Ambiente – FIEMA apresentou técnicas para lidar bem com o lixo

química e derivados, fiema, eev, ecosol
Sistema autopropelido separa resíduos orgânicos dos recicláveis

Responde pelo nome de Empacotador Embolsador Veicular (EEV) uma alternativa para a mitigação racional e ecologicamente interessante das milhões de toneladas de lixo urbano retiradas todos os dias das ruas das cidades brasileiras. O equipamento permite a separação entre recicláveis e orgânicos. Posteriormente, o material orgânico é depositado em aterros sanitários, com terreno impermeabilizado com geomembranas. Depois de aproximadamente dois anos, isso será convertido em adubo.

A novidade foi apresentada na Feira Internacional de Tecnologia para Meio Ambiente – Fiema Brasil 2012, realizada em Bento Gonçalves-RS, de 24 a 27 de abril, com organização da Fundação Proamb.

A grande vantagem do Empacotador Embolsador é o fato de ele funcionar como usina móvel. Realiza o recolhimento dos resíduos de forma ágil, simples e segura, conforme informações do fabricante, a Ecosol, soluções ecológicas, situada em Santo Antônio da Patrulha-RS, a 70 km de Porto Alegre.

A operação do Empacotador vem sendo realizada em caráter industrial na cidade gaúcha de São Borja, na fronteira com a Argentina. O fabricante aguarda homologação pela Cetesb, órgão ambiental de São Paulo, para entrar em negociação com uma concessionária de recolhimento de lixo situada na capital paulista.

[toggle_box title=”Aterro segue projeto alemão” width=”550″]

A Proamb, fundação criada em Bento Gonçalves em 1991, tem seu foco de atuação em soluções ambien­tais por meio das suas quatro unidades de negócio (aterro industrial, asses­soria técnica, coprocessamento e feira ambiental). Foi idealizada e consoli­dada com a iniciativa de um grupo de empresários que se reuniu em busca de uma alternativa para a destinação correta dos resíduos industriais. Desde então, a entidade tem expandido sua base tecnológica e agregado serviços inovadores, sempre adiante das ex­igências do mercado. Localizado na Linha Brasil, distrito de Pinto Bandeira (Bento Gonçalves-RS), em um terreno de 27 hectares, o aterro industrial da Proamb realiza diariamente a destina­ção final de resíduos sólidos industriais classe I (perigosos) e classe IIA (não-inertes).

Inspirado em projeto alemão, o aterro industrial da Proamb obe­dece a rigorosas normas técnicas de projeto, construção e operação, que visam garantir proteção total ao meio ambiente. Atualmente, o aterro industrial tem capacidade para receber em média 1.200m³/mês de resíduos classe I e 1.800m³/mês de resíduos Classe IIA. Desde a entrada em funcionamento, em abril de 1999, já foram dispostos cerca de 60 mil metros cúbicos de resíduos, prove­nientes de indústrias de todo o Rio Grande do Sul.

A vida útil do aterro tem prazo indeterminado, pois está diretamente relacionada aos volumes recebidos, que tendem a variar em função do de­senvolvimento de novas tecnologias de Produção Mais Limpa e de recicla­gem dos resíduos. É considerado um dos aterros de resíduos industriais de menor risco poluidor da América Latina, tanto com relação ao projeto, quanto à gestão de processos.

[/toggle_box]

Segundo o diretor e sócio da Ecosol, Lindomar Silveira, os equipamentos são adaptados às atuais necessidades dos municípios, pois têm a finalidade de recolher o lixo e transportá-lo ao destino final, onde o aterro funciona como uma usina de fertilizante orgânico de propriedades químicas modestas. Esse adubo, após examinado por engenheiros agrônomos e tratado por químicos, conforme as necessidades da terra, pode funcionar em diversos tipos de lavouras. O empacotador é autopropelido porque, depois de triturado no caminhão com caçamba especial, todos os detritos são aspirados para sacos de polietileno de especificação apropriada para acomodá-los por dois anos, tempo necessário para a obtenção do fertilizante.

O sistema de aspiração dos resíduos está localizado na traseira da caçamba. “É uma solução para pequenas é médias cidades, mas pode funcionar em grandes cidades nas quais o recolhimento do lixo seja feito por bairros. É o caso de São Paulo, onde uma concessionária irá testar o sistema em uma determinada região”, explica Silveira. Cada bolsa de polietileno acomoda de três a quatro toneladas de resíduos, equivalentes a 24 metros cúbicos de lixo doméstico.

A Fiema 2012 despertou interesse ainda de empresas detentoras de licença para negociações com os créditos de carbono. Foi o caso da Bioplanet. A empresa de Porto Alegre atua na área de consultoria ambiental e levou para a feira o investimento nos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). Segundo a operadora de vendas da Bioplanet, Geisiana Pereira Lopes, os certificados de créditos de carbono (RCE) são emitidos quando se comprova a redução de emissão de gases causadores de efeito estufa, depois das auditorias definidas pelas consultorias credenciadas nos organismos internacionais.

Estes, por sua vez, definiram a medida internacional para o potencial de aquecimento global (GWP, de Global Warming Potencial). Por exemplo, o metano, um dos maiores vilões ambientais, tem a medida GWP 23, ou seja, é vinte três vezes mais deletério do que CO2, gás usado como referência para as medições.

“Para que uma empresa tenha direito de vender créditos de carbono, precisa cumprir requisitos relacionados com o desenvolvimento sustentável e adicionar alguma vantagem em favor do meio ambiente, seja pela absorção de dióxido de carbono, seja evitando o lançamento de gases do efeito estufa na atmosfera”, explica Geisiana.

Outra novidade apresentada na Fiema foram os equipamentos de alto desempenho para indústrias florestais, de fornos e estufas para o mercado nacional e internacional. A linha de reciclagem é uma alternativa da Bruno Industrial para a gestão de todo tipo de resíduo. Dentro dessa linha estão os trituradores de resíduos, de operação simples, baixo consumo de energia e emissão de ruído, que podem ser utilizados em qualquer lugar. Segundo o gerente comercial Anderson Kaiser, os trituradores são uma solução inteli-gente para o aproveitamento do resíduo industrial. “São ideais para o coprocessamento”, diz.

A Metalsinter Ambiental apresentou uma estação compacta para tratamento e reúso de efluentes. O sistema, lançado em maio de 2011, divide-se em três etapas: captação, tratamento e uso. De acordo com o coordenador comercial da empresa, Reinaldo Ferreira, o MS-ECO-RA é o equipamento mais vendido, pois possui um sistema operacional simples, custo operacional baixo, economia de água potável e menor investimento. “A estação tem muitas vantagens, mas o grande destaque é a tecnologia compacta e os diversos tamanhos do equipamento. Isso garante a grande procura”, salienta.

O biotratamento em instalações sanitárias industriais realizado com micro-organismos está saindo das grandes estações de tratamento de efluentes ETES para o consumo de varejo e doméstico. É o que promete a empresa Enzilimp com suas barricas de papelão, que variam de 500 gramas até 20 quilos de bactérias embaladas, que agora podem ser empregadas para limpeza de caixas de gordura de pequenos comércios, tais como restaurantes, bares, lavanderias, e em instalações mais complexas, como hospitais e unidades de atendimento médico, condomínios e casas, neste caso, para a limpeza e desinfecção de redes de esgotos internas, por exemplo.

química e derivados, presidente da Fiema Brasil, Márcio Chiaramonte, resíduo industrial
Chiaramonte: fundação transformará resíduo industrial em combustível

Evento inovador – O presidente da Fiema Brasil, Márcio Chiaramonte, deu as boas-vindas a todos os convidados e aproveitou a oportunidade para protestar e pedir aos governos que auxiliem o setor para a aquisição de novas tecnologias. Para ele, a Fundação Proamb transformou Bento Gonçalves em um polo que reúne todas as características favoráveis ao setor. Ele ressaltou que, para participar do evento, as empresas expositoras têm necessariamente que atuar em negócios comprovadamente comprometidos com a sustentabilidade. “Da Fiema depende o programa de sustentabilidade que o país precisa”, afirma Chiaramonte.

Conforme informou, a Proamb reuniu 600 empresários há mais de 15 anos para remediar seus resíduos industriais dentro das normas internacionais, o que correu com “extremo sucesso, por conta dos aterros de resíduos sólidos construídos em Bento Gonçalves, dentro de normas técnicas rigorosas, e aprovados por auditorias internacionais.

Agora, a entidade vai criar um sistema para transformar todos os resíduos industriais da região com propriedades inflamáveis em combustível industrial. Por conta de convênio firmado com a cimenteira Bagé, os resíduos caloríferos da região de Bento Gonçalves alimentarão o forno de coque da cimenteira, com planta industrial na cidade de Bagé-RS. Serão repassados ao grupo cimenteiro estopas, óleos, terras contaminadas, pneus e solventes usados.

O presidente ressaltou ainda os eventos simultâneos realizados nos quatro dias, como o primeiro encontro empresarial, englobando 330 reuniões da rodada de negócios. Segundo ele, a Fiema serve para estreitar contatos com empresas do setor, estimular negócios e expandir sua rede de relacionamentos comerciais. “A Fiema apresenta a cada ano novas tendências e práticas ambientais bem-sucedidas no setor, que transformou o evento em um gerador de experiências de negócios importantes para o sul do país”, encerra Chiaramonte.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.