Resíduos Químicos – Cresce a oferta de Tratamentos Off Site

Química e Derivados, Tanques da ALL Efluentes, instalados em Camaçari-BA
Tanques da ALL Efluentes, instalados em Camaçari-BA

Uma joint venture formada pela Nova Opersan e a Tangará deu origem à ALL Efluentes Soluções Ambientais, que iniciou operações no começo deste ano em Camaçari-BA, com a capacidade inicial para tratar 3 mil m³ mensais de efluentes líquidos coletados em clientes diversos (off site).

A unidade de Camaçari pretende servir a um portfólio de 700 empresas instaladas na região, em atividades e portes diversos.

Operar sistemas de tratamento de efluentes off site não é novidade para a Nova Opersan, que já conta com outros cinco centros de tratamento especializado nos estados de São Paulo (3 instalações), Santa Catarina e Rio de Janeiro. A Nova Opersan foi criada em 2012, unindo os negócios da Opersan Resíduos (com quinze anos de atuação em tratamento offsite), Enasa e a gestora de fundos de private equity Pátria Investimentos.

“Temos operações de tratamento on site e off site, que respondem em partes praticamente iguais pelo faturamento”, comentou José Fernando Rodrigues, diretor-presidente da companhia.

Ele salienta que os negócios são radicalmente diferentes, dificultando comparações. Nos tratamentos on site, a Nova Opersan possui 50 unidades, em sete estados diferentes, atuando mediante contratos de longo prazo. Nesse ramo, cada instalação opera com grandes volumes cuja composição química varia muito pouco, refletindo o andamento do processo produtivo para o qual foi projetada.

Química e Derivados, Rodrigues: faltam normas mais rigorosas para o setor no país
Rodrigues: faltam normas mais rigorosas para o setor no país

“A crise atual até nos favorece, porque abre novas oportunidades de negócios”, avaliou Rodrigues. O momento conjuga problemas em duas frentes. A primeira, mais óbvia, é a econômica, o ambiente deprimido que espreme a rentabilidade das indústrias brasileiras, obrigando-as a reduzir custos. A segunda decorre do recente período de seca prolongado, que ameaçou a continuidade dos processos produtivos situados, especialmente, na região Centro-Sul. “O suprimento de água ficou mais caro e as indústrias ainda se sentem ameaçadas pela sua escassez, isso aumentou o interesse por sistemas de reuso, dessalinização e tratamento avançado”, avaliou Rodrigues. “Porém, como os clientes estão descapitalizados, vários deles preferem vender suas estações e tratamento de efluentes para captar recursos, pagando depois pelo insumo tratado, respeitado o limite mínimo previsto no contrato, ou por um valor fixo mensal.” Ao transformar operação própria em pagamento a terceiros, isso redundará em redução de impostos a pagar, além de alocar menos recursos para esses processos. “Como o prestador de serviços é especializado nesse tratamento, ele pode executá-lo com mais segurança e menor custo, incorporando as tecnologias mais modernas”.

Pode-se dizer, portanto, que projetos on site exijam investimentos iniciais maiores, mas tenham faturamento mais estável e por longo prazo, em comparação com os off site. Nestes, o pagamento é diretamente relacionado à demanda efetiva. “Como os volumes são pequenos e muito mais variáveis, a remuneração unitária tende a ser maior, mas o risco é grande”, comparou Rodrigues.

Avanço em off site – Os tratamentos de resíduos líquidos produzidos por terceiros é uma atividade econômica com excelente potencial de crescimento no Brasil. “Há uma grande necessidade desse tipo de serviço no país, mas persistem alternativas informais, algumas perigosas para o meio ambiente, que tendem a desaparecer com o aumento de rigor nas regulamentações e na fiscalização”, considerou Rodrigues.

As empresas possuem sistemas de tratamento de efluentes compatíveis com seus processos internos típicos. Porém, quando são gerados efluentes sazonais atípicos, oriundos de intervenções de manutenção, por exemplo, ou se produzem lotes fora de especificação técnica, eles não podem ser lançados nos sistemas existentes, por serem incompatíveis. Esse problema é resolvido pelos tratamentos off site.

“No trabalho de prospecção, nossos técnicos verificam o volume de líquidos a tratar e colhem amostras que são enviadas para caracterização em nosso laboratório de Jundiaí-SP, onde será determinada sua composição e tratabilidade”, explicou Rodrigues. Com essas informações, a Nova Opersan verifica qual será o custo do tratamento e envia uma proposta ao interessado. “Quando algum lote não pode ser tratado, podemos promover a destinação final mais adequada que pode ser o coprocessamento ou incineração.” A proposta inclui a coleta, transporte qualificado, processamento e disposição final dos resíduos químicos líquidos.

Os processos de tratamento são executados por bateladas, compostas pela mistura de efluentes compatíveis, de modo a reduzir custos. Resíduos ácidos podem neutralizar resíduos alcalinos, por exemplo, diminuindo o uso de insumos para as respectivas neutralizações. Dependendo dos efluentes recebidos, é possível promover reações entre eles para gerar subprodutos comerciais viáveis.

No caso das centrais de tratamento de resíduos off site, o seu projeto inicial e sua localização geográfica são fundamentais. “Nossa divisão de novos negócios estuda regiões nas quais se vislumbre algum potencial de demanda, avaliando os tipos de indústria existentes”, explicou. Setores como galvanoplastia, metalomecânico, alimentos e tinturarias sempre representam boas possibilidades, dada a variedade de efluentes gerados.

“Falta ao Brasil uma regulamentação mais clara do que pode ou não se fazer com os efluentes, hoje esse mercado está muito aberto, isso é um risco”, afirmou. A Nova Opersan, por exemplo, não trabalha com óleos lubrificantes usados, campo regulado pela ANP. “Nós processamos emulsões oleosas, efluentes que são difíceis de tratar”, disse. A companhia opera com todas as licenças necessárias.

Cada central de tratamento off site é equipada com as tecnologias mais adequadas ao perfil regional dos clientes. “Temos um portfólio extenso de tecnologias de tratamento que forma sendo agregadas com a aquisição e fusão de companhias”, explicou. “Recentemente, houve uma reorganização do portfólio e agora estamos vendo o que há de inovações lá fora para ampliarmos nossa oferta de tratamentos, tanto para off site quanto para on site.” Técnicos da Nova Opersan estarão presentes na IFAT, grande feira europeia voltada ao saneamento ambiental.

No cenário atual, a companhia consegue alcançar a rentabilidade esperada e planeja investir R$ 100 milhões por ano em projetos de on e off site. “Temos espaço para crescer, pois ainda não estamos presentes em estados importantes como o Paraná e Minas Gerais”, comentou. Além de prospectar novas aquisições no país, a Nova Opersan estuda ingressar no México e nos países da América do Sul.

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