Aos 90 anos, o Sinproquim se reinventa

O fim da contribuição sindical compulsória em 2019 e as restrições impostas pela pandemia de covid-19, a partir de 2020, levaram o Sinproquim, entidade que representa a indústria química paulista, a estabelecer um arrojado plano de ação para garantir a continuidade das atividades no atendimento às demandas das empresas químicas, principalmente as de pequeno e médio porte, associadas ou não à entidade.

“Foi um grande desafio. Ao mesmo tempo em que cresciam as solicitações das empresas e a necessidade de atuação do Sinproquim nas negociações com os sindicatos dos trabalhadores, decorrente das medidas adotadas para o enfrentamento da pandemia, e na esfera pública, devido às dificuldades enfrentadas pelo setor em virtude da redução da atividade econômica, a receita da entidade sofria o risco de uma forte queda com o término da contribuição sindical”, afirma Renato Endres, diretor-executivo do Sinproquim.

Ele destaca que a grande maioria das empresas, contudo, mostrou-se ciente da importante contribuição do sindicato para o fortalecimento do setor e tem mantido o apoio à entidade e às ações empreendidas.

Há uma forte preocupação dos dirigentes sindicais, tanto patronais como de trabalhadores, com o atual cenário econômico e social.

A crescente dependência externa do País por matérias-primas químicas e mesmo por produtos formulados – muitos dos quais são ou eram fabricados localmente, além dos altos custos da energia e do confuso sistema tributário – ameaça as atividades e a própria sobrevivência de empresas, principalmente as de pequeno e médio portes, segmento que tem especial importância em cadeias de produção longas, como é a indústria química.

Nelson Pereira dos Reis, presidente do Sinproquim e vice-presidente da Fiesp, tem alertado o governo sobre o risco de uma elevada dependência de fornecedores externos.

Química e Derivados - Aos 90 anos, o Sinproquim se reinventa ©QD Foto: iStockphoto
Reis: país não pode depender tanto de insumos importados

“Um país como o Brasil, que tem no agronegócio um dos motores da economia, não pode prescindir de fontes internas de abastecimento de produtos essenciais à atividade para a eventualidade de ocorrer um problema externo que dificulte o fluxo de mercadorias para cá”.

Segundo ele, não se trata de buscar a autossuficiência em tudo, mas encontrar um equilíbrio estratégico para reduzir o risco de interrupções, ainda que temporárias, no fornecimento de produtos considerados essenciais.

“O recente caso da falta de chips para o setor automotivo, o que tem levado a paradas na produção, ilustra bem esse problema”, ressalta Reis.

Um exemplo na área química é a crescente dependência externa do Brasil de ureia, apesar da disponibilidade de gás natural para a produção desse fertilizante que tem larga aplicação na agricultura.

Somente de janeiro a maio deste ano, o Brasil importou mais de 7 milhões de toneladas de ureia. Para Reis, há alternativas para alavancar a produção local de fertilizantes e até mesmo de defensivos agrícolas.

“É muito importante e estratégico fortalecer a cadeia da indústria química, um setor básico para a economia, fornecedora de produtos para todas as atividades. O Sinproquim trabalha nesse sentido, buscando sensibilizar as autoridades e a própria sociedade sobre a contribuição do setor para o desenvolvimento econômico e social”, ressalta.

Na opinião de Renato Endres, é muito importante difundir para o público, formadores de opinião e também para os membros do Executivo e do Legislativo as características de atuação e importância da indústria química.

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Endres: público desconhece importância do setor químico

“Muitas pessoas não sabem, por exemplo, que a energia elétrica é um insumo básico para a produção de cloro e soda, produtos essenciais em vários processos químicos, inclusive para a fabricação de PVC. Um aumento expressivo nas tarifas ou a falta de energia podem comprometer a produção de cloro e soda, o que carreará custos para vários produtos, trazendo até mesmo o risco de comprometimento ou de aumento dos gastos, para ficar apenas no caso do PVC, das metas do Plano Nacional de Saneamento Básico”, adverte.

Uma das prioridades da atual gestão do Sinproquim é o fortalecimento da comunicação, área considerada estratégica.

O site da entidade foi modernizado e incorporou novas ferramentas, tornando-se responsivo, com o tamanho das páginas se adaptando às telas dos diferentes dispositivos, como celulares e tablets.

O boletim Lin-Q, editado pelo Sinproquim, é distribuído semanalmente com informações sobre mudanças na legislação, projetos em discussão, negociações com sindicatos, eventos, cursos e ações da entidade, entre outros temas de interesse do setor.

O Sinproquim também produz o Info-Q, com dados estatísticos sobre as importações e exportações paulistas de produtos químicos de uso industrial, e tem realizado eventos on-line, por causa das restrições impostas pela pandemia, difundindo conhecimento e debatendo temas relacionados à indústria química.

As associadas da entidade contam ainda com serviços de assessoria nas áreas de assuntos trabalhistas e de recursos humanos, assuntos tributários, comércio exterior, logística e assuntos regulatórios, economia e conjuntura.

Conselho de entidades sindicais

Uma das mais recentes ações do Sinproquim foi a constituição, em junho de 2021, do Conselho das Entidades Sindicais da Indústria Química (Cesiq).

O Conselho é formado pelos presidentes do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais, Petroquímicas e Resinas Sintéticas de Camaçari, Candeias e Dias D’Ávila (Sinpeq), Roberto Fiamenghi; do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), Isaac Plachta; do Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim), Newton Mário Batasttini; e do Sinproquim, Nelson Pereira dos Reis.

Em conjunto, essas entidades representam cerca de 70% da indústria química brasileira.

O Cesiq, que atua em conjunto com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), tem como principais objetivos destacar a relevante contribuição do setor para o crescimento econômico e bem-estar social, defender o fortalecimento da indústria química brasileira, em especial as empresas de pequeno e médio porte, para evitar o aumento da dependência externa e identificar oportunidades para fabricação local de produtos químicos importados em altos volumes, bem como estimular o uso pelo setor de matérias-primas renováveis, área em que, na opinião do diretor-executivo do Sinproquim e coordenador do Cesiq, Renato Endres, o Brasil apresenta vantagens competitivas.

Estudo realizado por Endres, com o apoio do Sinproquim, identificou quase 80 matérias-primas de origem vegetal e animal com potencial de uso na fabricação de aproximadamente 250 produtos químicos.

Endres considera que o Brasil reúne as condições necessárias para se tornar líder mundial na química dos renováveis.

“Há produtos químicos que somente podem ser produzidos a partir de matérias-primas renováveis, como o breu e a terebintina, e há outros, como o etileno, que podem ser fabricados tanto a partir da nafta e gás, derivados de petróleo, como pela rota da cana-de-açúcar ou do milho”, explica.

O diretor-executivo do Sinproquim afirma que a indústria química dispõe de conhecimentos para desenvolver a química renovável, desde que haja uma política de governo que vise garantir o fornecimento contínuo de matérias-primas a preços competitivos e financiamento a juros internacionais.

“O Brasil tem disponibilidade de áreas agricultáveis, condições climáticas favoráveis e biodiversidade, fatores que representam um potencial para a produção de biomassa não alimentar em condições competitivas, sobretudo no momento que os consumidores passam a valorizar produtos de origem renovável”, ressalta.

As ações planejadas pelo Cesiq também propiciarão maior difusão de conhecimentos sobre temas relevantes para a indústria química, como conceitos de ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança) e logística.

Em agosto, por exemplo, o Sinproquim, com o apoio de várias entidades, promoveu um webinar sobre a revalidação ou reteste de produtos químicos, práticas que possibilitariam uma redução no volume de descarte pelo aproveitamento de produtos ainda válidos para uso, gerando benefícios econômicos e ambientais.

O webinar foi acompanhado por cerca de 400 profissionais de vários setores, tanto produtores como usuários.

“Os desafios atuais enfrentados pelo setor são grandes e complexos, mas não são menores do que os enfrentados pela indústria química no passado, como o choque do petróleo, a hiperinflação, a maxidesvalorização do dólar e o apagão de energia elétrica em 2001, para citar apenas alguns.

As entidades que representam a indústria química, como o Sinproquim, a Abiquim e o Cesiq, com o apoio das empresas, assim como no passado, encontrarão caminhos para garantir o futuro de um setor que é essencial para impulsionar a economia, tenho certeza disso”, afirma Nelson Pereira dos Reis.

Uma história de muitas realizações

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Júlio Sauerbronn de Toledo

O conhecimento da história do Sinproquim amplia a compreensão sobre o processo de industrialização do País, notadamente do Estado de São Paulo, e sobre os grandes desafios enfrentados por um setor responsável pelo fornecimento de produtos essenciais a todas atividades, da agricultura à indústria de ponta.

O Syndicato dos Industriaes de Productos Chimicos e Pharmaceuticos do Estado de São Paulo, fundado em 1931, deu origem em 1940 ao Sinproquim, após a reforma da Lei Sindical no governo Getúlio Vargas.

O primeiro presidente da entidade nessa nova fase foi José Ermírio de Moraes, da Nitro Química, reconduzido ao cargo por diversos mandatos até ser sucedido por Júlio Sauerbronn de Toledo, da Rhodia, em 1956, que dirigiria a entidade até 1977.

Em 1956, mudava também o presidente do Brasil.

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José Ermírio de Moraes

Eleito democraticamente em 1955, Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência da República no ano seguinte e colocou em andamento um ambicioso programa de modernização e industrialização do Brasil: o Plano de Metas, com o famoso lema “50 anos em 5”.

Com o ímpeto desenvolvimentista e a industrialização crescente, ampliavam-se os mercados e oportunidades para o setor químico industrial.

No final da década de 1950, o setor empregava mais de 75 mil trabalhadores, quase três vezes mais do que 20 anos antes.

Encerrado o governo JK, o Brasil enfrentou um período de turbulência política e econômica, com uma rápida sucessão de presidentes e regimes.

A instabilidade política se refletia na economia. A inflação aumentava e a taxa de investimento caía.

Em 31 de março de 1964, ocorreu o golpe militar que tirou João Goulart do poder e empossou o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, que entregou o poder ao Marechal Castelo Branco no dia 15 de abril.

O novo regime, que se anunciava emergencial e provisório, ganhou contornos mais perenes. Somente mais de 20 anos depois, o Brasil voltaria a ter um civil na Presidência da República.

Ao longo desse processo, o Sinproquim permaneceu em sua missão de defesa dos interesses do setor no Estado de São Paulo.

Faltava, contudo, quem representasse a indústria do País como um todo, fosse perante as autoridades federais, fosse no exterior.

Por causa da preponderância da indústria paulista, houve um desdobramento natural com a formação em 1964, a partir do Sinproquim, da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim, que representaria os interesses dos associados em todo o País, tanto interna quanto internacionalmente.

O “milagre” econômico brasileiro

A política econômica adotada pelo regime militar tinha por objetivo reavivar o crescimento e reduzir a inflação por meio do controle estatal da economia.

Entre as medidas adotadas estava a criação do Conselho de Desenvolvimento Industrial (CDI) e do Conselho Interministerial de Preços (CIP).

Durante esse período, o Sinproquim, com o apoio da Abiquim, participou ativamente da defesa dos interesses do setor, mantendo abertos os canais de diálogo com o governo.

Em 1966, o Sinproquim, em assembleia, discutiu e aprovou uma reforma significativa: a inclusão explícita em suas atribuições da representação da indústria petroquímica, então ainda nascente, mas em franca expansão.

É adotada então a atual denominação de “Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais e da Petroquímica no Estado de São Paulo”.

O período entre 1969 e 1973 ficou conhecido como o do “Milagre Brasileiro” por causa das taxas de crescimento do PIB de até 10% ao ano, com reflexos evidentes sobre a indústria química.

Durante esse período de estabilidade e crescimento da produção, intensificaram-se as atividades do Sinproquim em prol do setor.

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Edgardo de Azevedo Soares Junior

A partir de 1977, a presidência do Sinproquim passou a ser exercida por Edgardo de Azevedo Soares Junior, da Elekeiroz. Foi durante seu mandato que Sinproquim e Abiquim se desvincularam.

No ano seguinte, o Sindicato adquiriu imóvel próprio, no mesmo endereço onde até hoje se encontra.

Além de representar suas associadas perante as autoridades do poder público, o Sinproquim também dava voz ao setor em organizações como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atuando em órgãos como o “Grupo 10”, que reunia as entidades de representação de diversos setores assemelhados aos de produtos químicos industriais com o objetivo de coordenar suas ações, por exemplo em negociações com sindicatos de trabalhadores.

Em 1980, foi formalizada a criação da Comissão de Estudos e Assessoria do Grupo 10 (Ceag-10) para ajudar na convergência de ações entre os sindicatos que compõem aquele Grupo.

A questão ambiental começa a ganhar corpo

O começo da década de 1980 foi marcado pela crescente conscientização do público a respeito de questões ambientais.

Começavam a surgir problemas graves de poluição associados ao crescimento acelerado e, em certa medida, desordenado da atividade econômica.

Os problemas associados às emissões industriais surgiam por todo o País, mas de maneira especialmente contundente em Cubatão-SP, sede da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) e do Polo Petroquímico que em torno dela se formou.

O Sinproquim foi ativo em diversas iniciativas no que dizia respeito ao meio ambiente naqueles primeiros anos de popularização do tema, como a criação, em 1983, da Consultoria Científica Toxicológica, que, entre outras atribuições, era responsável pela produção de um boletim distribuído aos associados, órgãos públicos e sindicatos de trabalhadores.

Ao longo de diversos anos, as medidas tomadas fizeram de Cubatão um exemplo global de recuperação ambiental.

Aquele período, além de revelar a crescente consciência nacional em temas ambientais, também trouxe consigo o início do fim da ditadura militar.

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Décio de Paula Leite Novaes

Em 1985, Tancredo Neves foi eleito pelo Congresso Nacional para a Presidência da República, tendo como vice-presidente José Sarney, que assumiu o cargo interinamente em 15 de março, tornando-se titular após a morte de Tancredo Neves em 21 de abril daquele ano.

A economia permaneceu em estado calamitoso durante todo o mandato de Sarney, com sucessivos planos econômicos e altas taxas de inflação, que se elevavam após cada tentativa de estabilização.

No mesmo ano em que Sarney se tornou presidente, chegou ao fim a sucessão de mandatos de Edgardo de Azevedo Soares Junior no Sinproquim. Foi eleito para ocupar seu lugar Décio de Paula Leite Novaes, da Union Carbide.

O longo caminho até a estabilidade

Entre o fim da ditadura militar e do governo Sarney, o Sinproquim manteve suas atividades regulares em defesa dos interesses de suas associadas.

Foi dada sequência às atividades de publicação do Informativo Toxicológico, que começara em 1983, ao fornecimento de publicações técnicas, assessoria e pareceres em relação a alíquotas de importação, apoio referente à legislação trabalhista e acordos com sindicatos de trabalhadores, representação perante a Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e outros serviços gratuitos aos agentes econômicos do setor industrial químico.

Em 1989, foram realizadas as primeiras eleições diretas para Presidente da República desde a ditadura militar. Fernando Collor de Mello foi eleito e imediatamente após a posse, em 1990, editou um plano econômico heterodoxo e autoritário, com congelamento de preços e salários, além do confisco do saldo das contas correntes e cadernetas de poupança.

O Plano Collor, como ficou conhecido, fracassou e deixou a economia em estado ainda pior do que antes.

O enxugamento radical e abrupto de liquidez no mercado impossibilitou qualquer forma de planejamento racional.

A preocupação das pessoas e das empresas era uma só: sobreviver. O Sinproquim, em seu papel de representante das empresas associadas, agiu para facilitar a adaptação à situação quase surreal em que o País se viu mergulhado.

Naquele período, surgiu uma nova tentativa de formação de uma zona de livre comércio regional sob a forma do Mercado Comum do Sul (Mercosul), abrangendo, naquele momento inicial, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

As atividades do Sinproquim nessa frente, somaram-se às que já exercia no âmbito da Aladi e de outras instâncias de negociação internacional.

Não bastasse a turbulência econômica, o governo Collor se envolveu em uma sucessão de escândalos. Afastado o presidente, assumiu interinamente o governo seu vice, Itamar Franco.

Em 29 de dezembro de 1992, com a renúncia de Collor, Itamar se tornou efetivamente Presidente da República. Àquela altura, a economia nacional estava completamente fora de controle: a inflação anual, que chegara a mais de 1.000% em 1992, foi superior a 2.500% no ano seguinte.

No começo de 1994, com Fernando Henrique Cardoso à frente do Ministério da Fazenda, o governo Itamar lançou o Plano Real.

Sob o ímpeto da popularidade conquistada como “capitão” do Plano Real, Fernando Henrique elegeu-se presidente em 1994, assumindo o posto no ano seguinte. Com a moeda estabilizada, o setor produtivo começou a dar sinais de recuperação.

