Analítica Latin América 2011 – Feira atualiza o Brasil com a alta tecnologia da análise

química e derivados, analítica latin américa, laboratório e análises, equipamentosPrincipal ponto de encontro do setor de laboratórios, análises, biotecnologia e controle de qualidade, a 11ª Analitica Latin America atraiu mais de 10 mil visitantes ao Transamerica Expo Center, em São Paulo, entre os dias 20 e 22 de setembro. Empresas nacionais participaram da exposição trazendo seus últimos lançamentos e tendências em inovação e segurança. Ampliou-se também a presença internacional, com 30 empresas vindas dos EUA, Finlândia, França, Índia, Cingapura, Itália, Taiwan, Canadá e outros. Além dos pavilhões alemão e chinês, já presentes em outras ocasiões, desta vez participou também o pavilhão britânico.

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Espectrômetro de absorção atômica usa microondas em vez dos gases inflamáveis

Equipamentos com tecnologia sofisticada e inovadora foram exibidos em vários estandes. No da Agilent Technologies estava uma das grandes atrações da feira: o MP-AES 4100, o espectrômetro de emissão atômica de plasma a micro-ondas. Trata-se do avanço mais significativo em espectroscopia atômica em décadas. “Este aparelho não é uma melhoria nesta categoria de equipamentos. Cria uma nova”, disse o especialista de produtos Adélson José dos Reis Silva.

“Com este espectrômetro os usuários podem dizer adeus aos gases caros e inflamáveis usados nos equipamentos tradicionais de absorção atômica”, complementou. A segurança laboratorial aumenta com a eliminação dos gases inflamáveis e oxidantes, não sendo mais necessário transportar e manusear cilindros. “O nitrogênio para a operação do plasma é continuamente extraído do ar pelo gerador de nitrogênio Agilent 4107”, explicou.

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Figura 1: Esquema de funcionamento do Agilent MP-AES 4100 - Clique para ampliar

A fonte do Agilent 4100 MP-AES é única; o plasma é magneticamente excitado por micro-ondas. No coração desse sistema de geração há um magnetron industrial robusto e confiável, tecnologia aprovada em milhões de fornos de micro-ondas domésticos existentes ao redor do mundo. O equipamento usa um campo magnético em vez de elétrico para acoplar a energia das micro-ondas ao plasma, cuja emissão de luz é dirigida a um monocromador e a um detector de larga faixa e baixo ruído, que mede o espectro e a linha de fundo simultaneamente, propiciando precisão e excelentes limites de detecção.

Mantendo alta sensibilidade e limites de detecção abaixo de ppbs (partes por bilhão), além da rapidez, o MP-AES usa ar. “Isso reduz drasticamente os custos de operação sem prejudicar o desempenho”, enfatizou Silva. O plasma magneticamente excitado com micro-ondas propicia limites de detecção inferiores aos conseguidos com espectrômetros de absorção atômica (AA). Valores ilustrativos podem ser vistos na tabela 1.

A tocha é posicionada verticalmente para melhor performance com amostras complexas. Seu confiável carregador faz seu alinhamento automaticamente. As lâmpadas de catodo oco e as lâmpadas de deutério para correção da linha de fundo foram eliminadas.

Robusto, pode realizar análises em matrizes difíceis, incluindo aquelas com alto teor de sólidos. Ideal para mineradoras, petroquímicas, indústrias de alimentos e outros, o equipamento pode fazer análises de elementos traço em amostras geológicas, determinar baixas concentrações de ouro em lixiviados de cianeto, aditivos em óleos lubrificantes, cátions e metais pesados no solo, entre muitas outras aplicações.

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Tabela 1: Limites de detecção típicos em amostra de água límpida - Clique para ampliar

Dotado de interface amigável, o software do equipamento permite economizar tempo, sem necessidade de desenvolvimento de métodos ou longos treinamentos. O comprimento de onda e os parâmetros ótimos são prefixados e recuperados quando o usuário seleciona os elementos a analisar. Uma biblioteca espectral de fácil entendimento indica interferentes em potencial à medida que se seleciona cada comprimento de onda. Os resultados são mostrados na tela de forma clara, e as especificações podem ser incluídas para comparação. O software pode operar em nove idiomas, cabendo ao usuário escolher o de sua preferência. “Há opção de baixo fluxo de entrada de material, ideal para amostras nas quais apenas uma pequena quantidade está disponível”, finalizou Silva.

Conhecida por suas impressoras, a Epson participou pela primeira vez da Analitica. A Epson do Brasil é subsidiária do grupo japonês Seiko-Epson Corporation, líder mundial em produtos de imagem e alta precisão, contando com quase 80 mil colaboradores em 102 empresas distribuídas por todo o mundo. No Brasil, a Epson iniciou as operações em 1984 e foi a pioneira na produção de impressoras com tecnologia a jato de tinta.

A empresa expôs seus robôs, com aplicações específicas para o mercado farmacêutico e laboratorial. A Epson Robots é a líder mundial em automação de precisão, com uma base instalada de mais de 22 mil unidades. Com 29 anos de tradição, oferece robôs para aplicações de montagem precisa e manipulação de materiais em indústrias de eletrodomésticos, aeroespacial, automotiva, biotecnologia, dispositivos médicos, farmacêutica, plásticos, semicondutores e outros.

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Barbieri e os robôs C3 (abaixo): para embalar e manusear produtos perigosos

Os robôs C3, de seis eixos, apresentados na feira são compactos, ideais para fabricantes de medicamentos e laboratórios que têm pouco espaço disponível. Segundo o líder de projetos da área de robótica Giulio Sarmento Barbieri, eles funcionam com uma tomada elétrica comum de 220V e estão preparados para operar em salas limpas. Podem servir para embalar materiais de difícil manuseio, como remédios, seringas, frascos e comprimidos. “Podem ser empregados também para manejar produtos perigosos, como ácidos e produtos tóxicos”, disse Barbieri, justificando a presença no evento.

Os robôs C3 são líderes do setor e têm o melhor tempo de ciclo, precisão e amplitude de movimento de sua classe. São robôs de alta velocidade, mas compactos, fornecendo um desempenho superior até mesmo para as aplicações mais complexas, podendo suportar de 1 a 20 kg de carga.

O novo design SlimLine é exclusivo do C3, incluindo um corpo fino e um projeto compacto do eixo de arfagem do punho. “Isso permite ao robô alcançar espaços de trabalho confinados e restritos com um movimento suave”, disse Barbieri. O punho compacto permite uma amplitude de movimento maior e menos restrições mecânicas, o que os tornam os mais compactos e flexíveis da categoria de seis eixos.

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Robô C3

“Já temos vários clientes no Brasil usando robôs em processos de fabricação, em laboratório ainda não”, comentou Barbieri. No exterior, entretanto, isso já é uma realidade. “Operações de amostragem, pipetagem automática e dosagem são realizadas por robôs”, informou. O custo do C3 varia de US$ 32 mil a US$ 36 mil, dependendo da configuração. “Os mais caros são usados em salas limpas, cujos componentes permitem rigorosa assepsia”, acrescentou.

Simples, mas inovado – Os técnicos de P&D também podiam encontrar equipamentos interessantes na feira, como o Optimax 1001, reator de laboratório automatizado, apresentado pela Mettler Toledo. Com sede na Suíça, a companhia mantém unidades de produção na Europa, Ásia, América Latina e nos Estados Unidos e atua em 37 países, com sete mil funcionários, incluindo força de venda e assistência técnica próprias.

Ocupa posição de destaque no mercado de instrumentos analíticos, fornecendo tituladores, sistemas de termoanálises, reatores automáticos de laboratório, transmissores de pH e eletrodos. Além disso, é a maior companhia na fabricação e venda de sistemas de detecção de metal para uso em processos de produção.

Fábio Ferreira Batista, especialista de desenvolvimento de mercado, lembrou que os profissionais de pesquisa e desenvolvimento trabalham sob pressão para obter resultados cada vez mais rapidamente. Para estes profissionais a empresa oferece o Optimax 1001, uma plataforma simples para o desenvolvimento de produtos e processos. Trata-se de uma estação de trabalho para síntese que pode ser ajustada em minutos, operando de forma precisa e reprodutível, não necessitando que o pesquisador fique por perto o tempo todo, como nos métodos tradicionais usando vidraria.

O equipamento permite realizar reações entre -40ºC e 180ºC sem a necessidade de um banho de gelo ou de óleo. “O sistema de aquecimento e resfriamento usa a tecnologia de Peltier, permitindo um controle preciso da temperatura”, explicou Batista. “O reator é pequeno, móvel e tem uma entrada para gás, caso seja necessário fazer reações sob atmosfera inerte”, acrescentou. Conta com um software simples e robusto, integrando todo o fluxo de trabalho experimental. “Essa interface simples permite que os cientistas se aprofundem na compreensão do processo com menos esforço”, elogiou Batista.

Toques em tela mudam os parâmetros da reação, eliminando a necessidade de longos treinamentos do operador. “Fazer reações químicas sem completo entendimento do que ocorrerá no reator pode ser arriscado. O Optimax está equipado com um sistema de segurança que monitora a execução correta das tarefas” informou Batista.

O uso do reator automatizado permite tomar decisões de forma rápida. Os experimentos são programados e os parâmetros relevantes do processo monitorados de forma confiável e rápida. “Os dados são capturados a cada etapa do procedimento. Isso permite reproduzi-los de forma precisa, com redução significativa de sua variabilidade”, entende Batista.

Dentre os parâmetros programáveis estão temperatura de reação, temperatura da jaqueta, velocidade de adição, tempo de reação, velocidade de agitação, pressão e outros. Para configurar um experimento, pode-se escolher entre uma gama considerável de frascos e agitadores. O Optimax 1001 suporta frascos de vidro de 1 a 1.000 ml, aceitando vários tipos de agitador, até mesmo para misturas viscosas.

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Batista: reator Optimax (abaixo) é ajustado em minutos e opera de forma precisa e reprodutível

O reator fornece leitura de temperatura similar à das plantas industriais, controle de mistura e dosagem, além das informações termodinâmicas críticas sobre os processos. “Além disso, tem saída USB para que o tratamento dos dados seja feito em um computador”, finalizou Batista.

A exposição mostrou mobiliário de laboratório também renovado, caso da capela com sistema interno de lavagem de gases exibida no estande da Projlab Laboratórios. No mercado há mais de 20 anos, a empresa oferece atendimento personalizado, elaborando projetos exclusivos, atendendo às normas nacionais e internacionais de construção de laboratórios e também à norma NR-17 referente à ergonomia.

A capela com sistema interno de lavagem de gases lançada na Analitica contém na sua parte inferior um reservatório interno com bomba para recirculação da água e solubilização dos gases. Na parte traseira externa estão alocados os bicos aspersores para lavagem. “A grande vantagem é a otimização de espaço; em vez de instalar o lavador de gases externamente, neste produto ele já está integrado à capela”, esclareceu o vendedor Peterson Berner da Cunha.

A capela é feita de compensado naval ou de chapa galvanizada reforçada, tratada com pintura eletrostática à base de epóxi. Box, defletores e tampas podem ser confeccionados com diversos materiais, conforme as necessidades do usuário. As opções incluem fibra de vidro com acabamento interno em gel antiácido, cerâmica antiácida, PVC (policloreto de vinila), polipropileno, resina epóxi, aço inoxidável 304 e 316, com acabamento polido e escovado, e outros.

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Reator Optimax

No painel, poderão ser inseridos comandos para acionamento de utilidades a distância, tais como ar comprimido, nitrogênio, oxigênio e vácuo. “O painel tem ainda tomadas, comandos para acionamento da luminária e do sistema de exaustão”, informou Cunha. Inversor de frequência, sensor de fluxo e válvulas para gases com trava de segurança são opcionais. “Os sistemas de exaustão e insuflamento atendem às normas internacionais de ventilação”, garantiu Cunha.

A água proveniente do lavador pode ser bombeada do recipiente interno para outro externo e enviada para o descarte ambiental indicado. Para empresas que possuem suas próprias estações de tratamento de água, uma tubulação pode ser conectada. Segundo Cunha, outra vantagem é a facilidade de manutenção. “O custo, entretanto, é apenas cerca de 15% maior do que o de uma capela tradicional”, acrescentou.

A Vidy, tradicional produtora de mobiliário laboratorial, apresentou suas centrais de transferências de líquidos. Para Juliano dos Santos, do departamento de marketing, trata-se de “um sistema mais seguro e econômico para o manuseio de líquidos em laboratórios”. Seu conceito básico é similar ao de uma central de gases, transferindo o armazenamento para fora do laboratório. O líquido é transferido através de uma rede até o ponto de consumo.

Esse sistema permite uma redução significativa do armazenamento e movimentação de recipientes com produtos químicos, tendo como resultado economia, redução de riscos, eliminação de frascos a serem descartados etc. O sistema é todo informatizado, mas permite operação manual, se desejado.

Na estação de controle, visualizam-se as quantidades consumidas e disponíveis. “Com esse sistema é possível acompanhar o consumo do produto com as indicações de cheio, médio e vazio, além da emissão de um sinal sonoro quando o produto se esgota”, informou Santos. A necessidade de troca é indicada eletronicamente, ou pelos já citados alarmes. É possível ainda comutar a saída de fluido de um tanque para outro sem descontinuar o fluxo de produto.

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Centrais de transferências de líquidos tornam a operação mais segura e econômica

Os recipientes e tubulações resistem à corrosão, permitindo o uso com ácidos e bases fortes. “Mesmo para líquidos viscosos, a central pode ser empregada”, finalizou Santos.

Vidro e plástico – Vários fornecedores de vidraria participaram da feira, caso da Waiser Científica, de São Paulo, que apresentou novidades e soluções para laboratórios, com destaque para os produtos da Kimble Chase, reconhecida pela fabricação de vidraria que alia a tradição alemã com a inovação norte-americana, com quem firmou recente parceria.

Fundada em 2007, a Kimble Chase é uma joint venture formada pelas empresas Gerresheimer e Thermo Fisher, que juntas reúnem 1.450 colaboradores atuantes em sete localidades de três continentes. “A chegada do grupo ao país é motivo de comemoração para todos aqueles que precisam de qualidade e segurança em seus experimentos laboratoriais”, disse o representante comercial Júlio Mota.

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Vidraria laboratorial ganha proteção plástica

No estande da Waiser os visitantes puderam conhecer, entre os produtos da Kimble Chase, a linha Ray-sorb, para conteúdos sensíveis à luz, como vitamina A. “São mais eficientes que a vidraria parda”, disse Mota. Os frascos têm coloração vermelha escura e, segundo o representante, são duas vezes mais resistentes à passagem da luz do que a tradicional vidraria marrom.

Já a tecnologia KimCote oferece segurança extra às vidrarias, pela aplicação de um revestimento plástico, prevenindo o derramamento do conteúdo no caso de quebra do vidro. O revestimento é claro, inodoro, não escorregadio, tanto seco quanto molhado, muito durável, autoclavável, fácil de lavar e ainda resistente a muitos produtos químicos perigosos, comuns nos laboratórios. Além de o conteúdo não ser derramado, não sobrarão cacos de vidro espalhados ou haverá exposição a produtos químicos tóxicos ou corrosivos. As recomendações para o bom uso da vidraria recoberta com plástico incluem não expor as peças a temperaturas acima de 100ºC quando secas, nem a calor direto ou chamas. “Não se deve usá-las em chapas aquecedoras”, enfatizou Mota. Para autoclavagem, a temperatura deve ser de no máximo 120ºC, por 30 minutos; e, em caso de congelamento, não inferior a -20ºC.

O vidro revestido com plástico pode ser lavado em máquinas automáticas, desde que sejam seguidas as recomendações já citadas. É possível colocar rótulos ou fazer marcas na superfície das peças. Nos procedimentos de limpeza não se recomenda deixar a vidraria de molho por longos períodos em soluções detergentes, pois isso reduz a vida útil do revestimento.

Além da vidraria usual de laboratório, a Waiser também oferece frascos de vidro para armazenamento de substâncias com o citado revestimento, de capacidades que variam de 100 ml a 10 l. “Teremos estoque local das peças mais requisitadas” informou Mota.

A Waiser divulgou ainda no evento seus serviços de produção de peças especiais feitas sob medida, e conserto de vidrarias de grande porte. Com laboratório acreditado à Rede Brasileira de Calibração (RBC-Inmetro, Instituto Nacional de Metrologia), a empresa oferece também serviços de calibração de material volumétrico.

Desde 1974, a Laborglass desenvolve e fabrica vidrarias e aparelhagens para laboratórios, produzidas em vidros técnicos especiais para cada necessidade, como borossilicato, neutro e alcalino. Todas as peças atendem às principais normas técnicas nacionais e internacionais, tais como ABNT, ISO e ASTM. Com o objetivo de facilitar o emprego de seus produtos por clientes e usuários, a Laborglass implantou em 2005 seu laboratório de metrologia, acreditado pelo Inmetro. “Disponibilizamos a vidraria já com o certificado de calibração RBC”, informou o vendedor Gilmar Barros. Na feira, a Laborglas apresentou seu erlenmeyer para microbiologia, com defletores que ajudam a melhor homogeneizar o conteúdo.

Foi exibida também a vidraria volumétrica da alemã Schott Duran, que há anos a empresa representa no Brasil. “As peças estão disponíveis em duas classes de precisão: A/AS e B” explicou Barros. A classe “A” possui maior precisão, e a “B” oferece cerca da metade da precisão da “A”. A classe “AS” possui as mesmas tolerâncias que a classe “A”, mas é projetada para proporcionar um escoamento mais rápido.

As provetas Schott Duran são fabricadas com vidro borossilicato 3.3 e, por isso, são muito resistentes ao estresse mecânico e térmico. Sua ampla base hexagonal evita que a proveta role. “A base é equipada com três saliências que aumentam sua estabilidade”, acrescentou Barros.

As buretas Duran utilizadas para titulação também são fabricadas com vidro borossilicato de alta resistência química. A escala precisa permite a leitura exata da quantidade de líquido necessária para a titulação. A calibração é baseada no volume escoado (“Ex”) na temperatura de 20ºC, usada internacionalmente como referência.

As pipetas graduadas e volumétricas são feitas de vidro alcalino. A calibração também é baseada no volume escoado a 20ºC. As tolerâncias de volume para pipetas calibradas atendem aos limites de precisão das normas DIN e ISO. A tabela 2 ilustra as tolerâncias das pipetas classe B.

Barros lembrou que para garantir uma longa vida útil da vidraria volumétrica e excluir a possibilidade de alterações na calibração, estes produtos não devem ser aquecidos em temperatura superior a 180ºC nos secadores, esterilizadores ou placas de aquecimento. “É preciso aquecer e resfriar a vidraria volumétrica de forma gradual, evitando o estresse térmico e a consequente possibilidade de quebra do vidro”, explicou.

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Tabela 2: Limites de tolerância volumétrica das pipetas Schott Duran classe B - Clique para ampliar

A Laborglas também oferece vidraria revestida com plástico. O revestimento adere com firmeza à superfície do vidro e a protege contra danos mecânicos, como riscos. Mantém os fragmentos unidos no caso de quebra do vidro e ainda minimiza a perda do conteúdo, caso o vidro quebre, protegendo contra derramamentos e respingos. Barros salientou, entretanto, que o revestimento plástico não aumenta a resistência à pressão. “Esses frascos não são projetados para uso em aplicações com pressão ou vácuo”, afirmou.

Se o frasco revestido de plástico quebrar durante o uso, o conteúdo e o revestimento plástico provavelmente entrarão em contato. Barros advertiu que deve ser executado um teste para eliminar qualquer possibilidade de interação entre ambos para garantir que o líquido possa ainda ser utilizado.
A temperatura máxima de operação é de 135ºC, portanto os frascos são adequados para uso em autoclave. Para congelamento o limite é de -30ºC. Finalizando, Barros salientou que os estresses térmico e químico podem ocasionar descoloração do revestimento.

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Caixas térmicas: temperatura por 3 dias

A Erviegas divulgou suas caixas térmicas plásticas EasyPath. Confeccionadas com polietileno de alta densidade (PEAD), com isolamento interno de poliuretano (PU), garantem a conservação da temperatura interna por até três dias. São indicadas para a conservação e transporte de alimentos, bebidas, medicamentos e produtos que necessitam de refrigeração ou aquecimento. “A menor tem volume de 2 l e a maior, 100 l”, informou Bruno Mauro Alves, membro da divisão química.

Como diferencial de mercado, a EasyPath disponibiliza uma grande variedade de acessórios para a personalização das caixas, permitindo gravar a marca do cliente e seu logotipo a laser em placas de ABS escovadas ou texturizadas. Gravações a laser são permanentes e reduzem os riscos de alterações. As placas são fundidas às caixas com adesivo estrutural, impossibilitando a sua remoção. Pictogramas de risco também podem ser incluídos, caso o produto transportado seja inflamável ou corrosivo.

É possível adaptar a caixa às necessidades dos clientes, incluindo bases ou divisórias, feitas de placas de polipropileno, um material extremamente resistente a altas e baixas temperaturas, autoclavável e atóxico. Dobradiças, drenos, fechos, porta cadeados e limitadores de abertura também podem ser adaptados.

O controle da temperatura interna da caixa é feito por um mostrador digital existente em uma de suas paredes. “Trata-se de um termômetro solar, completamente blindado e à prova d’água, diferentemente dos modelos a pilha”, explicou Alves.

Raman e Raios X – A Thermo Scientific, cujo representante no Brasil é a Charis Technologies, de Vinhedo-SP, expôs o espectrômetro DXR Smart Raman. Com um sistema patenteado muito simples de alinhamento e calibração, oferece a possibilidade de o próprio usuário trocar rapidamente as fontes de laser e filtros, partes que são apenas encaixadas no corpo do instrumento. O equipamento apresentado na feira tem um controle da potência de laser sem precedentes, tanto que foi patenteado.

Segundo o engenheiro Álvaro de Oliveira, da divisão comercial, o DXR tem resolução especial e alta sensibilidade, podendo ser usado para a identificação de materiais em baixas concentrações.

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Oliveira e o espectrômetro Raman (abaixo): usuário troca fonte de laser e os filtros

“A espectrometria Raman tinha pouca aplicação industrial em razão do alto custo dos equipamentos, em comparação com os espectrômetros infravermelhos (IV), mas isso está mudando”, disse Oliveira “Entre as vantagens do Raman em relação ao infravermelho está a possibilidade de fazer ensaios não destrutivos e sem necessidade de preparação de amostra”, informou. Também é indicado para análises de materiais sensíveis. “Hoje em dia, o preço dos espectrômetros Raman é quatro vezes maior que o de um espectrômetro IV simples, enquanto no passado essa diferença podia chegar a dez vezes”, completou.

A principal aplicação da espectrometria Raman é a identificação de materiais usando a região do espectro chamada de finger printing (impressão digital), tal qual ocorre na espectrometria IV. Há, entretanto, algumas vantagens em relação aos equipamentos de IV. “Na obtenção de um espectro no IV não se pode ter água na amostra, pois a banda do grupo hidroxila pode se sobrepor a outras importantes. Num espectrômetro Raman isso não é problema”, explicou Oliveira.

O equipamento tem em sua biblioteca a maior coleção do mercado de espectros disponíveis para a comparação e identificação de materiais desconhecidos. Pode ser aplicado na indústria farmacêutica, em gemologia e geologia, na análise de embalagens, e também em arqueologia e restauração de arte, campo no qual permite a identificação e discriminação dos pigmentos usados.

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Espectrômetro Raman

Também houve preocupação com a produtividade. “Em minutos, usuários podem mudar o laser de excitação e a resolução espectral”, salientou Oliveira. Vários acessórios e componentes podem ser instalados ou substituídos pelo próprio usuário, sem a necessidade de chamar um técnico de manutenção. Há filtros e grades de difração diferentes para as várias aplicações, mas, segundo Oliveira, a troca se faz em segundos.

“À medida que a ciência dos materiais avança e nosso entendimento sobre ela se torna mais sofisticado, as preocupações dos analistas se voltam para amostras cada vez menores”, disse Oliveira. “O DXR permite trabalhar com amostras na escala de micrômetros”, enalteceu.

Na espectroscopia Raman, encontrar a potência de laser ideal para excitação pode ser a diferença entre obter um ótimo resultado ou uma amostra que sofreu mudanças físicas durante as medidas. O equipamento tem um ajuste fino para controle da potência do laser para resolver este problema.

