Meio Ambiente (água, ar e solo)

Ambiente – Usinas Sucroalcooleiras recirculam água para melhorar a produção

Marcelo Furtado
12 de março de 2013
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    Produtos do Japão – A Kurita também aposta em tecnologia diferente para convencer seus novos clientes. Nessa primeira safra da Região Sudeste, em que fechou cinco contratos com usinas, sendo quatro para tratamento exclusivo de torres e um também com caldeira, segundo revelou o superintendente de operações José Aguiar Jr., os tratamentos têm dado ênfase à melhora de rendimento e de manutenção de integridade dos equipamentos. “Os clientes perceberam a diferença ao final da safra, quando abriram os equipamentos para manutenção e viram que os enchimentos estavam muito melhor preservados”, disse.

    Chave para o desempenho, segundo ele, é o uso da tecnologia NT de tratamento de torres, que conta com dispersantes para operação robusta e com variações, muitos deles desenvolvidos especialmente para o mercado sucroalcooleiro nacional pela matriz no Japão, e com controle microbiológico por meio de cloro estabilizado (Optimax). Neste último caso, completa Heitor Zuntini, houve especial apreciação dos clientes, que passaram a usar a solução estabilizada em detrimento dos oxidantes convencionais como o hipoclorito de cálcio e sódio. Houve casos, não na mais crítica fabricação de açúcar, em que a Kurita conseguiu atingir seis ciclos de concentração de sais em torres durante alguns períodos da safra, usando água bruta como make-up. Mas mesmo assim durante as chuvas foi necessário haver purgas no sistema para baixar a concentração. “O ambiente é muito propício à contaminação microbiológica”, disse o gerente.

    Química e Derivados, Torres de resfriamento, são as vilãs do consumo de água

    Torres de resfriamento são as vilãs do consumo de água no setor

    O foco inicial da Kurita, para tratar torres, não só explica a demanda adormecida na área como revela também a desconfiança e o cuidado que o setor possui com suas caldeiras. “Eles se sentem mais à vontade para aceitar propostas nos sistemas de resfriamento. E nós temos consciência disso. Primeiro precisamos conquistar a confiança deles nessa área e mais para frente podemos entrar na seara da geração de vapor, ainda muito restrita aos competidores mais tradicionais nas usinas”, disse Aguiar. E a estratégia parece estar dando certo. A prova, para ele, é no final da safra os trocadores dos quatro clientes estarem limpos, sem incrustação, em comparação aos antigos tratamentos com cloro. “Mesmo com a área próxima das torres repleta de bagacilhos, ou seja, originalmente muito suja, ao verem que no interior da torre tudo continuou limpo, foi um ponto muito a favor para nós”, completou Heitor Zuntini. Nas torres de resfriamento da fabricação de açúcar, segundo ele, houve casos em que ao final da safra foi provado que a água continuava a cair proporcionalmente, de forma distribuída por todo o enchimento, sem necessidade de trocar internos. “É comum essas torres, que sofrem muita contaminação de açúcar, chegarem a desabar antes do final da safra. Ou então demonstrarem uma distribuição de água totalmente irregular”, disse.

    Nas caldeiras – Muito tradicional em petroquímica, petróleo e siderurgia, a Kurita se adapta ao mercado sucroalcooleiro, menos desenvolvido em tecnologia de água do que esses setores, respeitando as peculiaridades de uma operação robusta e muito sujeita a contaminações orgânicas. Desenvolvendo primeiro o mercado de torres de resfriamento, sua próxima etapa, conseguir também fornecer tratamento para as caldeiras, está contando com a participação direta do centro de pesquisas do Japão. “Um cientista da matriz veio várias vezes ao país para conhecer as necessidades do mercado, que para ele pareceram bastante específicas”, disse Aguiar. O “espanto” do pesquisador se referia principalmente ao fato de a água de alimentação das caldeiras precisar de dispersantes, mesmo depois de ser devidamente desmineralizada por osmose reversa ou por resinas de troca iônica e polida com leitos mistos. “Ele não entendia que o ambiente das usinas é extremamente suscetível a contaminações, por ser rural, e não tinha a dimensão da importância de segurança operacional das caldeiras”, disse.

    Essas revelações fizeram a Kurita, em uma primeira etapa, desenvolver um dispersante específico para caldeiras de baixa pressão. A preocupação inicial não foi controlar a dureza, já que a água é desmineralizada, mas sim o ferro vindo do retorno do condensado por meio do contato metalúrgico constante. “O foco da dispersão mudou da simples dureza para condições críticas de ferro e para altas variações”, explicou Zuntini. Outra preocupação foi fazer os técnicos japoneses compreenderem que o sistema não poderia ser o convencional para uma caldeira de mesma pressão do setor petroquímico. Isso porque a água de alimentação das caldeiras de uma usina sofre variações muito maiores. “Imaginar que vai ter escape de dureza em petroquímica é impossível, já em uma usina isso é normal”, disse Aguiar. O dispersante para caldeiras de alta pressão (acima de 40 kgf) para o mercado sucroalcooleiro foi desenvolvido recentemente e suporta as temperaturas e pressão usuais do processo. A primeira conta, que inclui tratamento de caldeira da Kurita, passará a utilizar na próxima safra o novo produto. Pelas pesquisas comparativas da empresa, o produto se mostrou equivalente em dureza e estabilidade térmica aos produtos dos melhores concorrentes, mas superior em termos de controle de ferro, segundo revelou o superintendente.



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