Alimentos e Bebidas

Aromas: Setor investe em novos sabores e cresce à razão de 5% ao ano

Renata Pachione
26 de março de 2004
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    Química e Derivados: Aromas: aroma_03.Nem a água, famosa por reunir a tríade: incolor, inodora e insípida, sai ilesa do apelo promovido pelo aroma. A partir da idéia de gerar a sensação de bem-estar à bebida, esta teve incorporado à sua formulação um toque peculiar ao dos sucos cítricos naturais, como laranja e lima. Na avaliação da Ottens Flavors, o mote de bem-estar também reflete o avanço das bebidas com aspectos funcionais, combinações entre a água mineral ou sucos e ingredientes estimulantes, como ginseng, taurina e vitamina B. Para Slikta, o conceito traduz, em parte, o ritmo da indústria de bebidas. Ele baseia a afirmação no mercado norte-americano. De acordo com a Beverage Marketing Corporation, o volume de bebidas energéticas nos Estados Unidos cresceu mais de 100% em 2001.

    Responsável por cerca de 30% de todo o setor, o segmento de bebidas tem sustentado as vendas das casas de aroma, sobretudo em época de crise econômica. “Nos últimos dez anos esse mercado cresceu muito, impactando de forma positiva o nosso setor”, comenta Martinez. Daniela aponta o segmento como atraente oportunidade para a indústria, por conta da diversificação da categoria. “Temos muitas opções, não só os carbonatados, mas chás, sucos e bebidas lácteas. Um leque amplo a ser explorado pelo setor”, explica.

    Globalização de sabores – Cada vez mais próximo ao cliente, o fabricante de aroma tem assumido uma posição pró-ativa, com a apresentação de conceitos e novos produtos. Confirmando essa idéia, está um dos mais recentes projetos da Danisco, destinado ao mercado de sorvetes. Trata-se do Escape, um princípio a partir do qual a empresa fabrica aromas para sorvetes, de acordo com as particularidades de regiões específicas. “Há um sabor característico para determinados países. Temos o sorvete do México e da Indonésia, por exemplo”, comenta Daniela. De forma geral, os representantes das casas de aroma concordam: conhecer as particularidades da cultura local de onde querem se estabelecer é condição para a sobrevivência neste mercado. Com sede em Jaraguá do Sul – SC, a Duas Rodas tem adotado essa postura para manter seu market-share. A empresa se coloca como uma das maiores produtoras de ingredientes para a indústria de alimentos da América Latina e líder nos segmentos de aromas e produtos para sorvetes no Brasil. E não é à toa. Adotou como estratégia a expansão do negócio junto aos mercados onde quer atuar. Em 1996, montou a unidade de negócios de Rosário, na Argentina, incluindo rede de assistência técnica local. Um ano depois foi inaugurada a unidade industrial de Santiago, no Chile, e em 2000 adquiriu a de Palma, em Buenos Aires, Argentina. No ano passado, a Duas Rodas investiu R$ 15 milhões na construção de sua nova fábrica, em Estância, Sergipe.

    A Givaudan desenvolveu um programa de inspeção científica para mapear as comidas típicas de cozinhas de todo o mundo. O projeto já abarcou países da Europa, Ásia e América Latina, entre outros. Trata-se do Taste Trek, uma espécie de expedição de cientistas pesquisadores, cuja missão é descobrir novos aromas. No ano passado, eles vieram ao Brasil, onde investigaram as moléculas de alguns pratos típicos do Nordeste e do Sul, além das frutas tropicais. A tentativa de recriar em laboratório os sabores de cada país rendeu experiências locais interessantes. No caso do Brasil, a companhia captou os aromas de feijoada, moqueca de peixe e frango de padaria (conhecido, popularmente, como frango de televisão de cachorro), só para citar alguns exemplos. Esses estão disponíveis para a produção dos salgados das indústrias de alimentos, como os snacks. Em linhas gerais, em campo, os cientistas captam os aromas e os levam ao laboratório, onde decifram as moléculas que os compõem, para dessa forma, reconstituir seu buquê. “Podemos promover sabores latinos lá fora”, afirma Galano. Na avaliação dele, essa integração entre os continentes é uma tendência de globalização do sabor.

    Química e Derivados: Aromas: aroma_05. A diversidade brasileira é um dos principais trunfos da indústria para os próximos anos. As frutas tropicais sempre geraram grande interesse, sobretudo internacional. Por conta dessa atração, a VittaFlavor, empresa de capital 100% nacional, fundada há dez anos, ressalta a criação de um laboratório específico para pesquisas desse gênero. O local designa-se aos estudos dos componentes voláteis responsáveis pelos sabores das frutas tropicais brasileiras. Com o foco neste nicho de mercado, a empresa busca ir além das fronteiras e conquistar o paladar estrangeiro. Esse trabalho começa com a instalação de duas filiais no exterior: no México e na Argentina.

    Somando forças – O setor pode ser definido como de alta tecnologia e especialização, mas também se baseia em importantes transações financeiras. “Em termos de mercado, as muitas fusões e aquisições das principais empresas internacionais do ramo podem ser apontadas como uma mudança de destaque do setor”, avalia Inaba. Nos últimos anos, esse posicionamento deu o tom nas negociações entre as casas de aroma. Para a Danisco, essa tendência trata-se de uma estratégia de mercado.

    A partir do objetivo de estar entre as cinco maiores empresas do segmento, a Danisco, desde 1997, soma, ano a ano, aquisições de casas de aroma espalhadas pelo mundo. Começou com a inglesa Borthwicks; em 1998, adquiriu a norte-americana Beck Flavors e no ano seguinte, a Cultor Food Science (Flavouring AB, da Suécia; Flavour Tech. Corp, dos Estados Unidos, e a Calchauvet, da França). As compras mais recentes dão conta da Florida Flavors, dos Estados Unidos, em 2001, e da Perlarom, da Bélgica, em 2002. Esta última se refletiu no fortalecimento da linha de salgados da marca. Para alavancar sua participação também no ramo de salgados, a Givaudan, em maio de 2002, adquiriu o segmento de aromas da Nestlé, Food Ingredients Specialities (FIS). Nos últimos 30 anos, a FIS alcançara uma posição de excelência em aromas culinários pela dedicação ao desenvolvimento de produtos aromáticos para alimentos, como sopas, molhos e pratos preparados. No mesmo ano de 2002, a Symrise adquiriu as companhias alemãs Dragoco e Haarmann & Reimer.



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    Um Comentário


    1. Giovana de Santana Bessa

      Texto super bem construído! Adorei o conhecimento que consegui obter!



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