Meio Ambiente (água, ar e solo)

Ambiente: Resíduos petroquímicos alimentam cimenteiras

Quimica e Derivados
30 de agosto de 2014
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    O primeiro empreendimento do recém-formado Consórcio Cetrel-Odebrecht, em Camaçari-BA, será a instalação, em estados diferentes, de três blendings, como são chamadas as unidades de produção do blend, combustível para fornalhas de fábricas de cimento produzido via fragmentação, a menos de uma polegada, de borras oleosas, borras de tintas, solos contaminados por hidrocarbonetos e resíduos diversos de plásticos e borrachas, incluindo pneus com o aço descartado. “É uma produção em consonância com a onda da tecnologia limpa e eliminação de resíduos”, ressalta o diretor superintendente da Cetrel e do Consórcio, Carlos Eugênio Bezerra de Meneses. No Brasil, já existem várias dessas unidades no Sudeste, com destaque para os estados de São Paulo e Minas Gerais, onde o negócio já se tornou lucrativo (ver QD-415, págs. 10 a 29).

    O Consórcio Cetrel-Odebrecht é uma parceria entre a empresa de proteção ambiental de Camaçari e a Construtora Norberto Odebrecht, formalmente representada pela subsidiária Lumina Engenharia Ambiental, que faz a coleta de lixo da empresa Águas de Limeira (SP). “De alguma forma a Odebrecht já tinha um braço na área ambiental”, ressalta Carlos Eugênio. Via Braskem, o Grupo Odebrecht é o acionista majoritário da Cetrel com 45% do total das ações. O restante é do governo do Estado, dono de 28%, e das demais empresas que formam o Pólo Industrial de Camaçari (27%).

    Química e Derivados: Ambiente: Meneses - tecnologia limpa elimina resíduos. ©QD Foto - Divulgação

    Meneses – tecnologia limpa elimina resíduos.

    Uma das unidades de blending, com capacidade de 67 mil t/ano operando nos três turnos, será instalada em área da Cetrel, em Camaçari, onde a unidade piloto já está operando. Em princípio, a planta estará operando em 90% do tempo, o restante será para manutenção e limpeza. A licença ambiental já foi solicitada. As outras duas ficarão em São Paulo e Minas, em cidades ainda não escolhidas. Em cada blending serão investidos aproximadamente US$ 5 milhões.

    Os resíduos, sólidos secos e pastosos, chegarão às unidades a granel, acondicionados em tambores de 200 litros, big-bags ou em bombonas plásticas e serão descarregados e acondicionados nas baias de estocagem. Os que apresentarem composição heterogênea passarão por uma triagem visual e serão segregados em diversas correntes de acordo com as características e conduzidos por esteiras para o triturador. Amostras serão antes enviadas ao laboratório para determinar os indicadores referentes a poder calorífero, umidade, pH, presenças de matéria orgânica e cloro, teor de cinzas e granulometria. Os líquidos, incluindo água de incêndio e possíveis chorumes, serão conduzidos para a caixa separadora de água e óleo e daí para tratamento pelo processo dos lodos ativados ou para o incinerador.

    O Consórcio anuncia também que construirá um incinerador de borras oleosas com capacidade de 40 mil t/ano, para atender a demanda de empresas do Nordeste, procedente principalmente dos campos da Petrobrás. Borras oleosas que não apresentarem especificação para a produção de blending serão queimadas no incinerador, o segundo desta categoria instalado na Cetrel.

    Instalar estas e outras unidades de tratamento e destinação de resíduos, principalmente de incineração, está nos planos, mas o core business do Consórcio é mais amplo – é proceder a gestão ambiental em grandes complexos industriais do país. “Foi para isso que juntamos a competência da maior empresa do país na área ambiental à capacidade empreendedora da Odebrecht, maior e mais importante construtora brasileira e exportadora de serviços”, valoriza Carlos Eugênio.

    Cetrel expande serviços ambientais

    A Cetrel, privatizada em 1991, hoje atuando em todas as áreas da engenharia ambiental e com uma carteira de cerca de 1.200 clientes fora da Bahia, é um somatório de aportes de capital do governo estadual e das empresas instaladas em Camaçari que lá tratam seus efluentes líquidos e sólidos. O diretor superintendente Carlos Eugênio Bezerra de Meneses revela que os aportes para implantação dos sistemas de proteção ambiental somam US$ 250 milhões.

    As empresas negociam sua participação no capital com base no investimento que demandam para o tratamento dos efluentes líquidos. Em outros investimentos, a exemplo da construção do incinerador de sólidos, foi feito um rateio de US$ 7 milhões entre seis empresas do Pólo Petroquímico que haviam acumulado um estoque de mais de 20 mil t para incinerar. Este rateio foi proporcional à quantidade de resíduo que acumularam.

    Os ativos que resultaram dos aportes incluem a estação de efluentes líquidos, que utiliza o processo biológico de lodos ativados – inaugurada em 1978, juntamente com o Pólo, e posteriormente ampliada e dotada de um emissário submarino; um incinerador de líquidos com tecnologia da Sulzer (Suíça), em operação desde 1991; um incinerador de sólidos com tecnologia da norte-americana Andersen, em operação desde 1998; e um incinerador para resíduos não-clorados (borras oleosas e hidrocarbonetos) implantado em 2002. “Temos o maior parque de incineração do Brasil”, valoriza o diretor superintendente.

    A Cetrel tem também uma rede de monitoramento do ar com oito estações fixas na área industrial de Camaçari e entorno – e uma estação móvel, que presta serviços na Bahia e em outros Estados e já tem serviços previstos para os próximos 12 meses. “A rede de monitoramento do ar representa o estado-da-arte, neste ano passou por um up grade que requereu investimento de US$ 850 mil”, ressalta também.

    Nos recentes dois anos foram feitos investimentos intensivos no laboratório, certificado pela norma ISO 17.025. “Sem dúvida temos o maior laboratório do Brasil na área ambiental”. Todos os sistemas de proteção ambiental da Cetrel são certificados através das normas ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001.



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