Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Atuação Responsável: Facilita gestão dos negócios químicos

Marcelo Furtado
30 de julho de 2004
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    Química e Derivados: Atuação: Rollo - novo AR atrai interesse das pequenas. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Rollo – novo AR atrai interesse das pequenas.

    Esse alinhamento das práticas do programa com as normas e com o PNQ, e no caso até com a inclusão de novos indicadores, como o Ethos de responsabilidade social, tornam o Atuação Responsável brasileiro único em todo o mundo. O ineditismo começa até a chamar a atenção de outros países.

    Já considerado um dos cinco mais avançados no Responsible Care, entre os 47 países signatários, o Brasil, com sua revisão, já atraiu o interesse de países latino-americanos. Mais especificamente, Chile, Equador, Venezuela e Peru, iniciantes no programa, pretendem homogeneizar suas implementações com o programa revisado do Brasil. “Esses países esperam nossos trabalhos terminarem para seguir o modelo de referência brasileiro”, ressalta Marcelo Kós.

    Indo um pouco mais longe, até mesmo os Estados Unidos, que recentemente reformaram seu programa para transformá-lo em um sistema de gestão auditável, o RCMS (Responsile Care Management System), e no RC-14001, que o combina com a norma ambiental, também já demonstraram interesse pelo modelo brasileiro. O diferencial do trabalho desenvolvido pela Abiquim tem sido o de manter as práticas do programa original, apenas reordenando-as e procurando as congruências com as diversas normas para evitar replicações.

    O alinhamento será possível porque o futuro AR vai ser dividido por subprocessos: cadeia de suprimento, produção, transporte e distribuição, comercialização, diálogo com as partes interessadas e P, D & I (pesquisa, desenvolvimento e inovação). Portanto, quando houver, por exemplo, uma prática de avaliação de risco, ela estará sendo indicada apenas uma vez para todos os processos, mas com explicações de implementação para cada um daquele onde precisará ser adotada. “Não haverá a possibilidade de encontrar uma prática, com outra roupagem, mas com o mesmo propósito, repetida em vários códigos ou normas”, explica Marcelo Kós.

    Com a nova estrutura, o Brasil dá continuidade a sua posição atual de vanguarda. Muito além de simples ufanismo, isso se explica por fatos. Em primeiro lugar, o grau de implantação dos códigos entre as 150 signatárias nacionais é bastante alto, de 75% na média. Além do mais, várias são as empresas que já implantaram totalmente o programa, daí a demanda crescente por reformulações. Outro motivo de orgulho tupiniquim é o processo de verificação VerificAR estar em processo adiantado, com mais de 20 empresas auditadas e outras 20 com avaliação marcada. Esse sucesso significa muito, pois chega a criar um ciclo de melhoria contínua próximo dos exigidos em sistemas de gestão.

    Também conta muito a favor dos trabalhos em curso pelos associados da Abiquim a recente criação do conselho consultivo nacional, já funcionando e dando palpites na revisão. Formado por personalidades da sociedade brasileira, como os ex-ministros Paulo Renato Souza e Henrique Brandão Cavalcanti, ou ambientalistas, como Fábio Feldman e juristas como Edis Milaré, além de professores universitários e sindicalistas, o conselho se reunirá cerca de três vezes por ano para discutir o Atuação Responsável. Já em sua primeira reunião, em junho, o conselho conseguiu deliberar sobre pontos importantes e propôs a mudança da visão do programa. “Ela foi aceita pelo conselho diretor”, afirmou o coordenador executivo, Antonio Rollo.

    Química e Derivados: Atuação: Ern - Basf está preparada para a revisão mundial. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Ern – Basf está preparada para a revisão mundial.

    Revisão mundial – Outra prova incontestável do avanço brasileiro é saber que a revisão mundial em curso – por meio de encontros entre CEOs de várias grandes corporações e coordenada pela ICCA (associação internacional da indústria química) – não tem a abrangência da brasileira e ainda almeja pontos já conquistados no Brasil. Uma prova é ela visar, entre outros fatores, o aumento do e o estreitamento da relação da indústria com partes interessadas externas. Isso tem sido largamente feito no Brasil, por meio do conselho consultivo, da publicação dos relatórios com os indicadores de desempenho e através do VerificAR, só para ficar em alguns pontos.

    Também como meta da revisão mundial se destaca a necessidade de um compromentimento maior dos signatários com o chamado conceito do desenvolvimento sustentável, ampliando o leque do RC para além da saúde, segurança e meio ambiente. Não custa lembrar que a Abiquim, com sua revisão, e vários associados que adaptaram o AR a seus sistemas de gestão (não só a Polibrasil, mas também a Braskem, Politeno, Basf, entre outros), têm feito vários esforços para ampliar a estrutura do programa. Mais do que pretensão, como é o caso da postura do grupo de revisores mundiais, a meta de desenvolvimento sustentável está se transformando em algo factível no Brasil, tendo em vista a meta de alinhar o programa com o PNQ.

    Para entender melhor ainda as diferenças entre as duas revisões, basta conhecer recentes decisões do grupo responsável pelo trabalho global, denominado Global Strategic CEO Task Force, e que fundamentam esses trabalhos. A maior parte dessas decisões já foi contemplada de alguma forma pelo programa brasileiro, quer na versão atual ou na revisada a sair em breve. A Task Force (força tarefa, em português) definiu que o Responsible Care precisará ser adotado como sistema de gestão; ser certificado por auditoria independente; aumentar sua transparência para o público; publicar métricas (indicadores); fortalecer gerenciamento de produto; e incorporar expectativas das partes interessadas.



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