Meio Ambiente (água, ar e solo)

Atuação responsável quer indústria mais solidária

Marcelo Furtado
5 de julho de 2001
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    Química e Derivados: Atuação: A Bayer distribui sopas em escolas.

    A Bayer distribui sopas em escolas.

    Essas iniciativas da filial brasileira da Bayer têm chamado a atenção da matriz alemã. “A Alemanha quer usar nosso projeto como exemplo para outros países”, diz o chefe de comunicação. “Apesar de haver várias obras interessantes de outras afiliadas pelo mundo, a matriz reconheceu que nossa estratégia é mais abrangente, não se fixa apenas em um campo do assistencialismo.” Além de ter lhe valido alguns prêmios, a experiência da Bayer brasileira deve ser compartilhada nas discussões do Atuação Responsável na Abiquim. Diomedes Ferrreira acredita que vários projetos da empresa poderiam ser base para novas práticas do código de diálogo com a comunidade. Aliás, no próximo congresso, no dia 22 de agosto, ele apresentará um painel sobre a implantação de um conselho comunitário.

    Estratégico – Embora o tema “sustentabilidade empresarial” tenda a parecer um efeito de linguagem com intenções marqueteiras, seus fundamentos têm sido abordados de forma mais séria, sobretudo por grandes empresas.

    Modelo de desenvolvimento empresarial que procura colocar em equilíbrio os aspectos econômico, social e ambiental, a sustentabilidade, na verdade, pode servir como eficiente princípio estratégico.

    A central petroquímica gaúcha Copesul, por exemplo, tem a expressão “desenvolvimento sustentável” em alta conta. “’Mais do que jogo de cena, trata-se do nosso objetivo estratégico”, afirma sua executiva da unidade de segurança, saúde e meio ambiente, Carla Rangel. Embora ainda não seja contemplado no Atuação Responsável, do qual a central tornou-se signatária a partir de 1992, o tema é a base do sistema de gestão integrado da empresa, que engloba também as práticas de suas certificações (ISO 14001, ISO 9002 e a breve OHSAS 18002, de segurança).

    Química e Derivados: Atuação: grafico1.Para Carla, o tripé financeiro-social-ambiental deve estar sempre harmonizado. “Não adianta lucrar muito e ao mesmo tempo poluir ou deixar de lado os colaboradores e vizinhos; a longo prazo, a imagem da empresa pode se desgastar e, conseqüentemente, o valor das suas ações”, diz Carla. “Isso sem falar na queda de motivação e produtividade dos colaboradores, na animosidade da comunidade, nas multas, entre outros efeitos negativos.”

    Química e Derivados: Atuação: Carla - sustentabilidade é estratégia da Copesul.

    Carla – sustentabilidade é estratégia da Copesul.

    Para manter esse equilíbrio, o inverso também é verdadeiro. “Não podemos tornar a empresa uma instituição de caridade ou uma ONG ambientalista, em detrimento dos lucros”, continua a executiva da Copesul. Essa posição aparentemente contida da central, porém, significou em ações comunitárias, em 2000, um total investido de R$ 3,3 milhões, dividido entre projetos sociais, culturais, ambientais e eventos esportivos.

    Um destaque nesse montante foi a doação de R$ 1 milhão para a construção de um hospital de transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre-RS, a ser inaugurado em outubro. Vale ressaltar ainda o projeto Nossas Escolas, que visa dar apoio financeiro e de mão-de-obra voluntária em infra-estrutura e educação ambiental para escolas da região do pólo, em cidades como Montenegro e Triunfo. “Além de reformarmos banheiros, muros e salas de aula, também preparamos cursos de informática e educação ambiental nas escolas”, orgulha-se Carla.

    A participação comunitária da Copesul, já há três anos documentada em um balanço social bastante detalhado em relatos e números, também servirá de base para sugestões da central na proposta de modificação do Atuação Responsável. Isso principalmente ao se levar em consideração a opinião da executiva da área, que participa ativamente do programa da Abiquim. Segundo ela, há dois tópicos primordiais para serem objetos de reflexão nos próximos anos. Um deles, logicamente, é a responsabilidade social, que deve ser implementada de forma efetiva nos códigos e princípios. O outro é a questão ambiental. “O código de proteção ambiental enfatiza muito a reciclagem de resíduos, mas hoje em dia temos que partir para a prevenção, com a adoção de tecnologias limpas”, lembra Carla Rangel.

    No aspecto responsabilidade social, a executiva não tem a menor dúvida da importância. Como argumento, chama a atenção para a última reunião do World Business Council, realizada no Brasil sob a coordenação do Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Cebds). Segundo ela, nesse encontro internacional os participantes ficaram impressionados com os cases brasileiros de projetos sociais promovidos por empresas. E chegaram a uma conclusão: a ineficiência governamental de países pobres como o Brasil torna a iniciativa privada muitas vezes uma espécie de governo paralelo. “Temos que assumir essa responsabilidade”, diz.

    Gestão ajuda – Da mesma forma que sua controlada Copesul, a OPP (é sócia meio a meio com a Ipiranga na central gaúcha) também está atenta à responsabilidade social. E, ainda de maneira similar à Copesul, o braço petroquímico da Odebrecht se fundou em seu sistema de gestão integrada de qualidade, saúde, segurança e meio ambiente para se preocupar com a questão.

    Química e Derivados: Atuação: Soto - gestão integrada engloba responsabilidade social.

    Soto – gestão integrada engloba responsabilidade social.

    Na verdade, segundo explica Jorge Soto, gerente geral dessas áreas na OPP, antes mesmo do sistema integrado, criado em 1997, a empresa já tinha esse propósito como um de seus fundamentos éticos.

    Esse fundamento, segundo Soto, pode ser encontrado nos princípios da chamada Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO), uma espécie de “lei sagrada” criada pelo fundador do grupo, Norberto Odebrecht. “Um dos conceitos, por exemplo, prega que a satisfação do cliente deve ter como pano de fundo a responsabilidade comunitária e ambiental, o que em outras palavras significa desenvolvimento sustentável”, declara o gerente. O TEO, além de enfeitar as paredes da OPP pendurado em quadros, serviu como base para o sistema de gerenciamento integrado (SGI), que abrange as práticas das normas ISO, OHSAS e, logicamente, o Atuação Responsável.



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