Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação responsável quer indústria mais solidária

Marcelo Furtado
5 de julho de 2001
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    Química e Derivados: Atuação: grafico2.Para Jorge Soto, o SGI possibilitou ao grupo se antecipar de forma organizada aos objetivos próximos do Atuação Responsável de incorporar práticas assistencialistas. “Entre os objetivos do SGI está a melhoria contínua da saúde e segurança também dos vizinhos e o reconhecimento da sociedade de nossos trabalhos”, diz. “O Atuação Responsável é apenas uma das nossas ferramentas de gestão, portanto ele ter ou não práticas de responsabilidade social para nós não faz diferença.” Implantando de forma peculiar, segundo Soto, até 2002 todos os códigos do programa da Abiquim estarão adotados na OPP.

    Química e Derivados: Atuação: grafico3.Os projetos comunitários da OPP estão muito envolvidos com a questão ambiental. Um bem famoso é a Operação Praia Limpa, para o qual a empresa já distribuiu mais de 38 milhões de sacolas plásticas, além de 3.640 papeleiras e contêineres para coleta de lixo em praias de São Paulo, Bahia, Alagoas e Rio Grande do Sul. Há também a promoção de vários cursos ambientais em escolas, de organização de programas de coleta seletiva e distribuição de hipoclorito de sódio para desinfecção de água em comunidades carentes, vizinhas às unidades da OPP. Vale destacar também a manutenção de cooperativas de reciclagem de materiais no RS, BA e AL e o fato de 25% dos funcionários do grupo participarem de trabalhos voluntários.

    Muito por fazer – Algumas outras empresas, talvez por se basearem muito especificamente nos códigos do Atuação Responsável, não estão muito adiantadas na responsabilidade social. A Akzo Nobel, por exemplo, bastante adiantada na implantação do programa, encontra algumas dificuldades para ao menos colocar em prática o código mais próximo da questão, o de diálogo com a comunidade, preparação e atendimento a emergências. Uma das práticas recomendadas, a de preparar a vizinhança para acidentes, encontrou um inusitado empecilho: na região em que a fábrica está instalada, Itupeva-SP, não há defesa civil. A solução para a Akzo Nobel foi começar a formar uma entidade dessas com duas associações de bairro.

    Outra grande empresa, a Rohm and Haas, também está imatura na implementação das práticas desse código. De acordo com o diretor industrial da unidade de Jacareí-SP, Antonio Pizzigatti, trata-se das práticas com menor grau de implementação de todos do Atuação Responsável: cerca de 30% apenas, contra uma média que vai de 75% do código de gerenciamento de produto a 100% no de saúde do trabalhador. “O trabalho mais substancial que temos feito limita-se a visitas a escolas e vice-versa, ou seja, de vez em quando recebemos crianças para conhecer o dia-a-dia da fábrica”, afirma.

    Química e Derivados: Atuação: grafico4Mas Pizzigatti, como coordenador do programa na Rohm and Haas, promete dar atenção especial ao tema. A idéia é criar um conselho comunitário, com membros da sociedade, nos moldes dos existentes em Santo André-SP, Guaratinguetá-SP ou em Camaçari-BA. “Ouvir constantemente pessoas de fora tornará o diálogo mais produtivo”, constata Pizzigatti.

    Porém, não se deve deixar de notar que o desenvolvimento sustentável também compreende a preocupação com os colaboradores, ou seja, com os próprios funcionários. E, nesse ponto de vista, Pizzigatti considera a Rohm and Haas adiantada. Para provar, lembra que em 1997 e 2000 a empresa registrou zero acidente com afastamento e em 1998 e 1999 apenas quatro com afastamento. Estes últimos, segundo ele, na verdade foram apenas atendimentos de primeiros socorros, sem muita gravidade. Outros indicadores positivos, e indiretamente ligados à responsabilidade social, dizem respeito ao fato de a empresa não ter recebido nenhum auto de infração de transporte de produtos perigosos e não-perigosos e ter reduzido incidentes nessa área (três em 1998, dois em 1999 e nenhum em 2000).

    Química e Derivados: Atuação: grafico5.Outros desafios – Embora haja muito a fazer em responsabilidade social, este não é o único plano da Abiquim para melhorar o programa. O aspecto ambiental, principalmente, urge algumas alterações. Não apenas na maior ênfase ao uso de tecnologia limpa, em detrimento da tendência do programa em destacar a reciclagem de resíduos, mas também na inclusão de um assunto hoje em dia muito pertinente: o uso racional de energia. “Na época em que o código de proteção ambiental foi feito no Brasil, isso não era tão relevante como agora”, afirma Marcelo Kós, da Abiquim. Aliás, a questão energética, para ele, pode ser incluída ainda em outros códigos: no de gerenciamento de produto e no de diálogo com a comunidade.

    Uma outra melhoria prestes a acontecer é o chamado processo de verificação de progresso. Trata-se das auditorias feitas por terceiros, que já ocorre em vários países e cujo objetivo é dar maior credibilidade ao programa. Até o momento, há apenas sistemas de auto-avaliação. Só algumas companhias, como a Copesul e a OPP, submeteram espontaneamente a grupos de outras empresas vizinhas a avaliação de alguns de seus códigos e práticas.



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