Meio Ambiente (água, ar e solo)

Ambiente – Usinas Sucroalcooleiras recirculam água para melhorar a produção

Marcelo Furtado
12 de março de 2013
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    Ainda em caldeiras, é intenção da Kurita também oferecer sistemas para pré-tratamento de osmose reversa, cada vez mais empregada para desmineralização de caldeiras de alta pressão em usinas. Já testados em unidades de indústria de papel e celulose, a expectativa, segundo Aguiar, é apostar em frentes esquecidas por concorrentes. A primeira é o uso de coagulante orgânico na preparação da água de alimentação para as membranas para evitar contaminações orgânicas futuras. Trata-se de produto que não deixa residual nos módulos, como ocorre usualmente no mercado, de acordo com ele.

    Um segundo produto com grande futuro é o chamado descamador de fouling IK 110, um recente desenvolvimento mundial da Kurita que promete acabar com o problema principal das membranas, o biofouling (incrustação biológica formada por biofilmes), que causa aumento do delta P por sujeira. Trata-se de halogênio estabilizado que, em vez de servir como biocida, na verdade penetra nos biofilmes, expandindo-os e removendo-os para a água sem afetar a membrana. “Embora sejam produtos distintos, eles têm o mesmo princípio do cloro estabilizado Optimax usado em torres”, completa Zuntini.
    Bom ressaltar que depois da água desmineralizada, além dos dispersantes o tratamento inclui ainda inibidores de corrosão e de controle de pH, além de sequestradores de oxigênio. E ainda há controles para evitar arrastes químicos e mecânicos, que podem danificar as turbinas.

    Ambientalismo econômico – A preocupação em atacar os vilões do consumo de água nas usinas, para o gerente da GE Water, Luis Carthery, elevando os ciclos de concentração das torres, é uma realidade em várias regiões onde houve os chamados greenfields, em português claro, as novas usinas que surgiram a partir de 2000 até 2009, quando houve uma triplicação do parque sucroalcooleiro. Nesse cenário, destacam-se plantas no Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e oeste paulista. Também colaboraram na onda de modernização diversos retrofittings em usinas da região de Ribeirão Preto e Pirassununga-SP. “Nesses casos, as empresas abandonaram antigos sistemas de spray e adotaram apenas torres, com tratamentos adequados”, disse.

    Segundo ele, há casos mais difíceis de promover modernização, principalmente quando as usinas têm fartura de água a baixo custo. “Mas mesmo nesses casos há uma tendência de combater perdas”, disse. Como a GE procura operar com visão sistêmica na usina, interligando as necessidades de água de resfriamento e vapor nas diversas produções, isso faz com que a preocupação seja no sentido de evitar perdas e aproveitar o vapor excedente de uma produção na outra, como ocorre entre o excedente dos evaporadores do açúcar, que pode ser utilizado na produção do álcool.

    “O desafio é mostrar que mesmo que as perdas do resfriamento não sejam tão evidentes, como as do vapor, cuja escassez pode parar a fábrica, elas são importantes e devem ser atacadas”, explicou Carthery. Isso significa, para ele, que o amadurecimento dos clientes, em evidência em muitos casos, é perceber os custos escondidos, que vão aumentar o rendimento da usina e torná-la sustentável no sentido amplo, no financeiro-ambiental. Muitos clientes, segundo ele, têm metas de produção a atingir e pensam que basta para isso garantir o vapor. Mas na verdade elas podem ser até ultrapassadas quando o resfriamento passa a ser visto com a mesma, ou similar, preocupação. A dificuldade é ver além dos custos de se parar uma fábrica por falta de vapor, fato evidente e que os faz manter o tratamento das caldeiras sob estreita vigilância. Nesse sentido, Carthery acha salutar a entrada de grandes grupos no mercado, como Shell (Raízen), BP, Petrobras e Odebrecht, que já possuem essa visão do negócio. “Está havendo uma troca de tecnologia muito interessante, puxada por esses grupos sem dúvida”, explicou.

    E a demonstração para os clientes de que os ganhos financeiros ocorrem rapidamente quando a empresa passa a ter a preocupação ambiental de usar de forma racional sua água, para Carthery, é a grande ferramenta da GE para convencer o cliente a se engajar na muitas vezes desgastada sustentabilidade. “Mas ela só pode existir mesmo se estiver ligada à lucratividade e à manutenção dos negócios”, disse. Em outras palavras, não é crível esperar que o empresário seja um ambientalista puro e simples. Junte a evidência de lucro com a adoção de melhores práticas de gestão de seus recursos naturais às exigências do controle ambiental, que muitas vezes restringe outorgas e licenças de operação a condutas corretas, e o caminho para a indústria sucroalcooleira se tornar sustentável passa a ser mais curto.



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