Laboratório e Análises

Ambiente – Laboratórios nacionais podem realizar estudos para o GHS e o REACH

Marcelo Furtado
16 de dezembro de 2011
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    Química e Derivados, Roberto Bonetti, Bioagri, Ensaios, Laboratórios

    Bonetti: Bioagri investe em biotérios, mas também em estudos in vitro

    Há também testes com abelhas, mais empregadas para registros de agroquímicos. “É para saber se o defensivo vai ser prejudicial não apenas para as pragas como para os outros insetos”, explicou a diretora Cynthia Pestana, do Tecam. Outro teste comum de ecotoxicidade é feito com minhocas, para conhecer a ação de substâncias no solo. Também em lixiviados no solo são empregados organismos aquáticos. “É bom ressaltar que é sempre o órgão ambiental que determina qual tipo de teste e organismo deve ser empregado na análise”, disse Paulo Bidinotto, da Bioagri. Em regra geral, para testes agudos utilizam-se organismos em idade tardia, para conhecer o efeito imediato da exposição, em testes crônicos, na idade inicial, para avaliar a ação ao longo do tempo.

    Na Bioagri, empresa desde este ano do grupo francês Mérieux NutriSciences, apenas em testes ecotoxicológicos são realizados de 200 a 300 por mês, com todos os tipos de organismos. De acordo com o diretor da empresa, Roberto Bonetti, a Bioagri está capacitada para atender todos os testes exigidos pelos anexos VIII, IX e X da regulamentação Reach, exceto os testes in vitro. “Mas eles já estão sendo implantados e em breve estarão disponíveis aos clientes”, disse. A empresa oferece os testes seguindo as diretrizes BPL (foi a primeira a ter o reconhecimento no Brasil) e, segundo o diretor, os testes físico-químicos e toxicológicos agudos e crônicos são o forte da empresa.

    Monitoramento – Além dos testes toxicológicos e ecotoxicológicos, o cotidiano de um laboratório com fins ambientais é muito concentrado em análises de monitoramento, microbiológicas e físico-químicas, que visam a atender às determinações de checagem impostas por órgãos ambientais. Para esses procedimentos, aliás, não são necessários os protocolos BPL. O padrão técnico aí é a norma ABNT NBR 17025, que estabelece critérios para laboratórios de ensaio e calibração.

    “São amostragens que precisam ser analisadas periodicamente, dependendo da exigência do órgão ambiental para os efluentes, o solo ou o resíduo da empresa fiscalizada”, disse o diretor técnico da Bioagri, Marcos Ceccatto. Por essa razão, explica, a empresa precisa ter sedes por todo o país, para ficar perto de todos os clientes, que são visitados periodicamente por técnicos de coleta da Bioagri Ambiental, certificada pela norma ABNT tanto para análise como para procedimento de coleta. A empresa possui unidades em São Paulo, Piracicaba-SP, Uberlândia-MG, Belo Horizonte-MG, Rio de Janeiro, Vitória-ES, Canoas-RS, Curitiba-PR, Parauapebas-PA, Recife-PE e Salvador-BA.

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    Cecatto: 5 milhões de ensaios por ano

    A unidade de Piracicaba-SP é a central. Lá se encontram, além do instrumental analítico mais sofisticado para analisar compostos orgânicos e metais, os ensaios ecotoxicológicos. As demais são capazes de atender análises microbiológicas e ensaios físico-químicos, por métodos clássicos de gravimetria, espectrometria e titulometria, exigidos pelas principais resoluções. Em Piracicaba, há espectrômetros de emissão de plasma com detector ótico de massa, HPLC (cromatografia líquida de alto desempenho) e outros detectores de massa. “As análises mais complicadas vêm para Piracicaba”, disse Ceccatto.

    Segundo o diretor, a Bioagri, por meio do trabalho de 60 equipes de coleta de amostragem ou pelo envio do próprio cliente, realiza 22 mil amostras por mês, sendo que por amostra são feitas em média 20 análises. “Ao todo fazemos por volta de 5 milhões de ensaios por ano”, disse. Também atuante nas áreas de análises para alimentos, veterinária, cosméticos e fármacos, a divisão ambiental representa até 60% do grupo.

    Uma tendência que o diretor técnico aponta entre os laboratórios de análises ambientais é aderir à química limpa, gerando o mínimo possível de resíduos no laboratório. Uma iniciativa é usar a cromatografia iônica, que substitui a titulação por prata para analisar cloreto, por exemplo. Outra é usar a técnica de extração por cartucho (fase sólida), em vez de usar solvente (fase líquida). “Temos que dar exemplo, pois trabalhamos com meio ambiente”, disse.

    Há até empresas apenas atuantes na área de análise por monitoramento que sequer se interessam em ser reconhecidas pelos protocolos BPL para análises de registro de produtos. Este é o caso, por exemplo, da Operator, de Cotia-SP. “O nosso foco é esse e para tal apenas precisamos ser acreditados pelo Inmetro pela NBR 17025”, afirmou a gerente técnica e de qualidade Dilcelli Soares. Segundo ela, no estado de São Paulo, a Cetesb só aceita análises ambientais de laboratórios com a norma auditada pelo Inmetro.

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    Dilcelli: preferência em se manter na rotina de análises ambientais

    A Operator conta com 100 contratos de monitoramento para água e efluentes, cuja coleta em 90% é feita por sua equipe também certificada pelo Inmetro. O raio de atuação é de 200 km da região metropolitana de São Paulo e, além da sede em Cotia, conta com outra em Volta Redonda-RJ para atender siderúrgicas e metalúrgicas. “Fora disso já começa a complicar”, disse Dilcelli. O laboratório tem condições de realizar análises orgânicas, inorgânicas e microbiológicas e possui instrumental de cromatografia gasosa por massa e iônica e analisador elementar para carbono, hidrogênio e nitrogênio.

    Um serviço recente explorado pela Operator é o de avaliação de resíduos urbanos, que inclui análise físico-química, de decomposição do lixo e do nível de poder calorífico e de metais dos resíduos. “Com o novo plano de resíduos sólidos do país, os governos precisarão até 2014 passar a reutilizar tudo que for possível do lixo”, disse. E a saída mais aventada tem sido a reciclagem energética, ou seja, o reaproveitamento do poder calorífico do lixo para gerar energia em incineradores. Nesse caso, usa-se cromatógrafo para identificar metais, analisador elementar para porcentagens de H-C-N e bombas calorimétricas para avaliar o poder calorífico superior e inferior. “Com as análises, vimos que o lixo brasileiro é bastante úmido”, disse.



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