Meio Ambiente (água, ar e solo)

Ambiente – Cetrel cria empresa para recuperar resíduos industriais

Jose Valverde
17 de outubro de 2011
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    Machado: foco na revalorização de metais

    Caso o processo de recuperação de um ou outro metal possa liberar algum resíduo instável, o que pode e deve ser feito? Machado responde: recuperada a espécie química, o material solúvel deve ser agregado a um composto onde permaneça estabilizado. A sugestão mais imediata é a agregação a blocos de material de construção, telhas etc., mas não como se faz usualmente, sem previsão das consequências. Para tanto, é preciso caracterizar o resíduo antecipadamente, apontar os possíveis efeitos e reações que possam causar em determinadas circunstâncias, e a qualquer tempo. “Não será porque a telha não estourou logo que a solução está aprovada.”

    Para que esse procedimento seja bem-sucedido, o Cita se propõe a observar, previamente, como o material propenso à instabilidade está estruturalmente estabilizado na natureza, para que o mesmo processo seja simulado em laboratório. Alexandre Machado dá um exemplo: em atendimento à demanda de uma empresa, às voltas com um resíduo contendo alto teor de mercúrio, identificou-se que na natureza, combinado com o enxofre, esse metal forma um composto altamente estável, insolúvel, o cinábrio (sulfeto de mercúrio). “No laboratório, obtivemos um composto com característica semelhante”, assegura.

    Assim estabilizado, o mercúrio pode ser vendido como matéria-prima. O executivo lembra que o país importa mercúrio. E arremata: “O que o Cita faz? Faz uma reengenharia do material, examina os elementos nele contidos, o estabiliza, e assim transforma esse material em matéria-prima.”

    Uma idealizada extensão desse projeto é a que prevê um salto à frente na reciclagem da sucata eletrônica (e-lixo), notadamente dos metais como ouro, prata e paládio contidos em computadores e celulares – os mais valiosos –, e também, cobre, estanho, gálio, rutênio, índio, bismuto etc. Para recuperar esses metais nobres e valiosos está nos planos estabelecer parcerias, até mesmo em outros estados, a começar pelo Rio Grande do Sul, onde a Braskem controla o 3º Polo Petroquímico.

    Compósitos– Uma das linhas de compósitos em desenvolvimento é a da madeira plástica, barras e perfis adequados à construção de decks de piscinas, tablados de varandas e áreas externas, revestimentos de paredes, bancos de jardins etc. Tal madeira resulta da combinação de polímeros sintéticos com restos de fibras naturais.

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    O Cita é uma sociedade sociedade entre a Braskem e o governo baiano

    Grãos de PP, PE e PVC caídos do reator, perdidos no decorrer dos processos e nos efluentes, decantados nas barreiras de contenção do sistema de água pluvial ou sob forma de aparas procedentes de empresas de transformação são a matéria-prima da madeira plástica, juntamente com restos de celulose de uma fábrica local.

    A motivação dessa linha reside no mercado florestal, que no Brasil movimenta US$ 28 bilhões por ano e rende ao país embaraçoso passivo de acusações de desmatamento, destruição do meio ambiente e outros desmazelos.
    Com compósitos formados por restos de PP e PE e fibras naturais particuladas, como sisal ou bagaço da cana-de-açúcar, já foram produzidos protótipos de contêineres, móveis e cadeiras, manequins para roupas e outros objetos. Uma educativa exposição desses objetos está presente em uma das salas do prédio construído recentemente na área da Cetrel, onde o Cita foi instalado.

    Pavimentação – Além de solução para transformar cinzas e escórias, solos contaminados por hidrocarbonetos e restos betuminosos da refinaria à condição de matérias-primas, o projeto de pavimentação e produção de cimentos oferece também mais uma alternativa à incorporação, e consequente estabilização, dos compostos instáveis que possam resultar da recuperação de algum metal.

    O líder de pesquisa, desenvolvimento e inovação fala sumariamente das massas asfálticas e artefatos (blocos, bloquetes etc.) que foram ou estão sendo desenvolvidos e apresenta algumas amostras. Ele justifica: os detalhes não podem ser revelados em razão de as patentes ainda estarem em tramitação. “O que podemos ressaltar é que todos os produtos atendem aos requisitos necessários para a utilização segura na pavimentação.”

     



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