Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Artigo Técnico: Solvente – Antiestáticos evitam acidentes

Quimica e Derivados
17 de agosto de 2012
    -(reset)+


    A explosão inicial ocorreu após o supervisor de tancagem iniciar a trans­ferência do compartimento final de um caminhão-tanque contendo nafta VMP para um tanque de armazenagem com 57 mil litros, como ilustra a Figura 4.

    Química e Derivados, Tanque de nafta VMP da Barton Solvents, Solventes

    Figura 4 – Tanque de nafta VMP da Barton Solvents. Clique para ampliar.

    Os efeitos da explosão foram desas­trosos, causando incêndios em vários tanques próximos dele, além de pedaços de tanques, de válvulas e de tubulações terem sido arremessados contra a co­munidade local. O topo de um tanque colidiu com um trailer localizado a cerca de90 metrosde distância da planta industrial, e uma válvula de pressão a vá­cuo atingiu uma loja a aproximadamente120 mde distância, como ilustram as Figuras 5 e 6.

    Química e Derivados, Projétil do topo de um tanque, Solventes

    Figura 5 – Projétil do topo de um tanque que atingiu um trailer

    Química e Derivados, Projétil de uma válvula de pressão a vácuo, Solventes

    Figura 6 – Projétil de uma válvula de pressão a vácuo que atingiu uma loja

    O CSB atribuiu a uma conjunção de vários fatores a causa da explosão inicial:

    O topo do tanque continha uma mistura vapor-ar inflamável;

    Enchimento intermitente, ar na tubulação de transferência, sedimen­tos e água presentes dentro do tanque causaram um acúmulo de eletricidade estática no tanque de nafta VMP;

    O tanque possuía um sistema de medição do nível de líquido por meio de boia flutuante, que provavelmente criava uma centelha durante o enchimento;

    A Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos para a nafta VMP envolvida no acidente não comunicou adequadamente o risco de explosão.

    Preocupados com as consequências das graves explosões ocorridas em suas plantas industriais nas décadas de 80 e 90, os países pertencentes à União Europeia editaram a Diretiva 1999/92, também conhecida como Atex 137, que estabeleceu desde 1° de julho de 2003 os requisitos mínimos para a segurança e saúde dos trabalhadores expostos a ris­cos derivados de atmosferas explosivas, determinando a obrigatoriedade de os riscos de explosão estarem devidamen­te documentados pelos empregadores, bem como as medidas de controle adotadas nas unidades industriais. Neste contexto, a avaliação do risco de descar­gas eletrostáticas está contemplada em seu artigo 4.

    Aditivos antiestáticos – Os aditivos antiestáticos, quando adicionados aos solventes originais, aumentam a sua condutividade e, consequentemente, diminuem a possibilidade de descargas por faíscas, reduzindo o risco de incên­dios e/ou explosões.

    Esses aditivos são desenvolvidos à base de polímeros com proprieda­des intrinsecamente condutoras, que promovem facilmente a transferência iônica da carga elétrica ao longo de sua cadeia molecular. São empregados em diversos processos industriais, por exemplo, na fabricação de plásticos especiais, nos quais podemos citar os compostos glicerinados e os à base de amônio quaternário, que devem ser do­sados com cuidado para não prejudicar o desempenho do material aditivado.

    Com o propósito de minimizar os ris­cos de acidentes com a geração de cargas eletrostáticas em indústrias de tintas, a Petrobras Distribuidora S/A desenvol­veu sua linha de produtos “BR AE”, de solventes aditivados com antiestáticos: Aguarrás BR AE, Solbrax ECO 145/210 BR, AB-9 BR AE, SPB BR AE, Tolueno BR AE e Xileno BR AE.

    O Querosene de Aviação (QAV), comercializado pela Petrobras Distribuidora S/A, possui aditivo dissi­pador de cargas estáticas. Um procedi­mento interno estabelece os requisitos aplicáveis ao QAV-1.



    Recomendamos também:








    2 Comentários


    1. Roverto Capiva

      O artigo foi muito bem escrito. Parabéns à QD pela publicação. Dentre os autores, já conhecia trabalhos do eng. Estellito que haviam sido publicados na revista e agora vejo que temos mais colaboradores nesta área que envolve a segurança das instalações e usuários.


    2. Artigo muito instrutivo, que mostra os conceitos da eletricidade estatica e os riscos da mesma em plantas que processam inflamaveis. Parabens a revista Quimica e Derivados por divulgar este artigo que colabora para a segurança de nossas plantas quimicas, escrito de forma clara e objetiva.



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *