Alimentos e Bebidas

Aromas: Setor investe em novos sabores e cresce à razão de 5% ao ano

Renata Pachione
26 de março de 2004
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    Marcado por esse dinamismo, a liderança do mercado mundial de aromas e fragrâncias não privilegia nenhuma das companhias. As duas maiores empresas do setor mantêm acirrada a disputa. A diferença de market-share entre a Givaudan e IFF não chega a um ponto porcentual, segundo dados de 2002, fornecidos pelo Leffingwell & Associates. No ano passado, a Givaudan registrou vendas totais de US$ 2,1 bilhões. A divisão de aromas respondeu por US$ 1,2 bilhão. Enquanto a IFF totalizou em 2003 vendas da ordem de US$ 1,9 bilhão. Dados da Leffingwell & Associates dão conta de que em 2002 as dez maiores empresas do setor de aromas e fragrâncias totalizaram vendas aproximadas de mais de US$ 9 bilhões.

    Química e Derivados: Aromas: aroma_06. Crise segura – Atreladas ao mercado alimentício, de forma geral, as casas de aroma do País apresentaram retração, em alguns segmentos, ou simplesmente não cresceram no ano passado. O cenário negativo, no entanto, pouco reflete o potencial dessa indústria. Está sim ajustado ao baixo poder aquisitivo do brasileiro. “Precisamos corrigir as questões macroeconômicas, para avançar”, confirma Fiesch. Este seria o principal empecilho da indústria, pois, para ele, não há distorções sobre o alinhamento da tecnologia empregada no Brasil e no exterior. Por conta desta constatação, outra tendência se instala no País: a supremacia dos aromas idênticos aos naturais, frente aos naturais. Apesar de toda a sociedade se voltar para o consumo de produtos de origem animal ou vegetal, os aromas naturais são mais caros, dando vazão ao maior consumo dos idênticos ao natural.

    Na opinião de Galano, quando há decréscimos no poder de compra, a influência direta se dá no consumo de produtos processados. “Em época de crise, o consumidor opta por alimentos de primeiro gênero, como arroz e feijão, evitando os industrializados”, analisa. Inaba observa neste cenário uma outra função para o setor. Para ele, a casa de aroma pode auxiliar a indústria de alimentos a atenuar o impacto negativo desse comportamento do consumidor. “Uma tendência neste momento da economia é ajudar o cliente a desenvolver produtos de baixo custo”, comenta. Para se ter uma idéia do potencial do mercado nacional, vale destacar o tamanho do negócio, em nível mundial. Segundo informação divulgada pela VittaFlavor, o setor de aromas e fragrâncias movimentou US$ 15,1 bilhões em 2002. No País, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Essenciais, Produtos Químicos Aromáticos, Fragrâncias, Aromas e Afins (Abifra), no mesmo período, o mercado foi avaliado em US$ 295 milhões.

    Conheça as famílias dos aromas

    Segundo definição contida na resolução de número 104, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aromas, ou aromatizantes, são substâncias ou misturas de substâncias com propriedade odorífera e/ou sápida (com sabor), capazes de conferir ou intensificar sabor aos alimentos. Excluem-se da definição os produtos que conferem exclusivamente sabor doce, salgado ou ácido, bem como as substâncias alimentícias, ou produtos normalmente consumidos como tal, com ou sem reconstituição.

    Com base na sua origem, classificam-se os aromas como naturais e sintéticos, mas há ainda outros tipos especiais, como os de reação ou transformação e os de fumaça. Todos eles, em consonância com as definições oficiais da Anvisa, terão suas conceituações e principais grupos explicados a seguir:

    Aromas Naturais

    São obtidos exclusivamente mediante métodos físicos, microbiológicos ou enzimáticos, a partir de matérias-primas naturais. Entenda-se por isso os produtos de origem animal ou vegetal normalmente utilizados na alimentação humana, que contenham substâncias odoríferas e/ou sápidas, seja em seu estado natural ou após um tratamento adequado, como torrefação e fermentação, entre outros. Os aromas naturais são subdivididos em:

    Óleos essenciais – São produtos voláteis de origem vegetal obtidos por processo físico. Podem se apresentar isoladamente ou misturados entre si, retificados, desterpenados ou concentrados. Entende-se por retificados os produtos que tenham sido submetidos a processo de destilação fracionada para concentrar determinados componentes; por desterpenados, aqueles que tenham sido submetidos a processo de desterpenação; e por concentrados, os que tenham sido parcialmente desterpenados.

    Extratos – São obtidos por esgotamento a frio ou a quente de produtos de origem animal ou vegetal com solventes permitidos, que posteriormente podem ser eliminados ou não. Os extratos devem conter os princípios sápidos aromáticos voláteis e fixos correspondentes ao respectivo produto natural.

    Bálsamos, oleorresinas e oleogomarresinas – São produtos obtidos mediante a exudação livre ou provocada de determinadas espécies vegetais

    Isolados – São substâncias quimicamente definidas, obtidas por processos físicos, microbiológicos ou enzimáticos adequados, a partir de matérias-primas aromatizantes naturais ou de aromatizantes/aromas naturais. Os sais de substâncias naturais com os seguintes cátions: H+, Na+, K+, Ca++ e Fe+++ e ânions: Cl-, SO4—, CO3— se classificam como aromatizantes/aromas naturais.



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    Um Comentário


    1. Giovana de Santana Bessa

      Texto super bem construído! Adorei o conhecimento que consegui obter!



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