Apoio especializado facilita importações e exportações

As importações e exportações de produtos químicos requerem conhecimentos especializados para serem concluídas com êxito, ou seja, levar a mercadoria ao lugar combinado, no prazo certo e com um custo adequado ao produto e ao cliente.

Com exceção dos players de porte mundial, que possuem departamentos internos para isso, o setor químico recorre a prestadores de serviços para realizar essas operações.

Os operadores logísticos internacionais, com serviços abrangentes, capazes de levar ou trazer cargas de ou para qualquer lugar do mundo, cuidando de todos os problemas que surjam, recebem a denominação de freight forwarders.

Há empresas químicas que possuem algum tipo de estrutura operacional na área e requerem apenas partes dos serviços, em caráter complementar.

Na maioria dos casos, as empresas do ramo químico desenvolvem relacionamentos de longo prazo com esses serviços e apoio.

Isso se explica pela complexidade da documentação exigida para o transporte e posterior desembaraço no destino, sem deixar de lado as legislações sobre embalagens de produtos, que podem variar entre as duas pontas do percurso.

A confiabilidade entre as partes é essencial.

“Onde há um problema, há uma oportunidade de negócio”, avalia Klaus Steinhoff, diretor-gerente da Windlogistics, profissional com mais de 23 anos de experiência em comércio internacional.

A empresa está preparada para realizar todas as operações necessárias para trazer ou enviar produtos químicos, até mesmo no sistema porta a porta, assumindo a responsabilidade pelo serviço completo.

Isso inclui o despacho aduaneiro, contratação de transportes em pernas terrestres, marítimas ou aéreas, acompanhamento da carga, chegando a ponto de orientar o cliente sobre o melhor momento para “fechar o câmbio”, ou seja, contratar a conversão de moeda com órgãos oficiais.

A Wind lida com a média de mil contêineres por mês, dos quais entre 10% e 15% contêm cargas químicas. Durante as operações contratadas, os clientes recebem relatórios sobre o andamento, com freqüência de envio e detalhamento a combinar.

No próximo ano, com a mudança do sistema de informatização, os clientes terão acesso on-line às informações referentes aos seus contratos.

A CBF Cargo, empresa formada há quatro anos por profissionais egressos de indústrias químicas, nas quais atuavam em departamentos de comércio exterior, concentra seus esforços nas linhas químicas, dos itens menos perigosos até os infl amáveis.

“A maioria dos clientes está conosco desde a fundação da empresa, que iniciou seus trabalhos com a importação de fragrâncias”, comentou Renata Bernal, gerente-geral da CBF Cargo.

A CBF direcionou seu foco para carga seca (em contêineres fechados ou carga solta, para consolidação) e líquidos em isotanques, usando os modais marítimo e aeronáutico.

Química e Derivados, Augusto Ferraiol, executivo de vendas, Apoio especializado facilita importações e exportações
Augusto Ferraiol: embalagem precisa ser homologada

“Trazemos também muitas amostras de produtos líquidos da China”, comentou Augusto Ferraiol, executivo de vendas.

Ele salientou a necessidade de conhecer a fundo os produtos transportados, principalmente na consolidação de cargas.

“Estamos começando a consolidar cargas químicas por meio de um agente na Região Sul e de um representante nosso na Itália”, comentou Steinhoff.

Nesse caso, a Wind assegura que nenhuma informação de um cliente venha a ser conhecida por outro, ainda que as remessas sejam feitas no mesmo contêiner.

No entanto, ele considera a consolidação como uma operação crítica, especialmente quanto ao desembaraço aduaneiro.

Caso um produto dentro de um contêiner esteja com a documentação incorreta, todas as outras mercadorias ficarão retidas e pagarão pela estadia.

“Às vezes é melhor trazer um contêiner meio vazio do que correr esse risco”, avaliou.

O relacionamento com os armadores constitui um capítulo à parte nas complexidades dos negócios internacionais.

“Eles mudam o transit time mesmo depois de aceitar as reservas de transporte”, comentou o diretor.

“E quando um navio atrasa, não cabe nenhum tipo de indenização, eles só mandam o aviso de atraso ou mudança de porto de descarga”, lamentou.

Isso pode gerar insatisfações com clientes, embora a Wind os avise previamente dessa possibilidade.

Outro detalhe: os armadores atuam com uma taxa de conversão de moedas diferente das tabelas oficiais, acertada ao final do transporte.

O maior problema do transporte marítimo internacional tem sido a baixa freqüência de navios que vêm ao Brasil.

E quase todos estão lotados.

Além disso, as filas dos caminhões para carregar e descarregar nos portos representam atrasos, que são cobrados pelos transportadores.

A falta de espaço na região portuária também exige a retirada rápida dos contêineres, levando mais caminhões ao local, engrossando as filas, segundo Steinhoff.

Química e Derivados, Klaus Steinhoff, diretor-gerente da Windlogistics, Apoio especializado facilita importações e exportações
Klaus Steinhoff oferece modalidade porta a porta

“Em média, 90% das nossas cargas são levadas imediatamente para entrepostos aduaneiros fora da zona primária portuária”, afirmou.

Embora isso represente uma perna rodoviária a mais, ele justifica a operação pelo melhor atendimento e pelo menor custo de estadia nessas instalações.

A zona primária, por exemplo, cobra uma porcentagem do valor CIF da nota pela estadia, valor que dobra a cada cinco dias de permanência.

Os incentivos fiscais estaduais estão sendo restringidos.

“Em Vitória-ES, para aproveitar o Fundap (Fundo de Desenvolvimento da Atividade Portuária, incentivo estadual que transfere para o momento da venda da mercadoria o recolhimento do ICMS), é preciso desembaraçar lá a mercadoria e ainda se corre o risco de a fiscalização estadual paulista cobrar o ICMS, anulando o benefício”, comentou Steinhoff.

Além disso, a estrada entre Vitória e São Paulo é perigosa.

“Os clientes preferem receber os produtos por Santos, embora alguns usem Vitória e também os portos de Santa Catarina, que começaram a reduzir o ICMS de 18% para 12%, com pagamento diferido”, afirmou Ferraiol, da CBF Cargo.

No transporte aéreo, o destino costuma ser o Aeroporto de Viracopos, na região de Campinas-SP, pois o de Guarulhos-SP está sobrecarregado.

“Faltam vôos de carga mais freqüentes para a América Latina”, reclamou.

No transporte marítimo, geralmente os operadores apresentam três orçamentos, com fretes de primeira, segunda e terceira linha, com variações de duração da viagem (transit time), qualidade e confiabilidade do serviço.

“Um operador de primeira linha é mais exigente em aspectos como qualidade do contêiner ou da embalagem dos produtos”, comentou Ferraiol.

Ele recomenda atenção com as normas de embalagem de produtos no destino.

“Caso a embalagem seja considerada inadequada, pode haver a devolução da mercadoria”, disse. A CBF oferece apoio para tentar homologar a embalagem no local.

Ambas as companhias alertam para o fato de, mesmo com a documentação em ordem, produtos químicos poderem ter seu embarque recusado em navios e aviões a critério dos comandantes, cuja decisão é soberana. “Nesse caso, é preciso esperar por outra nave”, explicou Ferraiol.

A equipe da empresa passa por curso de transporte de cargas perigosas e recebe treinamento com normas internacionais da agência internacional de aviação (Iata). Para a contratação de pernas rodoviárias no Brasil é exigida a certificação Sassmaq do transportador.

“Fazemos entregas na Argentina, Uruguai e Chile, geralmente aproveitando fretes de retorno de empresas desses países que têm um fluxo regular de mercadorias para cá”, informou. Também a cabotagem até Buenos Aires é muito solicitada.

A Wind atua com produtos químicos e farmacêuticos, empregando técnicos formados em transporte internacional com fluência em idiomas estrangeiros.

“Cada profissional passa por todos os departamentos da empresa para ter uma visão mais abrangente das atividades”, explicou Steinhoff.

Ele conta com representantes e agentes em todos os portos mundiais, além de contar com uma sala própria com equipe experiente no Aeroporto de Guarulhos, para agilizar operações e resolver problemas.

“Temos despachantes aduaneiros próprios em algumas localidades e acordos firmados com outros especialistas em outros pontos”, comentou.

Reflexos econômicos – A turbulência econômica atual se reflete nas negociações internacionais.

Química e Derivados, Renata Bernal, gerente-geral da CBF Cargo, Apoio especializado facilita importações e exportações
Renata Bernal: crise reduz preço do frete marítimo

“Está havendo redução de volumes para exportação e importação, e os armadores já estão reduzindo o preço dos fretes entre China e Brasil”, informou Renata Bernal.

Embora considere o ramo químico e farmacêutico menos suscetível a variações abruptas de demanda, Steinhoff aponta uma retração no comércio internacional ocorrida em setembro.

“A primeira semana da crise foi parada, mas com o tempo o fluxo está sendo recomposto”, comentou.

No caso do Brasil, ele sente que a variação de pedidos foi mais ligada à expectativa de flutuações cambiais.

A rápida valorização do dólar no último mês fez com que alguns clientes deixassem de retirar seus produtos nos portos, apostando em uma acomodação cambial.

“Essa aposta pode custar caro, porque os contêineres têm uma demurrage de US$ 80 a US$ 90 por dia”, disse

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