Alimentos – Indústria amplia alternativas nutricionais com inovações

Química e Derivados - Alimentos - Indústria amplia alternativas nutricionais com inovações

Alimentos – Indústria amplia alternativas nutricionais com inovações, conforme normas atualizadas – Perspectivas 2020

Impulsionado pelo surgimento de nichos, o mercado de alimentos e bebidas consolida a tendência pela busca de uma alimentação saudável. Melhorias no perfil nutricional dos produtos industrializados têm redesenhado o panorama do setor, na medida em que os novos desenvolvimentos da indústria, cada vez mais, ganham versões com menos calorias e adição de ingredientes benéficos para o organismo.

Química e Derivados - Sabonaro: produtos com rótulo limpo são os que mais crescem ©QD Foto: Divulgação
Sabonaro: produtos com rótulo limpo são os que mais crescem

“A categoria de alimentos com rótulos ‘livre de ’ ainda é a que mais cresce entre os alimentos industrializados em todo o mundo, como, por exemplo, produtos sem ou com redução de açúcar. No Brasil, não é diferente ”, diagnostica Cleber Sabonaro, gerente de Economia e Inteligência Competitiva da Abia – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos. Para ele, além do conceito clean label (rótulo limpo) , a busca por alimentos que oferecem benefícios à saúde do consumidor é uma tendência que deve permanecer em 2020, com destaque para o aumento da demanda por alimentos fortificados/enriquecidos, funcionais, diet , light /zero e naturalmente saudáveis.

A avaliação de Helvio Tadeu Collino, presidente da Abiam – Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos, vai no mesmo sentido. Segundo ele, tende a ser cada vez maior a parcela da população com acesso à alimentação equilibrada e saudável, o que refletirá diretamente nas novas diretrizes do setor. “As mudanças de hábitos em busca de mais saúde e maior longevidade estão exigindo – e devem exigir mais ainda – um grande esforço e investimento da indústria para responder a essas demandas ”, comenta.

O alimento visto como sinônimo de saúde está no cerne das tendências do setor. Até por esse motivo, Gisele Cardozo, porta-voz da Abiad – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres, estima que para o próximo ano irão se sobressair os produtos que ofereçam aumento no teor de proteínas, redução de açúcares e diminuição ou exclusão de conservantes e aromas artificiais e afins. Ela também vislumbra demanda para alimentos sem lactose, glúten ou conservantes, acrescidos de probióticos.

Outra aposta de Gisele recai sobre os leites com adição de fibras e vitaminas, e os tipos zero lactose, orgânicos e com ômega 3, além dos iogurtes com alta concentração de proteína – entre 14 e 25 gramas. “O mercado de leite vegetal tem avançado no país, o que demonstra a busca por ampliar o leque de opções para atender aos diferentes perfis de consumidores e suas demandas nutricionais ”, comenta. Ela também destaca os alimentos e suplementos para vegetarianos e veganos.

Gisele relata que há um crescente interesse da população em qualidade de vida e em uma nutrição correta em prol do bem-estar e da perda de peso. ”O mercado de suplementos está crescendo em todo o mundo ”, comenta. Segundo ela, a aprovação do marco regulatório dos suplementos alimentares no Brasil, em julho de 2018, representou uma importante etapa do setor, pois possibilitou inovações no âmbito da produção e facilitou o acesso aos suplementos alimentares mais modernos, seguros e eficazes para os consumidores. O mercado brasileiro é estimado em R$ 5,2 bilhões.

Destaques de 2019 – A mola motriz das melhorias no perfil nutricional dos alimentos industrializados reflete um novo tipo de consumidor. Segundo Sabonaro, a sociedade, hoje, está mais engajada e preocupada em adquirir produtos e serviços com alto valor agregado, desenvolvidos com ética e sustentabilidade. Por isso, aliás, nos últimos anos, a indústria criou inúmeros produtos com características funcionais e com maior densidade nutricional. “Muitos alimentos ganharam versões com menos calorias ou com adição de proteínas, fibras, vitaminas e minerais ”, reforça o porta-voz da Abia.

Essa postura do setor se traduz em números positivos. As vendas de alimentos industrializados que valorizam atributos de saúde e bem-estar, como os sem glúten ou lactose, os fortificados/enriquecidos, os funcionais e aqueles com redução de calorias, sódios e açúcares, entre outros, alcançaram vendas de R$ 70,3 bilhões (dados de 2018), o correspondente a uma participação de 10,7% do total. Segundo Sabonaro, nos últimos cinco anos, as vendas da indústria de alimentos desses segmentos cresceram, em média, 3,1% ao ano.

