IYC 2011 Ano Internacional da Química – Química exalta avanços e oferece saídas para problemas globais

química e derivados, IYC - International Year of Chemistry 2011 Química – nossa vida, nosso futuro”, é o slogan oficial do Ano Internacional da Química, abreviado como IYC 2011, na forma internacional. Mais do que uma simples efeméride, comparável aos conhecidos dias atribuídos a uma profissão, tarefa que resume a maior parte dos projetos de lei apresentados no Brasil, a promoção alimenta metas ambiciosas.

Quatro são os objetivos principais dessa promoção: melhorar a percepção da química para satisfazer as necessidades do mundo moderno; estimular o interesse dos jovens por essa ciência; fomentar o entusiasmo pelo futuro criativo da química; e comemorar as contribuições da cientista Marie Curie para a ciência no centenário do Prêmio Nobel por ela recebido, bem como celebrar a contribuição das mulheres para o desenvolvimento da química. O impulso gerado pela promoção global deverá também intensificar a colaboração entre pesquisadores de várias origens, amplificando e acelerando o ritmo de inovações.

A necessidade de dedicar um ano inteiro para atividades em vários níveis dentro desse escopo foi detectada em 2006, na reunião de abril do comitê executivo da Iupac (União Internacional de Química Pura e Aplicada). A ideia mais elaborada foi aprovada durante a assembleia geral da entidade, em agosto de 2007. A partir dela, a delegação da Etiópia, com o apoio de vários países (o Brasil entre eles), apresentou a proposta de dedicar 2011 à química ao Comitê Executivo da Unesco (Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas), que a acatou e a remeteu para a instância superior. Em dezembro de 2008, a 36ª Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a proposta, atribuindo à Iupac e à Unesco a coordenação das atividades. Saliente-se que a ONU declarara o período de 2005 a 2014 como “a década da educação para o desenvolvimento sustentável”.

De janeiro a dezembro, todos os países do mundo, por meio de entidades científicas, sociais, corporativas e profissionais, promoverão atividades variadas, como estudos científicos, congressos, palestras, concursos, gincanas e experimentos práticos, com o intuito de demonstrar o importante papel da pesquisa química para resolver problemas críticos, como poluição, suprimento de alimentos, fontes de energia e sistemas de transportes. No Brasil, a coordenação das atividades ficou a cargo da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), que montou um interessante site específico na internet: www.quimica2011.org.br

O site da SBQ congrega informações sobre todas as atividades programadas para o ano, bem como sobre os projetos elaborados nesse âmbito. É o caso de iniciativas como a “Amarelinha Química”, um jogo de computador no qual o participante deve identificar o elemento químico por meio de seu símbolo e dar uma propriedade do mesmo. Ou a tabela periódica dinâmica (www.tabelaperiodica.org), elaborada pela Universidade Federal de Bagé-RS, que fornece explicações sobre cada elemento químico conhecido.

A iniciativa privada também participa do IYC 2011. A Dow Chemical e a European Petrochemical Association (EPCA) são parceiras globais do evento. No Brasil, várias empresas estão patrocinando atividades e campanhas publicitárias para enfatizar o grande volume de descobertas científicas já realizadas pela química, suas aplicações e reflexos no cotidiano e, principalmente, as contribuições futuras provenientes da criatividade dos pesquisadores e de seu empenho.

A Unesco, ao aprovar a proposta da Iupac, salientou que a química desenvolve o conhecimento sobre todos os elementos químicos constituintes do planeta. Portanto, é necessário estimular o interesse por essa ciência, para fortalecer a busca por soluções para problemas de larga escala, como o aquecimento global.

Proposta ambiciosa – Formalmente iniciado em uma concorrida cerimônia em Paris, nos dias 27 e 28 de janeiro, o Ano Internacional da Química deve se encerrar em dezembro, em outro encontro igualmente importante, em Bruxelas. Entre as duas comemorações, há muito trabalho a ser feito, como ressaltou a presidente da Iupac, Nicole Moreau. “Geralmente, os químicos respondem às perguntas sobre a ciência e seus efeitos sob um viés defensivo. Devemos aproveitar o IYC 2011 para promover uma ofensiva positiva em favor da química”, comentou.

Ela apontou duas concepções erradas e extremamente populares sobre a ciência, capazes de prejudicar a sua compreensão pelo público em geral. A primeira delas decorre do fato de ser a química uma ciência central, com ramificações que transpassam as demais ciências. “Corre-se aqui o risco de a química perder sua identidade e ser confundida com outros estudos”, explicou. O segundo erro, muito comum na civilização ocidental, está em correlacionar a química com problemas como a degradação ambiental e a ocorrência de câncer.

A essas falsas concepções pode-se adicionar outra: atribuir à química uma dimensão mágica, romântica, muito distanciada das bases da boa ciência. Todas essas percepções deletérias só serão eliminadas do seio da sociedade por meio de informação farta e de qualidade. Um ponto a ser avaliado e discutido com muita atenção diz respeito ao ensino dessa matéria em todos os níveis. É comum ouvir de crianças em idade escolar afirmações de pouco apreço pela química. Torna-se, portanto, necessário verificar a oportunidade de reavaliar os conteúdos ministrados a elas e a forma como são expostos.

Da parte de Química e Derivados, cada edição a ser publicada neste ano terá uma reportagem sobre algum tema ligado à química e suas aplicações práticas, abordando ensino, pesquisa, mercado de trabalho, entre outros aspectos. Ao trazer mais elementos para o debate, esperamos contribuir para o sucesso do IYC 2011. Afinal, a química também é o nosso presente e futuro.

Visite também os sites:
SBQ – www.sbq.org.br
Iupac – www.iupac.org
IYC 2011 (site internacional) – www.chemistry2011.org

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Marie Curie levou os raios X para a medicina

IYC 2011 – Pioneira no Prêmio Nobel e na cátedra teve infância difícil

Marie Curie foi a primeira mulher a ocupar uma cátedra da Universidade de Paris, ao suceder a seu marido Pierre Curie, morto em 1905. Ela já havia sido a primeira laureada com um Prêmio Nobel, embora compartilhado com Pierre e Henry Becquerel, em 1903, pela descoberta da radioatividade. Em 1911, ela recebeu o Prêmio Nobel de Química por ter revelado a existência do elemento rádio.

Nascida Maria Sklodowska, em 7 de novembro de 1867, em Varsóvia (Polônia, sob ocupação russa), ela enfrentou várias dificuldades, a começar pela morte da mãe, em 1877, e da demissão do pai do cargo de professor por perseguição política. Destacou-se nos estudos básicos, mas trabalhou durante vários anos como governanta, auxiliando a irmã mais velha que fora estudar medicina em Paris. Aos 24 anos, tendo reunido algumas economias, partiu para a capital francesa para continuar seus estudos.

Graduou-se em ciências pela Universidade de Paris – Sorbonne, onde conheceu o cientista Pierre Curie, com quem se casou. Desenvolveram estudos com base nas descobertas de Roentgen e Becquerel, trabalhando inicialmente com o urânio. Descobriram o polônio e mais tarde o rádio. Em 1903, a Instituto Nobel premiou a descoberta da radioatividade, laureando com o prêmio de Física o casal Curie e Becquerel.

Em 1905, Pierre morreu, ao ser atropelado por uma carroça de carga. A cátedra de física da Sorbonne foi destinada a Marie, pelos seus méritos e descobertas. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Nobel de Química, pela descoberta do elemento rádio. Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie Curie comandou uma frota de ambulâncias equipadas com sistemas de raios X, que identificavam fraturas ósseas nos soldados. Depois da guerra, criou o Instituto do Rádio, para desenvolver pesquisas na área médica que culminaram na introdução da radioterapia para tratamento de câncer.

O pioneirismo nos trabalhos com radiações ionizantes cobrou seu preço: Marie Curie morreu em 1934, de leucemia, aos 66 anos.

 

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