No ano de 1995, entrou em vigor a união aduaneira do Mercosul, com implicações para todos os setores importadores e exportadores dos países membros.

Com a globalização cada vez mais intensa da economia, as ações do Sinproquim em defesa dos interesses de seus associados na área de comércio exterior ganharam importância crescente.

Outra frente de ação importante naquele período envolveu negociações com o governo e representantes dos trabalhadores em relação a normas técnicas para o uso do benzeno.

As tratativas começaram em 1994 e foram concluídas em 1996, com o estabelecimento de regras de comum acordo e a formação de uma comissão permanente para tratar do assunto, composta por representantes do poder público, dos trabalhadores e da iniciativa privada, entre elas, o Sinproquim.

O sindicato também agia em outras frentes, tanto ligadas diretamente ao setor como voltadas para a sociedade em termos mais gerais.

Um bom exemplo foi a participação na criação do Comitê de Metrologia da Indústria Química Paulista, envolvendo entidades setoriais, universidades e órgãos públicos, para assegurar e facilitar a adoção de práticas e ferramentas capazes de garantir a produção de resultados confiáveis na área metrológica.

Na esfera social de alcance mais amplo, o Sindicato, junto com outras entidades, associou-se à Secretaria Estadual de Educação e a universidades para estabelecer um convênio com o objetivo de aprimorar o ensino de Química na rede pública de segundo grau do Estado.

Em outra frente, juntamente com entidades de diferentes setores econômicos industriais, promoveu o “Fórum de Debates 2005: Por que uma Política Industrial?”, com foco no decênio 1996/2005 e que pretendia lançar um movimento conjunto da iniciativa privada e do governo em prol de uma política industrial capaz de alavancar o desenvolvimento da indústria nacional.

Em 1998, um segundo fórum promovido nos mesmos moldes pelo sindicato teve a reforma tributária como tema.

Começa um novo ciclo

Fernando Henrique Cardoso conquistou a reeleição em 1998. À medida que se aproximava o fim do seu segundo mandato, parecia cada vez mais improvável que FHC pudesse fazer seu sucessor. Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva é eleito presidente da República.

As preocupações do mercado com as políticas do novo presidente se revelaram infundadas: a economia, que sofrera abalos entre os meses finais da campanha e os primeiros tempos do governo Lula, retomaria o crescimento em 2004.

Naquele ano, o programa de metrologia criado no âmbito do Sinproquim para a indústria paulista serviu de modelo para o início da concepção de um programa semelhante, mas de alcance nacional, com a participação do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Ainda em 2004, tiveram início reformas da sede do sindicato, concluídas no final do ano seguinte. As melhorias incluíram um auditório com 140 lugares, dois andares para cursos e treinamentos, um total de quatro pavimentos de escritórios, mais garagem subterrânea e biblioteca.

Em 2006, já nessas novas instalações, começou a série de eventos “Café com Opinião”, reunindo os principais representantes do setor para palestras sobre assuntos de relevância para a conjuntura nacional.

Em maio de 2007, Nelson Pereira dos Reis, da Quirios, substituiu Décio de Paula Leite Novaes no comando da entidade. Décio, que foi presidente eleito por mais de 20 anos, recebeu do seu sucessor o título de Presidente Emérito do Sinproquim.

Nelson assumiu a presidência em um momento auspicioso para o setor.

Em janeiro daquele ano, o governo federal lançara o Plano de Aceleração do Crescimento, injetando recursos em setores estratégicos, impulsionando o consumo e ampliando a ação governamental em diversas frentes.

Previa-se investimento de quase R$ 200 bilhões em setores com impacto direto sobre a indústria química.

Em 2008, as iniciativas da nova gestão começaram a render frutos.

Foi fechada uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) com o objetivo de fornecer cursos de qualificação de mão de obra para trabalhadores do setor.

O Sinproquim forneceria as instalações físicas, divulgaria o programa e formaria as turmas de alunos, enquanto o Senai ficaria encarregado dos aspectos didáticos.

Naquele mesmo ano, o sindicato associou-se à Abiquim para desenvolver uma versão simplificada, ajustada às necessidades e à capacidade de pequenas e médias indústrias, do Programa Atuação Responsável, implantado pela Abiquim em 1992 para promover o desempenho da indústria em saúde, segurança, meio ambiente, qualidade e responsabilidade social.

O novo programa, intitulado PreparAR, foi disponibilizado para todos os associados do sindicato. Também em relação a pequenas e médias empresas, firmou-se um convênio com a Unicamp para capacitá-las em desenvolvimento tecnológico e competências de gestão.

Com o PAC em andamento, os resultados, pelo menos num primeiro momento, foram espetaculares: a economia chegou a crescer quase 10% ao ano no auge desse boom.

Anos depois, no segundo mandato de Lula, enquanto o mundo passou por uma profunda crise financeira e econômica, os efeitos sobre o Brasil foram muito limitados.

Àquela altura, contudo, os efeitos da política industrial começavam a revelar falhas estruturais e de concepção. O foco nos setores de commodities e a manutenção do real em níveis cambiais apreciados prejudicavam o setor industrial, submetendo-o a um desajuste competitivo em relação às importações.

O sindicato atuou no sentido de apoiar o setor e aliviar a situação em que se encontrava. Um exemplo foi a iniciativa, adotada em 2010, em conjunto com a Agência de Fomento do Estado de São Paulo, de oferecer uma linha de crédito especial para pequenas e médias indústrias do setor, com taxas de juros a partir de 0,49% ao mês.

O desafio do baixo crescimento econômico

O ano de 2011 foi declarado pela Unesco como o Ano Internacional da Química.

A data teve especial simbolismo para o Sinproquim, que celebrava o 80º aniversário da sua constituição como representante de cerca de 1.600 empresas sindicalizadas.

Nesse ano, o Sindicato ampliou a iniciativa bem sucedida do “Café com Opinião”, instituindo também o “Café Jurídico”, nos mesmos moldes, mas voltado especificamente para debates de alto nível na área do Direito.

Em termos econômicos, contudo, os sinais não eram animadores: a indústria em geral continuava a sofrer os efeitos da concorrência com importações beneficiadas pela taxa de câmbio desfavorável aos produtores locais, o crescimento econômico permanecia pífio e o antigo fantasma da inflação voltava a assombrar.

Em 2013, o governo federal promoveu nova investida para tentar reavivar a economia: reduziu gradualmente as taxas de juros e o custo da energia.

Após a reeleição de Dilma Rouseff, entre questões como crise hídrica e energética (com os aumentos de custos e riscos que implicaram), gargalos logísticos e aperto monetário, a conjuntura não podia mais ser ocultada.

A crise se converteu em recessão, enquanto as taxas de inflação só faziam subir. Medidas de incentivo à economia fariam aumentar a inflação; medidas de combate à inflação abalariam a economia.

O ano de 2014 encerrou-se com crescimento de apenas 0,1% do PIB e redução significativa do seu componente industrial.

Tendo em vista a situação ruim e decadente do panorama econômico nacional, a ação de entidades sindicais tornou-se ainda mais importante para seus associados e representados.

Nesse sentido, o Sinproquim agiu em prol dos interesses do setor de diversas maneiras, como, por exemplo, ao proceder a um mapeamento das pequenas e médias indústrias químicas no Estado de São Paulo para melhor compreender suas necessidades e, com isso, poder planejar de maneira adequada medidas em seu apoio.

Em 2015, a situação se agravou. Do crescimento quase nulo de 2014, passou-se a uma grande contração: o PIB despencou quase 4% e o PIB industrial, mais de 6%.

Quando começou 2016, a probabilidade de impeachment de Dilma e os problemas judiciais envolvendo a esfera política do País se aprofundaram, o que em nada ajudava a melhorar a situação do setor produtivo.

Nos últimos anos, ocorreram profundas mudanças sociais, ambientais e econômicas no mundo e no Brasil. Apesar de algumas alterações positivas no cenário interno, como a reforma da Previdência e a reforma Trabalhista, a crescente dependência externa do País por matérias-primas e produtos químicos, o baixo crescimento econômico, o elevado desemprego, a instabilidade política, o risco de sucateamento da indústria com o fechamento de várias empresas e os parcos avanços na discussão sobre a reforma tributária, ao que se somam as dificuldades criadas pela pandemia de covid-19, são temas de preocupação e de ações constantes do Sinproquim buscando a construção de soluções que possibilitem ao País e, por extensão, à indústria química retomar o caminho do desenvolvimento sustentável.

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