A pesquisa de espectros tradicional requer usuário treinado em interpretação e processamento dos dados. No caso de materiais compostos ou misturas, respostas confiáveis são difíceis de obter. O software do espectrômetro revoluciona a forma como a pesquisa de espectros é feita, decompondo em minutos materiais multicomponentes em seus constituintes e usando um algoritmo também patenteado. “Se o usuário está caracterizando a composição e o comportamento de materiais, o DXR pode ajudar a encontrar os grupos funcionais e a classe química rapidamente, por meio do mecanismo de interpretação espectral”, exemplificou Oliveira.

A Darix, revendedora da japonesa Rigaku, expôs o espectrômetro de fluorescência de raios X de bancada Supermini WDX. Com comprimento de onda dispersivo, o equipamento é compacto, permite tempos de medida menores e boa sensibilidade por contar com um tubo de raios X com alta potência (200 W). Sua grande inovação é não precisar de água ou nitrogênio líquido para resfriar o tubo. “Ele usa o ar, movido por potentes ventoinhas”, esclareceu José Casagrande, do departamento de assistência técnica. “O equipamento não tem trocador de calor e, assim, ocupa muito menos espaço.”

Permite realizar análise de elementos em amostras sólidas como de minérios, mas também em amostras líquidas. “Analisa de flúor a urânio, sendo capaz de detectar quantidades traço de elementos pesados, isto é, concentrações da ordem de ppms (partes por milhão)”, garantiu Casagrande.

O software do equipamento tem excelente reputação por sua facilidade de uso. Podem ser feitas análises quantitativas, semiquantitativas e qualitativas. “Uma biblioteca de espectros pode ser usada para melhorar os resultados”, finalizou.

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Hazel: em busca de parceiros locais

No pavilhão britânico, a Specac Limited apresentava suas prensas e outros acessórios para espectroscopia. “Gostaríamos de encontrar representantes locais”, disse a gerente de marketing Hazel Hall. Pela primeira vez no Brasil, Hazel declarou estar feliz com os contatos feitos, embora tenha considerado o horário da feira, das 13 às 21 horas, pouco usual e cansativo.

A Specac fornece vários tipos de prensas para preparação de pastilhas de KBr (brometo de potássio), veículo muito usado em misturas com amostras sólidas para obtenção dos espectros IV. “Temos desde prensas manuais até modelos totalmente automatizados”, informou Hazel.

As prensas Atlas 8, 15, 25 e 40 t são elétricas e programáveis, foram desenhadas para várias situações em que a pressão é necessária, incluindo preparação de amostras para fluorescência de raios X e espectroscopia IV. Acomodam amostras até 200 mm de diâmetro. O motor é bastante silencioso e o software com interface amigável permite programação em várias línguas. “Temos vários outros acessórios para espectroscopia”, informou Hazel. Como exemplo, citou o Window Polishing Kit. “Acondicionado em uma maleta plástica, este kit contém todos os materiais necessários para limpar e polir janelas de transmissão nos espectrômetros IV”, concluiu.

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Espectrômetro de fluorescência de raios X da Specac

Microbiologia – A Sovereign Brasil expôs os produtos e equipamentos para microbiologia da americana Idexx, sua representada. O portfólio inclui testes para os principais indicadores de qualidade da água, porém usando tecnologia inovadora, que permite obter resultados confiáveis e rápidos. A empresa alega ter a liderança global neste segmento, com 15 milhões de kits de testes de água vendidos anualmente em mais de 75 países.

Essas novas tecnologias produzem mudanças de cor claras e visíveis, que facilitam a detecção, sem necessidade de cultura de bactérias ou contagem subjetiva de colônias. A assessora técnica Patrícia Vinksnaitis entende que, como os métodos de testes Idexx detectam micro-organismos em seu ambiente natural, seus resultados são menos influenciados que os testes tradicionais feitos em gel de agarose. “Isso diminui o risco de falsos positivos, que podem levar à interrupção de linhas de produção, e o risco de não detectar uma amostra positiva, que pode prejudicar a reputação do produto”, acrescentou.

O fluxo de trabalho é otimizado, pois procedimentos de testes simplificados aumentam a eficiência. Resultados são obtidos em 24 horas para a maioria dos parâmetros. “Os processos são rápidos, realizados em menos de um minuto”, informou Patrícia. Os reagentes já vêm prontos para usar, dispensando o preparo de meios de cultura. Os folhetos explicativos são de fácil compreensão e não requerem treinamento específico. A tabela 3 mostra os produtos Idexx vendidos pela Sovereign e suas respectivas aplicações.

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Produtos Idexx para análises microbiológicas em água

Os kits podem ser empregados para informar a presença ou a ausência do micro-organismo, ou podem ser quantitativos, por meio da tecnologia Quanti-Tray. Para análises quantitativas, primeiro se coloca a amostra no frasco adequado, ao qual se adiciona o reagente em pó, sob agitação. O conteúdo é despejado no Quanti-Tray, uma cartela plástica cheia de cavidades, similar a um blister. A cartela é lacrada em seladora específica para isso, sendo depois colocada num incubador por 24 horas, a 35ºC. Decorrido este tempo, os resultados são lidos. No caso de Colilert, cavidades amarelas indicam presenças de coliformes totais. Já as cavidades amarelas fluorescentes denotam presença de E. coli. O kit contém uma tabela que converte o número de cavidades no valor correspondente de unidades formadoras de colônias. Segundo Patrícia, os produtos Idexx são aprovados por vários organismos internacionais, entre eles a americana EPA (Environmental Protection Agency).

 

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Winkelmann: esterilização com controle total da temperatura de aquecimento e resfriamento (abaixo)

Com estande no pavilhão alemão, a empresa Systec GmbH, especializada em autoclaves, veio expor seus produtos e buscar parcerias. O gerente de exportação Jörg Winkelmann disse que a empresa, fundada em 1994, tem por objetivo tornar a esterilização com vapor feita em laboratório um processo mais simples, preciso, seguro e reprodutível do que os realizados nas autoclaves dos seus concorrentes. “Fabricamos autoclaves de vários tamanhos, com abertura frontal ou no topo”, disse Winkelmann. Em todas elas, a câmara de pressão é feita de aço inoxidável AISI 316T eletropolido, resistente à corrosão, o que as tornam muito fáceis de limpar.

Durante todo o processo de esterilização, a temperatura é medida por um sensor de temperatura adaptado à câmara. Desta forma, garante-se que o processo de esterilização comece só quando a temperatura ideal do líquido sendo autoclavado for atingida. A temperatura de resfriamento também é monitorada. A porta só abre quando seu valor no líquido for inferior a 80ºC.

Conforme Winkelmann, nas autoclaves tradicionais o vapor é gerado por água alimentada no fundo da câmara. Nas autoclaves Systec um gerador de vapor separado foi incorporado ao lado da câmara. “Isso tem vantagens substanciais”, afirmou Winkelmann. Em conjunto com a opção de preaquecimento, apenas 10 minutos são necessários para que a temperatura de 121ºC seja atingida. O resfriamento também é rápido já que não há água quente na câmara.

As autoclaves são compactas e economizam espaço, mas têm uma altura de câmara superior ao usual. “Pode-se ter até 50% a mais de capacidade de carga”, afirmou Winkelmann. A empresa oferece também vários acessórios. De acordo com Winkelmann, todos contribuem para a segurança, rapidez e eficiência no processo de esterilização.

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Autoclave Systec

Paralelamente à exposição, foi realizado o 2º Congresso Analitica Latin America, que trouxe três grandes temas de química analítica: metrologia e quimiometria; métodos analíticos e preparação de amostras; e tecnologias em análise instrumental. A programação contou com onze simpósios, sendo dois internacionais, além de mesas-redondas, minicursos, 96 apresentações e uma grande área para exposição de cartazes referentes a trabalhos científicos. O congresso registrou uma expansão de 80% nas inscrições em relação ao primeiro, realizado em 2009. A próxima edição da Analitica Latin America será em setembro de 2013, no mesmo local.

 

*Maria Sílvia Martins de Souza é química, proprietária da P&D Consultoria e consultora técnica da Editora QD Ltda. para os anuários Guia Geral de Produtos Químicos, Guia do Laboratório e Guia dos Equipamentos.

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