Laboratório e Análises

IYC 2011 – Analítica – Instrumentos avançam em simplicidade e baixo custo

Marcelo Fairbanks
14 de novembro de 2011
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    Química e Derivados, Marcos Eberlin, Análises Químicas, Cirurgias Cerebrais

    Eberlin: cirurgias cerebrais contam com o apoio das análises químicas

    Como a evolução tecnológica dos instrumentos foi muito rápida, nem sempre os professores dos cursos de química conhecem as aplicações mais avançadas. “Estamos num período de transição, no qual convivem os dois extremos”, informou Eberlin, com a experiência acumulada em vários congressos e encontros da área. “Há no país cursos de química analítica medievais e há cursos avançadíssimos.”

    Ele comentou ter ouvido que cromatografia líquida não era acoplável a espectrômetros de massa. “Isso era verdade há uns dez anos, hoje a associação LC/MS é importantíssima”, comentou. Ainda há livros que repetem o velho conceito, mas estão obviamente defasados.

    Apesar disso, Eberlin recomenda não carregar demais de informações os alunos da graduação. “Basta que sejam ministrados os fundamentos da química analítica, que não mudam nunca, ressaltando os cuidados com os dados, a representatividade da amostra, desvios etc. Depois basta pincelar as técnicas dos principais instrumentos”, disse. Os alunos que tiverem interesse se aprofundarão em estágios, cursos específicos e na pós-graduação.

    Fronteiras – Eberlin ainda considera ser necessário desenvolver instrumentos mais simples e econômicos, embora aponte a existência de algumas opções miniaturizadas e simples. “Na maioria dos casos, eles ainda são grandes e complicados demais, daqui a dez anos isso já deve estar resolvido”, disse. Segundo ele, até os modelos mais complexos como o FTMS,
    espectrômetro de massa com transformada de Fourier, estão sendo substituídos por modelos mais simples.

    As linhas de massa já se saem muito bem nas análises químicas e farmacêuticas. “Precisamos avançar nas aplicações medicinais, com químicos trabalhando junto com médicos, uma parceria ainda rara”, apontou. Os instrumentos de massa poderiam atuar, por exemplo, na leitura dos biomarcadores, identificando rapidamente patógenos ou avaliando a ação dos fármacos em cada tecido do corpo. “Já há casos de análises de saliva e lágrimas sendo feitas durante cirurgias de cérebro, orientando o trabalho dos médicos, mas isso precisa ir adiante”, recomendou.

    A espectrometria de massas leva vantagem nesses casos, por dispensar o preparo das amostras, ser rápida e altamente sensível. “O preparo é um mal necessário, qualquer manipulação da amostra possibilita incluir contaminantes, gerando dúvidas posteriores, pois não dá para saber se um elemento traço veio da amostra ou dos solventes e reagentes usados”, comentou.

    Além de não exigir preparo e atuar em condições ambientes, os instrumentos de massa trabalham com quantidades exíguas de material. “Isso significa gerar menos resíduos e reduzir custos”, afirmou.

    Mercado aquecido – Há várias explicações para o crescimento contínuo das vendas de instrumentos analíticos no Brasil. Uma delas é o aumento no número de universidades e de institutos de pesquisa espalhados pelo país nos últimos anos. Outras explicações apontam para a necessidade de controlar melhor a qualidade de muitos produtos finais, de alimentos a combustíveis, coibindo fraudes e riscos à saúde da população.

    “A indústria de alimentos no Brasil precisa de uma regulação mais adequada, com normas e rotinas analíticas bem estabelecidas”, apontou Reinaldo Castanheira, gerente geral regional da Agilent Technologies. Ele relatou que há muita coisa a ser feita no mesmo sentido nas áreas ambiental e farmacêutica.

    Leia também: Congresso atrai especialistas em massa

    O Brasil vive um momento muito favorável ao desenvolvimento da pesquisa científica. É o que informa o professor Marcos Eberlin, da Unicamp. “Os laboratórios analíticos do país estão bem equipados, em melhor situação do que vários países europeus, e há um bom número de químicos especializados, capazes de conduzir experimentos relevantes”, afirmou.

    De 10 a 13 de dezembro, será realizado no hotel Royal Palm Plaza, em Campinas-SP, o 4º BrMass – Congresso Brasileiro de Espectrometria de Massas, para o qual são esperados mais de mil participantes. “O BrMass é bienal e está entre os cinco maiores do mundo, ainda atrás dos Estados Unidos e do Japão, mas bem perto do congresso alemão”, comemorou Eberlin.

    O interesse pode ser confirmado pela grande procura dos fabricantes de instrumentos. “Todos estarão lá”, informou. O Brasil se revela um importante, embora recente, mercado para esse tipo de instrumento. Segundo o pesquisador, há uma década eram vendidos apenas uns poucos espectrômetros no país todo por ano. “Hoje, eles são vendidos às dezenas”, informou. Eberlin também salienta a presença de renomados conferencistas internacionais, como Alexandre Makarov, Frantz Hillekamp, Michael Gross e Demià Bracello, além de importantes pesquisadores brasileiros. Interessados podem encontrar mais informações no site: www.brmass.com.br/congresso.

    O sucesso do congresso brasileiro será um bom aperitivo para 2016, quando o Brasil sediará o congresso internacional da técnica analítica, organizado pela International Mass Spectrometry Foundation (IMSF), atualmente presidida por Eberlin. O próximo congresso da IMSF será realizado de 15 a 21 de setembro de 2012, em Kyoto (Japão). Informações no site: www.imss.nl.

    Como comentou, as vendas de cromatógrafos a gás ou para líquidos (GC e LC) são ainda as maiores em número de instrumentos. “Eles resolvem um número maior de problemas e têm um custo relativamente mais baixo que outras técnicas mais sofisticadas”, explicou. No entanto, outras técnicas, ainda que mais caras, também registram aumento de demanda. Para Castanheira, isso está ligado ao aumento das exigências dos importadores de produtos feitos no país, como os europeus, que detectam traços de substâncias listadas como proibidas e rejeitam lotes inteiros de produtos. “Portanto, as análises feitas por aqui precisam seguir os mesmos padrões, exigindo aplicar instrumentos semelhantes”, comentou.

    Castanheira observa que, há uns quinze a vinte anos, o foco da instrumentação estava direcionado ao controle de qualidade de produtos nas indústrias. “As amostras eram retiradas da linha de produção, eram fáceis de lidar e tudo era resolvido com um cromatógrafo de gases ou de líquidos (GC ou LC) acoplado a espectrofotômetro na faixa do ultravioleta”, rememorou.



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