelo programa, essa escolha tem uma explicação: “O próprio mercado, com o tempo, vai obrigar as empresas a se adequarem às práticas do Prodir”, afirma Glória. Para ela, essa exigência deverá se tornar uma forma de a indústria qualificar suas distribuidoras.



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