Ambiente: Du Pont baiana recicla resíduos organoclorados

Transformar resíduo organoclorado sólido de alto peso molecular, um fundo de coluna à base de alcatrão procedente de dois processos industriais, em dois produtos – uma fonte de herbicida para cultivo de cereal não revelado e um intermediário de “grande interesse” na produção de outros herbicidas – rendeu em 2000 à fábrica Griffin-Camaçari, pelo segundo ano consecutivo, o prêmio de Crescimento Sustentado com o qual a Du Pont agracia suas conquistas tecnológicas, nas áreas de segurança, saúde e meio ambiente nos quatro cantos do mundo.

O prêmio foi entregue em Wilmington, Delaware (EUA), em setembro, a dois empregados da Griffin baiana: o líder de segurança e meio ambiente, Edmundo Tanajura e o operador de processos Valdeque Gomes.

A rota dos dois produtos foi desenvolvida em Camaçari, nos laboratórios de tecnologia e na planta piloto da fábrica de formulações de agroquímicos da Du Pont-Griffin, onde em outubro ocorreu a partida da produção do herbicida Diuron, para cana e beterraba.

Em sua planta multipropósito os produtos da Griffin são fabricados ou sofrem paralisação de produção de acordo com o mercado.

Além de agregar valor ao resíduo, a Griffin do Brasil, joint venture administrada pela Griffin e formada pela Du Pont (51%) e Griffin (49%), aumentou significativamente sua receita liquida ao deixar de literalmente torrar, ao custo de mais de 1.100 dólares/t, uma montanha do resíduo, agora elevada à condição de matéria prima a custo zero, que há quase dez anos formava a congestionada fila de incineração.

Foram investidos cerca de 3 milhões de dólares no desenvolvimento da rota e assegurado ganho de 10 milhões de dólares só com a não incineração, explica o engenheiro químico e líder de desenvolvimento de novos produtos, Weber Lobo.

Nas instalações da empresa de tratamento de resíduos e proteção ambiental de Camaçari, a Cetrel, a montanha do resíduo organoclorado, suficiente pelo menos para cinco anos da produção do herbicida e do intermediário, aguardou a incineração até a rota ser descoberta, revela a engenheira ambientalista da Griffin, Geórgia Ferreira.

Química e Derivados: Ambiente: Geórgia - resíduos para produção de cinco anos de herbicidas.
Geórgia – resíduos para produção de cinco anos de herbicidas.

“Foi salva da fogueira pelo gongo.” Para não dar pistas, Geórgia pede que a quantidade não seja revelada.

Mas admite que do volume que está sendo processado industrialmente, em função da produção do herbicida e do intermediário, mais de três quartos estão sendo trazidos de volta da Cetrel.

O restante representa a produção gerada atualmente na própria fábrica.

O herbicida e o intermediário resultam da estratégia exercitada na Griffin, baseada na constatação de que ao fim dos 15 anos, que caracterizam o tempo de vida de uma patente, ainda há longa sobrevida comercial para o produto e margem para a otimização do processo de produção.

Tal otimização no decorrer dos 15 anos não interessou à licenciadora. Estando só no mercado, não teria grande vantagem se continuasse investindo, revendo o processo.

Química e Derivados: Ambiente: Lobo - economia de US$ 10 milhões ao deixar de usar incineração.
Lobo – economia de US$ 10 milhões ao deixar de usar incineração.

“Nessas circunstâncias, sempre é considerado mais interessante aplicar recursos em novos produtos”, atesta Weber Lobo.

A empresa que a exemplo da Griffin se propõe a investir nas patentes vencidas, mas com sobrevida comercial, precisa possuir sua área de tecnologia e otimização de processos, recomenda Weber.

“Todas as empresas de Camaçari têm área de desenvolvimento de processos mas na Griffin esta área é diferenciada, faz parte do core business”.

É o verdadeiro negócio da empresa. Se tentar apenas repetir o processo como está licenciado, o negócio não será competitivo. As chances são poucas. “É imperioso aperfeiçoar a rota, reduzir os custos de produção.”

Na Griffin, para reduzir os custos há, entre outros esforços, o empenho estratégico em eliminar ao máximo a geração de resíduos.

Onde não é possível reduzir totalmente, ou significativamente, há a opção de encontrar novas aplicações, transformar resíduo em matéria-prima ou produto intermediário.

Mas esta hipótese só é valida, explica Weber Lobo, caso o novo produto possa ser processado em uma das unidades industriais da Griffi, utilize suas instalações ociosas. “Não basta encontrar uma nova rota, descobrir utilidade nova, é preciso desenvolver um processo que se adapte à unidade ociosa”.

Química e Derivados: Ambiente: Unidade da Griffin DuPont - meta é reduzir ao máximo os resíduos.
Unidade da Griffin DuPont – meta é reduzir ao máximo os resíduos.

Desta variação estratégica surgiram o novo herbicida e o produto intermediário. “A gente tem na verdade um programa de tecnologia limpa”, comemora Weber.

Alegando a necessidade de proteger os novos produtos da concorrência, principalmente o herbicida, a Griffin é parcimoniosa também em relação a informações comerciais, evita até revelar a marca adotada na comercialização. Informa apenas que toda a produção do herbicida é exportada.

Em 1999, a Griffin Camaçari foi contemplada pela primeira vez com o mesmo prêmio, dessa vez em reconhecimento pela criação de uma rota para transformar um resíduo que também seria incinerado em um produto requerido na produção de fórmica.

A Du Pont Griffin está instalada também em Barra Mansa-RJ, onde fica a matriz (escritório e formulações) e mantém um escritório de vendas em Campinas-SP. Nos EUA está sediada em Valdosta, na Geórgia. Possui também uma unidade na Colômbia, em Barranquila, onde produz o herbicida Diuron.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios