Ambiente – Indústria têxtil europeia adere à ecomoda

Atualmente, os produtos têxteis executados exclusivamente com fibras naturais derivadas do cultivo biológico são certificados e respeitam os critérios estabelecidos pelo Global Organic Textiles Standard (GOTS).
Um exemplo emblemático de moda consciente é o tecido biológico à base de soja desenvolvido pela La Reda, empresa italiana especializada em moda masculina.

“O tecido é tão brilhante quanto a seda e mais transpirante que o algodão porque absorve a umidade do ar com facilidade”, explica Ercole Botto Poala, proprietário da empresa. Além disso, graças à presença de aminoácidos, o tecido de fibra vegetal é macio, totalmente compatível com a pele e extremamente resistente.

Outra substância que começa a ser explorada no setor têxtil é a caseína, a proteína do leite, da qual pode-se obter um tecido ideal para a fabricação de camisetas e peças íntimas. Na Università Statale di Milano, a caseína é tratada com soda aquecida e assim se polimeriza, formando verdadeiras fibras estáveis que podem ser entrelaçadas sozinhas ou juntamente com a seda, o algodão ou caxemira.

Na Itália, um exemplo da aplicação do leite na indústria têxtil é a linha de camisetas chamada Milk Wear, lançada em junho do ano passado e distribuída pelo Woolgroup. Para produzi-las, inicialmente o leite é desidratado e desnatado. Em seguida, graças a modernas técnicas de bioengenharia, é utilizado também para a tecelagem. O resultado final é uma fibra com uma capacidade de absorção da umidade superior àquela típica das fibras sintéticas. Atualmente, o preço médio de uma camiseta da marca Milk Wear está por volta de 84 euros.

O preço, ainda elevado, também é uma característica da transformação em fibra do cânhamo (a mesma planta da maconha). Um consórcio da região da Emilia-Romagna, na Itália, está apostando nesta inovação, mas o maior obstáculo deste projeto é o custo do metro quadrado do cânhamo biológico: cerca de 22 euros, um valor superior ao do linho ou do algodão biológico. Este último tem sido muito apreciado pelos consumidores europeus. Basta pensar que, na Itália, um dos sucessos de crítica e de público é o Life Gate, um jeans totalmente confeccionado com algodão biológico.

Recursos marinhos – Outra novidade é o Crabyon, uma fibra realizada com a casca de caranguejos ou lagostas e empregada na produção de roupas esportivas. Trata-se de um tecido com ação antibacterial, analérgico, 100% biodegradável e composto de quitosana – derivado da quitina – e celulose. A quitina é uma substância cuja aplicação também está sendo estudada nos campos médico e nutricional e, o melhor de tudo, é que suas características não se alteram com o tempo ou com as lavagens frequentes.

Trata-se de um polissacarídio natural com uma estrutura química muito similar à da celulose. Uma de suas grandes vantagens é a sua capacidade de ativar duas enzimas que bloqueiam o desenvolvimento de bactérias responsáveis por inúmeras doenças.

Do ponto de vista prático, a fibra de Crabyon é obtida graças a um processo que inicia-se com a desproteinização da casca dos crustáceos descartados pela indústria de alimentos – a soda cáustica é utilizada neste processo. Em seguida, sofre a descalcificação com o uso de ácido clorídrico e a solução de quitina obtida depois dessas fases é misturada com a celulose. O último passo é um processo de fiação a úmido.

Na Itália, a empresa que comercializa a fibra de Crabyon é a Pozzi Electra e o custo médio da fibra misturada com cerca de 15% de algodão é de aproximadamente 11 euros por quilo.

Os recursos marinhos também se transformaram em suporte de uma grande inovação proposta por uma indústria alemã, ou seja, uma fibra de base celulósica com algas marinhas como a ascophyllum nodosum. Trata-se de um produto com características similares às da viscose, com valores de tenacidade comparáveis ao Lyocell ou às fibras de Tencel.

Projetada pela Smartfiber AG, a Seacell contém minerais, aminoácidos, hidratos de carbono, vitaminas e outras substâncias ativas contidas nas algas. Por isso, possui propriedades anti-inflamatórias e facilita a transpiração. Uma prova de que o binômio pesquisa e natureza ainda é uma estratégia válida para diferenciar-se em um mercado cada vez mais competitivo.

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