Laboratório e Análises

Ambiente – Laboratórios nacionais podem realizar estudos para o GHS e o REACH

Marcelo Furtado
16 de dezembro de 2011
    -(reset)+

    Até mesmo entre os 33 laboratórios já reconhecidos, nem todos conseguem realizar os testes exigidos pela regulamentação europeia, que por ser a primeira do gênero está servindo de modelo para as demais. De acordo com a gerente da Abiquim, a maior parte deles limita a atuação a alguns tipos de estudo. Daí uma ideia em elaboração na Abiquim de criar uma espécie de tabela de qualificação de serviços dos laboratórios para melhor orientar a indústria química quando a demanda por estudos estiver aquecida. “Pelo que temos conhecimento, um laboratório é mais forte por exemplo em cromatografia líquida, outro em testes de ecotoxicidade e aí por diante”, explica.

    Química e Derivados, Inmetro, Ricardo Corrêa, BPL, OCDE, Laboratórios,

    Corrêa: Inmetro foi reconhecido pela OCDE para avaliar BPL em laboratórios – Foto: Divulgação

    A recomendação seguinte à capacitação para estudos de BPL, segundo Nícia Mourão, seria os laboratórios nacionais criarem estratégias de marketing e divulgação para no futuro começarem a vender o serviço, não só no Brasil como em outros países, com destaque para a América Latina. “É uma demanda em ebulição no mundo e precisamos nos preparar para não perder o tempo certo de investimento”, disse. Segundo ela, isso já ocorreu com o Reach, cujas pesquisas principais já estão em andamento e acertadas para as próximas fases de registro (2013 e 2018). E os laboratórios nacionais não participaram e nem participam em nada dessa grande onda de análises. Ao contrário, por exemplo, da Índia, que se tornou um grande cluster qualificado pela OCDE de análises para o Reach, a um custo inferior ao praticado na Europa.

    Burocracia – Mas também não foi apenas o tardio reconhecimento do Inmetro o grande impedimento para os laboratórios nacionais terem ficado de fora do Reach. Além de a grande maioria dos consórcios de produtos (os chamados SIEFs, que reúnem fabricantes de uma mesma substância que dividem os custos dos estudos) ser liderada por empresas europeias e norte-americanas, o que automaticamente as levam a contar com laboratórios e institutos de pesquisa de seus respectivos países, há um grande gap de competitividade entre as empresas nacionais e estrangeiras.

    E a diferença de competitividade não é nem por causa de tecnologia, tendo em vista que o Brasil conta com laboratórios de alto nível, mas da estrutura altamente burocrática do país, além da conhecida carga de impostos em cima de serviços laboratoriais. Para começar, a importação de padrões de amostras, reagentes e outros insumos laboratoriais é considerada uma péssima experiência. De acordo com Cynthia Pestana, diretora do Tecam Laboratórios, de São Paulo, a burocracia é tão grande no Brasil para importar insumos que muitas vezes a empresa vence prazos de análises por causa do embaraço aduaneiro de amostras.

    “O que muitas vezes precisa chegar em poucos dias pode demorar meses no Brasil. E isso em se tratando de amostras ou reagentes que não podem ficar armazenados de qualquer maneira e nem por muito tempo”, disse Cynthia. Apenas esse gargalo, que a diretora considera o principal dos laboratórios, já deixa o país nas últimas posições de competitividade global em análises toxicológicas e ecotoxicológicas. Aliás, a especialidade do Tecam, cuja metade dos serviços analíticos, baseados em estudos para BPL, atende às demandas para a indústria de agroquímicos, que possui lei federal para registro de toda nova mistura ou substância.

    Química e Derivados, Nícia Mourão, Assuntos Regulatórios, Abquim, Laboratórios

    Nícia: estudos BPL aumentarão com GHS no Brasil

    “As importações ficam paradas no correio, esperando liberação da Receita, de ministérios, Anvisa. Nem pagando a gente consegue liberá-las”, complementou a também diretora do Tecam Janete Moura. Isso obriga o laboratório a contratar representantes de produtos ou insumos para coordenar o processo, aumentando o custo operacional, o que também não garante maior rapidez. “O caos é generalizado e só vencendo essa barreira a gente pode um dia pensar em exportar serviços laboratoriais. Isso porque até os trabalhos feitos para clientes nacionais, que demandam insumos importados, são prejudicados. Imagina então para clientes externos”, disse Janete.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *