Alimentos: Setor registra crescimento robusto

Desempenho do setor alimentício registra crescimento robusto

A indústria de alimentos e bebidas encerrou 2021 com faturamento de R$ 922,6 bilhões, o equivalente a um incremento de 16,9% em relação ao ano anterior.

Nesse período, o mercado cresceu 3,2% em vendas reais e 1,3% na produção física.

“Somos o maior setor econômico do Brasil, o que mais fatura e gera empregos na indústria”, afirma João Dornellas, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

Aliás, a questão empregatícia se destacou.

Foram 21 mil novos postos de trabalho, no ano passado, o equivalente a um incremento de 1,2% em relação a 2020. Este mercado já empregava perto de 1,7 milhão de pessoas (contratações formais e diretas).

“O nível de empregos vem crescendo nos últimos cinco anos”, pontua Dornellas.

As vendas para o mercado interno representaram 73,5% do faturamento de 2021.

O crescimento foi de 1,8%, em relação ao ano anterior, por conta, sobretudo, do food service.

Em 2019, esse segmento correspondia a 33,1% do mercado brasileiro de alimentos e bebidas.

Em 2020, devido à pandemia, passou a responder por 24,4%.

Porém no ano passado, se recuperou um pouco e o índice subiu para 26,3%.

A expectativa é de que neste ano o segmento tenha mais vigor e represente 29% do setor.

“Esse dado significa que a vida está voltando ao normal”, ressalta Dornellas.

O mercado externo, por sua vez, respondeu por 26,5% do faturamento da indústria, no ano passado.

Com crescimento de 18,6%, as exportações atingiram um recorde histórico, somando US$ 45,2 bilhões.

“Essa cifra nunca havia sido atingida”, ratifica Dornellas.

Os principais produtos exportados foram: carnes, açúcares, farelo de soja e outros, sucos e preparados vegetais, óleos e gorduras, preparações alimentares, chocolates, preparações de cereais e laticínios, respectivamente.

Países como China, Estados Unidos, Holanda, Hong Kong e Indonésia, nesta ordem, se estabeleceram como os maiores consumidores.

Preços altos – No ano passado, as perdas provocadas pela seca e as fortes geadas que ocorreram em algumas regiões do Brasil se refletiram na alta dos preços das commodities agrícolas, que, por sua vez, impactou drasticamente os custos de produção dos alimentos.

O preço do café aumentou 60%; óleo de palma, 55%; soja e milho, 43%; açúcar, 36%; trigo 28% e o leite, 24%.

Dornellas cita o expressivo aumento dos custos das embalagens, que chegou a 100% (especialmente no caso das plásticas), e da energia (alta de 43%), e do petróleo (67%).

“Todos esses índices afetam de maneira importante o preço final dos nossos produtos”, comenta.

Ele destaca ainda que, no final de 2021, o índice de preços dos alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) subiu 28,1% em relação ao ano anterior – o maior patamar dos últimos dez anos.

2022 – As perspectivas para a indústria de alimentos e bebidas para este ano são positivas.

Dornellas prevê aumento entre 1,5% e 2%, nas vendas reais.

“Temos uma expectativa de recuperação do poder de compra, e de queda do desemprego”, afirma.

Ele aposta na transformação digital gerada pela pandemia.

“O e-commerce, o delivery e os novos modelos de negócios vieram para ficar”, diz.

Quanto ao mercado externo, a previsão é de manutenção do faturamento entre US$ 45 bilhões e US$ 46 bilhões.

Considerando a entrada da nova safra de grãos, a partir de fevereiro – se confirmadas as projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de expansão de 12,5% no volume de produção – as previsões são de melhor disponibilidade de matérias-primas e redução das pressões sobre os custos de produção.

“O preço das principais commodities pode cair”, prevê. (Renata Pachione)

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios