Aromas e Fragrâncias – Investimentos seguem aumento da demanda e sua diversificação

química e derivados, aromas e fragrâncias, investimentosUma conjugação de fatores confere ritmo bastante acentuado à evolução dos negócios da indústria de aromas e fragrâncias instalada no Brasil. Há, inicialmente, o reflexo direto da ampliação da capacidade de consumo das camadas sociais de menor renda na demanda por artigos de beleza, higiene pessoal e limpeza – nos quais as fragrâncias constituem ingredientes fundamentais –, e alimentos industrializados, que se valem dos aromas para obter os diferenciais básicos do odor e do sabor.

Mas essa indústria se beneficia também da crescente diversificação – facilmente perceptível nas gôndolas de qualquer supermercado –, das categorias integrantes desses setores. Cada nova versão de um alimento ou de um produto de higiene e limpeza pode exigir uma nova fragrância ou aroma. É favorecida, ainda, pelo apego do público brasileiro por determinados artigos, como os produtos de beleza.

Essa conjuntura favorável, associada a indicadores de continuidade, gera elevados investimentos no fortalecimento qualitativo e quantitativo dos portfólios com os quais disputam mercado os fabricantes de aromas e fragrâncias presentes no Brasil (geralmente multinacionais, que trazem de outros países boa parte de suas matérias-primas e aqui realizam a sua combinação).

A Symrise, de origem alemã, mantém atualmente um processo de transferência da produção de sua linha de aromas para uma fábrica construída no município paulista de Sorocaba (antes, a produção dessa empresa se concentrava na cidade de São Paulo). Até o final deste ano, conta Walter Ribeiro, presidente da unidade de flavours & nutrition da Symrise na América Latina, todos os aromas da empresa terão como origem a nova fábrica.

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    Segundo ele, a nova planta triplica a capacidade anterior de produção de aromas da Symrise. “E, em 2012, inauguraremos em Cotia-SP nosso novo centro regional de inovação: ele atenderá toda a América Latina”, adianta Ribeiro. Segundo ele, a Symrise registrou no ano passado crescimento de 13% nos negócios em âmbito global com aromas.

    No segmento das fragrâncias, o crescimento da empresa foi ainda maior: atingiu 17%, destaca Ricardo Omori, diretor da divisão scent & care da Symrise Brasil. “E, comparativamente aos índices globais, no Brasil os números de crescimento são mais fortes”, ressalta.

    De acordo com Omori, em junho do próximo ano também as fragrâncias da Symrise começarão a ser produzidas na fábrica de Sorocaba. “Em um prazo de três anos, a empresa está investindo R$ 100 milhões no projeto dessa nova fábrica. Isso prova sua crença na continuidade do crescimento do mercado brasileiro”, observa.

    Outra fábrica brasileira para produção de aromas e fragrâncias foi inaugurada em junho último, em Vinhedo-SP, pela Takasago. Com 9 mil m² de área construída e área total de 45 mil m², a nova planta começou produzindo aromas, e a partir de agosto originará também as fragrâncias da empresa. “No confronto com outros mercados, o brasileiro atualmente se destaca em termos de crescimento e oportunidades, particularmente no segmento de fragrâncias, embora também na área de aromas registre uma taxa de crescimento diferenciada, quando comparada com outros mercados”, justifica José Pedro Anselmo, presidente da Takasago.

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    Silva: investimentos em estrutura física e na ampliação das equipes

    Pensando longe – Parece fácil justificar esse movimento de expansão e renovação do parque brasileiro de produção de aromas e fragrâncias. Afinal, como afirma Edson Silva, gerente geral da operação nacional da Firmenich, nos últimos anos esse mercado cresce no Brasil a taxas anuais que superam algo entre 1,5 e duas vezes a taxa de expansão do PIB nacional.

    Multinacional de origem suíça com faturamento global de aproximadamente 3 bilhões de francos suíços por ano, a Firmenich disponibiliza, além de aromas e fragrâncias, também algumas de suas matérias-primas. Atualmente, diz Silva, “o maior negócio da empresa corresponde à divisão de fragrâncias, mas o mercado de aromas apresenta crescimento bastante significativo”.

    Também em busca de se fortalecer nesse mercado, há cerca de dois anos e meio, a Firmenich inaugurou nas proximidades de sua fábrica, em Cotia, um novo Centro de Desenvolvimento Criativo e, há aproximadamente seis meses, inaugurou um laboratório de controle. Também adquiriu, nas proximidades de sua fábrica, uma área de 110 mil m², onde, caso deseje, poderá montar estruturas destinadas a ampliar de maneira bastante significativa sua atual capacidade de produção.

    Também de origem suíça, a Givaudan – maior provedora mundial de fragrâncias e aromas – trabalha para ampliar a estrutura de sua atual planta produtiva, localizada na capital paulista. Ali, até há pouco tempo, as operações estavam centralizadas em um único edifício, mas em meados do ano passado a produção de fragrâncias foi transferida para um novo prédio. “Agora estamos duplicando nossa área de laboratórios e preparando um prédio apenas para os serviços gerais”, conta Mauro Patrus, diretor comercial de aromas da Givaudan, “O primeiro prédio abrigará apenas a produção de aromas”, ele acrescenta.

    Segundo ele, nos últimos três anos os negócios da Givaudan no Brasil – no segmento dos aromas – apresentam expansões anuais situadas na faixa que varia entre 15% e 20%. Aqui, ele conta, a empresa atende com aromas algo entre 120 e 150 clientes – nesse grupo estão desde os principais fabricantes de alimentos instalados no país até aqueles de porte menor.

    Mais perfumado e saudável – A crescente significância do mercado brasileiro para os provedores de fragrâncias e aromas se manifesta de maneira bastante concreta em determinadas categorias de produtos. É o caso da perfumaria fina, composta pelos chamados produtos ‘alcoólicos’, como colônias e desodorantes. Com uma movimentação de quase US$ 6,3 bilhões, o Brasil, conta Lúcia Lisboa, responsável pelas vendas de produtos de perfumaria fina na América Latina da Givaudan, tornou-se em 2010 o maior mercado mundial dessa categoria (superando os Estados Unidos).

    Na Givaudan, a perfumaria fina responde por aproximadamente 35% dos negócios com fragrâncias; o restante vem dos chamados “produtos de consumo”, entre os quais a empresa inclui artigos para cuidados com o corpo, a roupa e a casa. Segundo Lúcia, contribuíram para a consolidação do Brasil no posto de líder mundial desse mercado a desvalorização do real diante do dólar e a conjuntura de crise na economia norte-americana. “Mas o brasileiro também gosta muito de se perfumar. E se antes ele compartilhava os produtos de perfumaria fina com outras pessoas, hoje esse uso é mais individualizado”, salienta.

    A Givaudan, destaca Lúcia, mantém um programa denominado Innovative Naturals, focado na identificação de fontes naturais de matérias-primas para a indústria de fragrâncias e no seu posterior manejo sustentável. “Esse programa abrange, por exemplo, as comunidades que trabalham com cumaru – também chamada de fava tonka –, planta nativa da Amazônia venezuelana”, especifica.

    Essa mesma empresa desenvolve também o programa global TasteSolutions, com o objetivo de desenvolver moléculas destinadas ao atendimento das atuais demandas da indústria de alimentos. Entre essas tendências, destaca-se a busca por alimentos mais saudáveis, nos quais é necessário não apenas reduzir ingredientes como açúcar e sal, mas também mascarar sabores possivelmente desagradáveis, e manter intactas outras características (como o chamado “corpo do produto”). Tal programa, afirma Mauro Patrus, estuda os próprios receptores de sabor nos seres humanos – as papilas gustativas –, e já gerou mais de oitenta patentes. “É a nova fronteira da indústria de aromas”, enfatiza.

    Já a Symrise, informa Ribeiro, acrescentou ao conjunto das três divisões com as quais tradicionalmente trabalhava seus aromas – bebidas, doces e salgados – um quarto integrante: a divisão consumer health, dedicada a encontrar ingredientes mais adequados às novas necessidades nutricionais e à demanda por produtos mais saudáveis.

    No Brasil, prossegue Ribeiro, já é possível observar o início de um movimento, ainda mais forte na Europa: a ampliação do interesse por aromas naturais, ou produzidos por meio de processos que não retiram as propriedades naturais das respectivas fontes, como a fermentação. A Symrise disponibiliza diversos aromas obtidos pela via natural, entre eles aromas de morango, de queijo e cítricos. “Aliás, o centro global de produção de aromas cítricos da Symrise está hoje instalado no Brasil”, destaca Ribeiro.

    Química com marketing – A ampliação do espaço dedicado às fontes naturais renováveis para a produção de aromas e fragrâncias pode ser, crê Silva, da Firmenich, interessante para o Brasil, país onde a biodiversidade é extremamente rica. A própria Firmenich, em algumas demandas específicas, utiliza insumos provenientes da biodiversidade brasileira; casos, por exemplo, dos frutos amazônicos açaí e copaíba.

    Atualmente, questões relacionadas a custos e escala de produção ainda relegam as fontes naturais renováveis e as colocam em uma posição quantitativa minoritária no conjunto de provedores de ingredientes para a indústria de aromas e fragrâncias. Porém, como pondera Silva, sustentabilidade não significa apenas uso de insumos naturais: é conceito também intrinsecamente vinculado ao processo de produção. “A operação brasileira da Firmenich recebeu, há aproximadamente um ano e meio, a certificação ISO 14001, que atesta a sustentabilidade de seus processos e produtos”, disse.

    Em decorrência da expansão de seus negócios no mercado brasileiro, a Firmenich, como relata Silva, vem ampliando sua equipe de colaboradores em taxas médias anuais de 5% a 6%. “Essa equipe tem atualmente cerca de 360 pessoas, e deve encerrar o ano com aproximadamente 380”, destaca.

    Além de ampliar equipes, fabricantes de aromas e fragrâncias devem hoje também combinar pesquisas científicas e tecnológicas com informações tradicionalmente associadas ao marketing, entre elas, os interesses e as demandas provenientes dos consumidores dos produtos de seus clientes. “Não dá mais para desenvolver produtos sem validar o cheiro com o consumidor, valendo-se apenas das opiniões e da preferência do representante do cliente”, argumenta Ricardo Omori, da Symrise. “Temos em nossa empresa uma área grande de consumer marketing insights, destinada justamente a essa avaliação”, acrescenta.

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    Patrus: aroma precisa evocar a sensação de prazer

    A Givaudan, diz Lúcia Lisboa, também concede muita atenção às informações provenientes dos usuários finais dos produtos. Assim descobriu, por exemplo, que no Brasil 50% dos consumidores escolhem perfumes pensando em sedução, 25% os usam para mostrar poder, 14% querem se sentir bem, e 11% não têm grande envolvimento com esses produtos, embora possam usá-los eventualmente.

    Lúcia crê haver ainda, no Brasil, amplo espaço para o desenvolvimento dos negócios dos provedores de fragrâncias, não apenas pelo crescente poder de consumo das camadas sociais de menor renda, mas também pela existência de segmentos passíveis de exploração muito mais intensa: “Os homens, por exemplo, ainda respondem por apenas 30% dos negócios com perfumaria”, aponta.

    Colega de Lúcia na Givaudan, Mauro Patrus vê potencial de desenvolvimento também no segmento dos aromas. Ele coloca, na base do processo de aproveitamento desse potencial, o atendimento de um conjunto de novas demandas no qual o aspecto saudável é apenas um dos vetores.

    Há também, complementa Patrus, o interesse do consumidor em uma “volta ao passado”, na qual ele possa resgatar sabores antigos, associados a outras regiões ou à infância; a crescente individualidade, que exige sabores para interesses cada dia mais específicos; e a busca por produtos com limites de sensações muito grandes, ou inusitadas (por exemplo, muito quentes ou muito frias).

    Finalmente, é preciso atender também a uma demanda capaz de, em certa medida, até se contrapor ao apelo dos alimentos mais saudáveis: “O consumidor quer também prazer, deseja – mesmo em porções menores, ou em menos ocasiões – ser indulgente consigo mesmo”, enfatiza Patrus.

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