Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Atuação Responsável: Facilita gestão dos negócios químicos

Marcelo Furtado
30 de julho de 2004
    -(reset)+

    Homogeneização – Além de estar atrasada em relação ao Brasil, a revisão mundial também pode trazer algumas complicações para associados locais. Isso porque um dos objetivos imediatos do trabalho é a homogeneização de indicadores, de objetivos e metas, e de implementação das práticas. O grupo de CEOs da Task Force identificou várias diferenças entre os 47 países signatários, tanto nos princípios e fundamentos de seus respectivos Responsible Cares como no grau de comprometimento de cada um deles. Muitas vezes até dentro de grupos transnacionais há posturas diferenciadas, dependendo do País onde contam com filiais. Em suma, isso significa que muitos grupos internacionais (alguns deles representados na Task Force) poderão ter trabalho para homogeneizar seus programas.

    Atentas à movimentação internacional, algumas dessas corporações globais já começam a olhar para si a fim de identificar incongruências que precisarão ser corrigidas. Um exemplo ocorre na Basf que, ao contrário das criticadas pelo grupo de CEOs, afirma contar com estrutura global para o Atuação Responsável há vários anos, pelo menos segundo informa seu diretor regional de segurança e meio ambiente, Odilon Ern. De acordo com ele, o grupo possui estrutura para o Atuação Responsável dividida em três níveis: global, regional e local, que trabalham com metas e objetivos harmonizados mundialmente.

    “Não teremos problemas quando a revisão mundial ficar pronta”, afirma Ern, também diretor do maior complexo industrial da Basf na América Latina, instalado em Guaratinguetá-SP. Como exemplo da conduta da Basf, o diretor cita a organiação de metas globais para o programa, as coordenações mundiais de cada código e a definição como objetivo central em todos países, o chamado desenvolvimento sustentável. Segundo Ern, a empresa adotou essa política para o programa em 1998 e, na sua visão, um grande mérito foi conseguir contrabalancear as metas conforme a realidade de cada país. “Lugares com baixa contribuição de emissão de gases de efeito estufa, por exemplo, compensam com reduções em outros quesitos”, diz.

    Desde 2002, a Basf implantou 100% de todos os códigos do Atuação Responsável. E até mesmo a sinalização de mudança no Brasil, que passará a dividir o programa por processos, e não por códigos estanques, não assusta o diretor. Isso porque, segundo ele, a Basf também sempre implantou o AR com visão de processo. Além disso, por ter sido das primeiras a passar pelas auditorias VerificAR em alguns de seus sites (São José dos Campos-SP, Guaratinguetá-SP e São Bernardo do Campo-SP), a empresa já caminha para transformar o programa em sistema de gestão, com melhoria contínua e controle auditado. Não custa lembrar que montadoras e outros clientes já aceitam o Atuação Responsável da Basf como substituto de normas ISO.

    Lado financeiro – Nesse conceito de melhoria contínua, a Basf pretende adotar nos próximos anos no Brasil, seguindo a implementação do código de gerenciamento de produto (o último a ser implantado por todas as empresas, por ser o mais complexo), as análises de ecoficiência. Ainda em fase de estudo no Brasil, mas com vários cases prontos na Europa, trata-se de ferramenta para analisar comparativamente produtos diversos, medindo aspectos ambientais não embutidos de forma direta no preço. “É uma mameira de você analisar custos como emissão de poluentes, consumo de energia, que encarecem o produto ao longo da cadeia, tornando-o mais ou menos competitivo”, explica Ern.

    O aspecto de custo, aliás, tende a ser cada vez mais levado em conta dentro do Atuação Responsável. Com seu compromisso de ser ferramenta para atender o desenvolvimento sustentável, este conceito que prega a boa conduta socioambiental como condição para o sucesso financeiro das corporações, o novo programa suscitará questionamentos relativos ao desempenho econômico. Isso fica mais claro ainda na diposição de torná-lo “trampolim” para o PNQ, que também analisa a gestão financeira dos concorrentes.

    “Embora na revisão não estejam contempladas práticas para melhorar a gestão de negócios financeiros, no final das contas toda a estratégia do novo Atuação Responsável será útil nesse aspecto”, afirmou o gerente de qualidade da Polibrasil e membro da comissão de qualidade da Abiquim (Qualiquim), Nelson Christianini.

    O gerente utiliza o exemplo da própria Polibrasil para explicar sua afirmação. Segundo ele, no recente financiamento de US$ 150 milhões conseguidos com o banco de desenvolvimento holandês (FMO) para construção de sua nova fábrica de polipropileno em Mauá-SP, o envolvimento da empresa na gestão socioambiental foi fundamental para obtenção do recurso. “Esses bancos só emprestam para grupos com ‘atuação responsável’ comprovada”, testemunha Christianini. Talvez esteja aí o principal motivo para a indústria química aderir de vez ao Atuação Responsável.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *