Alimentos – Química agrega valor nutricional com uso de novos ingredientes

Química e Derivados, Claudia Yamana, Gelita, ampliação de peptídeos com propriedades funcionais
Claudia: ampliação de peptídeos com propriedades funcionais

Além de trabalhar diversas características técnicas dos alimentos industrializados, como textura, aeração e emulsão, tais produtos, explica Claudia Yamana, vice-presidente de marketing e vendas da Gelita nas Américas, podem também agregar um diferencial hoje bastante valorizado: a qualificação como alimentos funcionais, que não apenas nutrem, mas também promovem benefícios à saúde dos consumidores.

Claudia cita, entre os produtos da Gelita hoje com propriedades funcionais, o Verisol, peptídeo bioativo de colágeno destinado ao cuidado com a pele, já presente em itens como chocolates e bebidas, e o Fortigel, também um peptídeo, porém voltado para a saúde das articulações, integrado às formulações de suplementos alimentares. “O Verisol e o Fortigel são sustentados por uma série de estudos clínicos que comprovam sua efetividade. Ambos os produtos são proteínas puras, não alergênicas, e quando adicionados em outras soluções não alteram seus valores sensoriais”, afirma Claudia.

A Gelita também desenvolveu um produto denominado Thermagel, destinado a produtos à base de gelatina comercializados em países tropicais, aos quais confere maior resistência ao calor (simultaneamente, diminui seu tempo de secagem). “Todos os nossos produtos são proteínas 100% naturais e puras; e a indústria alimentícia vê com bons olhos essas características, pois os associa a alimentos mais saudáveis e melhor balanceados nutricionalmente”, destaca Claudia.

Também na CP Kelco, diz Marina, os produtos têm essa origem natural (vegetal, mais especificamente). Sua goma xantana, por exemplo, provém da biofermentação de um micro-organismo extraído das folhas do repolho, enquanto a goma gelana utiliza um organismo extraído do lírio aquático. Há ainda, no portfólio da CP Kelco, produtos provenientes de frutas cítricas, polpas de madeira e algodão, e algas marinhas vermelhas.

Química e Derivados, Mauro Patrus, Givaudan, aromas mais realísticos para satisfazer consumidores
Patrus: aromas mais realísticos para satisfazer consumidores

Essas várias famílias de hidrocoloides têm aplicações específicas: por exemplo, adequando-se a distintos níveis de pH. “As pectinas trabalham em pHs ácidos, sendo utilizadas em bebidas ácidas, proteicas ou sucos; já as gelanas são versáteis, e podem ser usadas em bebidas acidificadas e neutras, como é o caso das bebidas achocolatadas, em sucos, chás e águas saborizadas”, detalha Marina.

Mais com menos – Alimentos posicionados como mais “naturais” não constituem a única alternativa hoje empregada pela indústria alimentícia para satisfazer às atuais demandas dos consumidores: ela também expande seu investimento no enriquecimento desses produtos com vitaminas e minerais, entre outros.

Com isso, além de conferir a seus produtos tons mais saudáveis, essa indústria também se integra mais decididamente ao conceito da “conveniência”, pois uma das promessas de alimentos enriquecidos é proporcionar às pessoas os mesmos valores nutricionais das refeições de elaboração demorada.

A Purac oferece uma linha de lactatos de minerais com os quais é possível, por exemplo, agregar cálcio a sucos e a bebidas à base de soja, ou ferro a produtos infantis. E se essa adição de ferro a alimentos destinados às crianças já é um processo consolidado, “há outros minerais cujo uso vem se constituindo como tendência, como zinco e magnésio”, observa Moreira, da Purac.

O zinco, especificamente, pode dotar um alimento de características antioxidantes, destaca Dosualdo, da M.Cassab. Mas, nesse mesmo segmento dos antioxidantes, a M.Cassab começa agora a comercializar no Brasil uma substância denominada glutationa, já utilizada em um suplemento vitamínico e em um creme para a pele; o uso nesses dois mercados aparentemente distintos, alimentação e beleza, expõe um movimento de crescente sinergia entre as indústrias alimentícias, farmacêuticas e de cosméticos: “Há atualmente o conceito da ‘beleza que vem de dentro para fora’, e um grande número de empresas desses três setores hoje procura atuar em mais de um deles”, explica Dosualdo.

