Alimentos e Bebidas

Alimentos: Indústria registra incremento consistente na procura por insumos de alta qualidade – Perspectivas 2018

Antonio C. Santomauro
28 de fevereiro de 2018
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    Química e Derivados, Alimentos: Indústria registra incremento consistente na procura por insumos de alta qualidade - Perspectivas 2018

    Embora dedicada a satisfazer uma necessidade vital dos seres humanos, a indústria alimentícia também sofre com as conjunturas adversas, como a vivida pelos brasileiros nos últimos anos. Mas as pessoas nunca deixam de comer, podem, no máximo, consumir alimentos mais baratos, ou eventualmente até comer menos. E buscam se gratificar com alimentação de melhor qualidade tão logo percebem alguma melhora no poder de compra. Assim, além de constituir um dos setores menos impactados por crises – e dos que mais demoram a sentir seus efeitos –, a indústria alimentícia, dizem estudiosos, é também daqueles que mais rapidamente se recuperam quando a economia reaquece.

    Química e Derivados, Alimentos: Indústria registra incremento consistente na procura por insumos de alta qualidade - Perspectivas 2018

    Geralmente, relata Denis Ribeiro, diretor do Departamento de Economia da Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação), essa indústria se expande em índices pelo menos similares aos da evolução do PIB, podendo até crescer mais. “Estimando-se então para 2018 um crescimento de 2,5% no PIB brasileiro, pode-se esperar que a indústria alimentícia nacional crescerá 2,8%, ou 2,9% no período”, projeta Ribeiro. Detalhe: há já quem visualize para este ano uma expansão do PIB brasileiro até superior aos 2,5% com os quais trabalha o profissional da Abia.

    Química e Derivados, Collino: ingredientes esperam vendas 20% superiores ao PIB

    Collino: ingredientes esperam vendas 20% superiores ao PIB

    Essa perspectiva de crescimento em índices superiores aos do conjunto da economia é compartilhada por Hélvio Collino, presidente da Abiam (Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos): “Tenho confiança que 2018 será um ano positivo para nós. A economia do país claramente avança, e acho que poderemos crescer uns 20% acima do índice do PIB”, afirma.

    Atualmente, detalha Collino, a indústria de ingredientes e aditivos para alimentos pode ser subdividida em duas vertentes básicas: uma delas, ainda amplamente majoritária em termos de volume de negócios, fundamentada em produtos dito ‘commoditizados’, como amidos, fosfatos, emulsificantes, entre outros itens; a outra, composta por produtos mais inovadores, destinados a categorias como os alimentos funcionais ou aqueles com o apelo do ‘natural’. “O primeiro desses dois segmentos hoje cresce mais ou menos de acordo com o PIB, e o segundo, avança em média 50% acima disso”, especifica o representante da Abiam.

    Ambas essas vertentes, prossegue Collino, devem ser beneficiadas pela conjuntura mais favorável prevista para este ano. “Deverá, porém, haver movimentação mais incisiva no segmento das commodities, que alavancam mais os negócios do setor”, ressalta.

    Preços mais baixos – Além de naturalmente favorecidos pelo movimento geral de reaquecimento da economia nacional, os negócios da indústria brasileira de alimentos serão impulsionados em 2018 também pela continuidade da queda dos preços de seus produtos, ressalta Amílcar Lacerda, diretor-adjunto do Departamento de Economia, Planejamento e Comércio Exterior da Abia.

    Química e Derivados, Alimentos: Indústria registra incremento consistente na procura por insumos de alta qualidade - Perspectivas 2018

    Essa queda de preços, relata Lacerda, teve início em 2017, e teve como principal causa a “supersafra” de grãos colhida no Brasil no ano passado, com a consequente abundância de matéria-prima para a indústria alimentícia. “Apenas no período de doze meses encerrado em outubro último, a chamada inflação doméstica, composta principalmente pelos preços dos alimentos, registrou queda de 5,1%”, especifica. “A queda nos preços dos alimentos deve se manter em 2018, até porque quando começar a próxima safra as variações começarão a ser calculadas a partir de um período no qual os preços dos alimentos ainda estavam em alta, eles começaram a cair somente em maio”, acrescenta Lacerda.

    Nesse período dos dez primeiros meses de 2017, ao qual se refere Lacerda, a indústria brasileira de alimentos registrou, relativamente ao mesmo período do ano anterior, crescimento real de 3,13% em suas vendas, e de 2,18% no volume de produção (ver Tabela 1). Houve crescimento mais acentuado em segmentos como Conservas e Cereais, e quedas em outros, como Carnes e Bebidas (Tabela 2).



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