Alimentos – Química agrega valor nutricional com uso de novos ingredientes

Química e Derivados, PuraQ-Arome-NA4, solução fermentada do açúcar (dir.) reduz em 40% o teor de sódio dos alimentos
solução fermentada do açúcar reduz em 40% o teor de sódio dos alimentos

O programa TasteSolutions é também uma das iniciativas com as quais a Givaudan, mais conhecida como grande fabricante de aromas, busca agora tornar-se também provedora daquilo que Patrus chama de “tecnologias de sabor”, destinadas a atender às demandas mais prementes da indústria alimentícia, como a própria busca pela saúde. “Essa área de tecnologias de sabor vem crescendo bastante”, destaca.

Doce sem açúcar – Diminuir o sódio é apenas um dos desafios hoje colocados para a indústria alimentícia, que para oferecer produtos qualificados como mais saudáveis precisa reduzir também a presença de itens como gorduras e açúcar.

E na substituição do açúcar a principal aposta dos produtores de aditivos para a indústria alimentícia parece hoje recair nos adoçantes à base de stevia, que, por provirem de um vegetal, são qualificados como mais naturais, comparativamente aos adoçantes sintéticos mais tradicionais, como acessulfame-K, ciclamato, sacarina e aspartame.

Perante esses concorrentes, o adoçante de stevia por enquanto é utilizado em escala menor, uma vez que ainda apresenta problemas relacionados a um gosto residual pouco agradável. Mas há quase a certeza da expansão de seu uso, pois, além de produtos capazes de mascarar esse gosto, oferecidos por empresas como a Purac, há pesquisas para a superação desse obstáculo.

A distribuidora M.Cassab, por exemplo, anuncia a presença, em seu portfólio, de um adoçante à base de stevia, produzido na China por uma empresa canadense, que minimiza esse problema: “É um adoçante de alta pureza produzido com um composto da stevia, chamado rebaudiosídeo-A, com sabor mais similar ao do açúcar”, detalha Gustavo Dosualdo, diretor da área de life sciences do grupo M.Cassab.

Química e Derivados, Gustavo Dosualdo, M.Cassab, antioxidante glutationa pode ser dosado em alimentos e cosméticos
Dosualdo: antioxidante glutationa pode ser dosado em alimentos e cosméticos

A CP Kelco, embora tenha produtos comumente mais associados à reologia dos produtos alimentícios (o termo ‘reologia’ se refere não apenas à viscosidade, mas também a características como textura e corpo), também se posiciona como provedora de soluções adequadas à tendência de redução de açúcar nos alimentos industrializados. Classificados como hidrocoloides – caso das biogomas xantana e gelana, e de biopolímeros como pectinas e carragena, entre outros –, os produtos dessa empresa são utilizados em larga escala em itens como bebidas acidificadas, neutras e carbonatadas, sucos, produtos lácteos, sobremesas de base água e de base láctea, recheios dos produtos de panificação, geleias e produtos cárneos.

Entre eles, há integrantes de um portfólio de pectinas cítricas – comercialmente denominado Genu –, anunciadas como aptas a recuperar características sensoriais, controlar sinérese e influenciar na textura de produtos alimentícios associados a essa tendência. Marina Gallo Boldrini, gerente de marketing para a América Latina da CP Kelco, destaca que também é possível desenvolver barrinhas de cereais, segmento relevante para a indústria alimentícia, totalmente sem açúcar, usando hidrocoloides desse portfólio, aos quais se agregam ingredientes como frutas e grãos, entre outros. “Hidrocoloides também têm funcionalidades capazes de conferir características sensoriais mais agradáveis a produtos diet ou light”, destaca Marina.

Ao mesmo tempo, buscam-se conservantes posicionados como mais naturais. A M.Cassab, por exemplo, disponibiliza dois conservantes provenientes da fermentação de bactérias ácido-láticas. Denominados nisina e natamicina, eles pretendem, especialmente nos segmentos dos alimentos lácteos e cárneos, colocar-se como concorrentes dos conservantes sintéticos hoje utilizados em maior escala, como propionatos, benzoatos e sorbatos. “Em categorias como os requeijões, já é bastante acentuada a substituição dos conservantes tradicionais pelos provenientes da fermentação”, conta Dosualdo.

A Purac também quer, com seus produtos gerados pela fermentação de açúcar, atuar mais intensamente no segmento dos conservantes qualificados como mais naturais: “Este ano investiremos muito na área dos antifúngicos”, adianta Moreira.

De animais e de vegetais – O atual interesse da indústria alimentícia por insumos capazes de conferir características mais naturais a seus produtos é apontado como fator de ampliação dos negócios também na Gelita, cujos produtos têm como matriz básica proteínas colagênicas extraídas, no Brasil, de pele de bovinos (em outros países, também de pele de suínos e ossos bovinos).

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