Além das tendências gerais de promoção da saúde – e da simultânea necessidade de agregar prazer e gratificação aos consumidores –, a indústria alimentícia, diz Patrus, precisa observar também alguns movimentos mais específicos, como a maior abertura das pessoas a novas experiências e a integração das pessoas aos ambientes nos quais elas vivem. “Por exemplo, baianos e mineiros se interessam por alimentos das regiões onde vivem”, exemplifica.

[toggle_box title=”INDÚSTRIA DEVE CRESCER ATÉ 5% EM 2013” width=”530″]

Relativamente a 2012, o desempenho da indústria brasileira de alimentos deve ser melhor este ano, crê Amílcar Lacerda de Almeida, gerente do departamento de economia e estatística da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia): “A produção este ano deve crescer algo entre 4,5% e 5,0%”, prevê. Em 2012, esse índice de crescimento atingiu 3,7%, bem inferior aos índices dos anos anteriores: 4,9% em 2011 e 5,1% em 2010.

Entre as causas dessa redução do ritmo de crescimento no ano passado, Almeida lista a queda nas exportações setoriais, que geram cerca de 20% do faturamento, caindo de R$ 44,8 bilhões, em 2011, para R$ 43,4 bilhões. Houve ainda menor disponibilidade de grãos e de insumos para a pecuária, com o consequente aumento de preços das matérias-primas cárneas.

Em 2013, adianta o gerente da Abia, crescerá a produção agrícola brasileira, e com isso os preços das matérias-primas devem baixar. “Mas novamente o crescimento deve decorrer principalmente do mercado interno, as exportações devem crescer pouco”, ressaltou.

E essa perspectiva de uma conjuntura mais favorável no decorrer do ano é confirmada por Gama, da Purac, empresa que no ano passado concluiu um investimento para ampliar em 35% a capacidade de sua fábrica brasileira (localizada no município fluminense de Campos). “Agora, investiremos mais no desenvolvimento de produtos que não sejam aditivos”, enfatiza Gama.

A Givaudan, diz Patrus, deve ainda neste primeiro semestre inaugurar oficialmente as obras de reformulação e ampliação da sua unidade nacional (localizada na capital paulista). “E já estamos com um processo de aprovação para novos investimentos no Brasil, seja na ampliação da capacidade dessa unidade ou em novas estruturas de controle de qualidade”, detalha.

Atualmente, afirma Claudia, da Gelita, o consumidor brasileiro está muito atento a inovações, e sabe o que acontece em outros mercados. “Isso requer uma indústria sempre atualizada e pronta para desenvolver novos produtos e soluções”, enfatiza. No mercado brasileiro, a Gelita vem obtendo incrementos anuais de negócios situados na casa dos dois dígitos.

Além disso, complementa Marina, da CP Kelco, “o consumidor está descobrindo e cobrando as novidades ligadas às megatendências de consumo, em especial conveniência, sabor e fortificação”, observa. No Brasil, a indústria de alimentos não cresce somente com a atividade das multinacionais, mas também pela ação de empresas locais.

Para Almeida, da Abia, há no Brasil demanda capaz de proporcionar à indústria alimentícia crescimentos anuais situados na faixa entre 5% e 7%, mas a possibilidade de obtenção desses índices é prejudicada por fatores já muito discutidos, como a carga tributária nacional.

Os segmentos dessa indústria apontados por Almeida como os de maior crescimento são exatamente aqueles capazes de atender a demandas como saúde e conveniência: “Cresce mais o segmento composto por alimentos diet, light e funcionais; depois vêm os congelados, supergelados e os desidratados”, especificou. “O desafio da indústria é continuar inovando, trazendo produtos com vida útil crescente, e mais próximos do natural.”

[/toggle_box]

Página anterior 1 2 3
Mostrar mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios