Laboratório e Análises

IYC 2011 – Analítica – Instrumentos avançam em simplicidade e baixo custo

Marcelo Fairbanks
14 de novembro de 2011
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    Ao todo a Agilent fatura cerca de US$ 5,4 bilhões por ano, operando em mais de cem países. A medição elétrica/eletrônica (é a líder na produção de instrumentos de teste de telefones celulares) gera negócios de US$ 2,8 bilhões, enquanto as análises químicas aportam US$ 1,2 bilhão e as farmacêuticas, US$ 1,5 bilhão. “Na prática, as vendas ficam equilibradas entre elétrica/eletrônica e as duas áreas analíticas que são muito afins”, salientou. Muito embora os instrumentos das duas linhas citadas sejam parecidos, eles atuam de forma diferente, especialmente em relação aos programas de operação. “Na analítica se quer medir e identificar substâncias mais ou menos isoladas, enquanto nas life sciences o objetivo é encontrar uma substância em meio a milhares, e outras, em amostras de sangue e urina, por exemplo”, explicou. Um dos grandes segmentos de expansão de negócios está no controle do uso de substâncias proibidas pelos atletas (antidoping).

    No ano passado, a Agilent comprou a rival Varian e, com isso, completou o portfólio de instrumentos com a linha de ressonância magnética nuclear da adquirida, que era superior à da própria compradora. “Alguns negócios tiveram de ser vendidos a terceiros por ordem dos órgãos de defesa da concorrência nos Estados Unidos e Europa”, explicou Castanheira. A companhia produz uma ampla variedade de instrumentos, como microscópios de força atômica (requeridos no campo da nanotecnologia), eletroforese, cromatografia e espectrometria em vários níveis de precisão.

    Um dos pontos fortes da companhia está em manter um time de alto nível para pesquisa básica em tecnologia de medição que investiga novos métodos e sinergias entre os disponíveis.

    No caso brasileiro, curiosamente, a Agilent passou a se dedicar mais ao relacionamento com as universidades depois da compra e integração dos negócios da Varian. “Atualmente, as universidades são um cliente maior que a indústria para nós”, confirmou. No entanto, isso não acontece sem dificuldades.

    “A universidade brasileira, em geral, tem procedimentos burocratizados demais, com regulamentações que beiram o absurdo”, comentou. Ele estima em dois anos o intervalo de tempo entre um pesquisador pensar em comprar um instrumento até a sua efetiva instalação. Como as universidades contam com vantagens tributárias, é mais econômico que elas comprem os instrumentos no exterior, em moeda estrangeira, e os importem. “Mas os procedimentos dessas instituições para importação são lentos e complexos demais, não é culpa dos pesquisadores, mas não funciona bem”, avaliou.

    Confira também: Fundo biparte seleciona projetos de pesquisa

    Em setembro, a Agilent e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) assinaram um acordo mediante o qual cada uma das partes deve aplicar a quantia equivalente a US$ 200 mil na constituição de um fundo para financiar pesquisas em metabolômica em plantas e micro-organismos; ideias originais de medição de espectrometria de massas; e medição avançada em bioenergia. Podem participar pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e de pesquisa, públicas ou privadas sem fins lucrativos, situadas no estado de São Paulo.

    Devem ser selecionadas por uma comissão internacional entre três e cinco propostas, com valor individual entre R$ 150 mil e R$ 300 mil. A chamada para propostas está aberta até o dia 28 de novembro, na página: www.fapesp.br/6618.

    Alguns países admitem que a companhia importe os instrumentos da matriz e, caso os revendam para universidades, recebam de volta os impostos pagos (rebate). “Isso agilizaria os negócios”, lamenta.

    Outra situação curiosa. A Agilent recebe os instrumentos usados dos seus clientes e, em troca, concede descontos de 20% a 30% no valor de um novo. “Pelas leis brasileiras, é impossível fazer isso com as universidades”, criticou.
    A Agilent disponibiliza em seu site (www.agilent.com.br) todas as informações sobre seus instrumentos, desde os manuais de operação até artigos sobre métodos analíticos e aplicações variadas. “Nós nos esforçamos para apresentar as novidades para os professores, que podem receber boletins periódicos da companhia sobre seus campos de interesse”, informou. A empresa põe técnicos para visitar clientes quando solicitados, e ainda oferece análises demonstrativas para comprovar se o método é adequado às necessidades do interessado. Até fevereiro de 2012, será concluída a ampliação do showroom e estrutura para aplicações em Barueri-SP.



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