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    A avalanche de desenvolvimentos e projetos com foco na saudabilidade e no bem-estar marcou 2019. “Produtos com redução de sódio e redução de açúcar (mas com o mesmo sabor), alimentos com ingredientes de alegação funcional, produtos sem ingredientes de origem animal e alimentos orgânicos são alguns exemplos ”, reforça Sabonaro.

    Para o executivo da Abia, outro destaque do ano passado se referiu às foodtechs – startups do setor de alimentos e bebidas focadas no desenvolvimento de soluções tecnológicas. O presidente da Abiam concorda e vislumbra ainda mais espaço para a novidade. De acordo com Collino, as startups terão um papel cada vez mais importante na geração de inovações e na quebra de paradigmas. De acordo com a consultoria Builders, o número de startups cresceu de 53 (em 2018) para 332 (em 2019).

    Em linhas gerais, as foodtechs são empresas que utilizam a tecnologia para inovar. O conceito é abrangente; engloba o uso de softwares , automação e soluções diversas que repensam o modus operandi da cadeia alimentar. Além de proporem inovações no alimento, esse tipo de companhia foca em melhorias na relação com os clientes. A iFood, empresa brasileira do ramo de entrega de comida pela Internet, é um exemplo da categoria.

    Novas regulamentações – O ano passado foi pontuado também pela intensa atuação dos órgãos reguladores (Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa). “Houve (em 2019) conquistas e decisões sobre processos que vinham caminhando lentamente e há muitos anos. Isso é, de fato, algo que devemos comemorar ”, afirma Collino.

    A atualização da legislação de microbiologia para alimentos (Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 331/19) foi um dos destaques. A resolução estabeleceu os padrões microbiológicos de alimentos e sua aplicação, abrangendo todos os setores envolvidos nas etapas de produção, industrialização, armazenamento, fracionamento, transporte, distribuição, importação e comercialização dos alimentos. Outro exemplo ficou por conta da atualização da legislação de aditivos para produtos cárneos (RDC 272/19). Esta, por sua vez, estabelece os aditivos alimentares autorizados para uso em carnes e produtos cárneos, suas funções, limites máximos e condições de uso.

    A RDC 239/19 também configurou entre as conquistas do setor. Ela estabelece os aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia autorizados para uso em pescado e produtos de pescado, como um complemento à Portaria SVS/MS nº 540, de 27 de outubro de 1997. Collino cita ainda como um marco de 2019 a consulta pública encerrada em dezembro último para a revisão das atuais normas brasileiras de rotulagem nutricional de alimentos. Estimativas dão conta de que a Diretoria Colegiada deve avaliar essa temática de forma definitiva ainda no primeiro semestre deste ano.

    Um dos pontos altos em termos de regulamentação se deu também em dezembro, com as novas regras (RDC 332/19) para a presença de gordura trans nos alimentos industrializados, prevendo sua redução ou a sua eliminação. “Trata-se de uma tendência mundial, sendo assim, existem alternativas para o mercado e o impacto será mínimo ”, diz Collino. Sabonaro pensa da mesma forma: “a Anvisa acertou em cheio com a aprovação da nova resolução ”, reforça. O banimento do ingrediente dos processos produtivos é previsto para 2023.

    O Acordo de Cooperação Técnica da indústria com o Ministério da Saúde para a construção de um Plano Nacional de Vida Saudável, que inclui a melhoria no perfil nutricional dos alimentos industrializados, norteia e também sinaliza os próximos passos do mercado alimentício. No âmbito deste acordo, já foram retiradas mais de 310 mil toneladas de gorduras trans e mais de 17 mil t de sódio de 35 categorias de alimentos industrializados – com a meta de alcançar 28 mil t em 2020. Há também o Plano de Redução de Açúcares que prevê a retirada de 144,6 mil t de açúcares de 23 categorias de alimentos até 2022.

    Nos últimos anos, a indústria se viu às voltas com muitas discussões sobre a saudabilidade dos alimentos e bebidas. Como resposta às exigências do consumidor, a JBS lançou no final do ano passado uma linha de alimentos processados à base de plantas, e a BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, também anunciou para o início de 2020 uma linha completa de produtos à base de vegetais. Até mesmo um dos ícones do junk food, a gigante Burger King, não ficou imune e incluiu no cardápio a categoria de sanduíche de hambúrguer vegetal.

    Estes não devem ser casos isolados. A DuPont Nutrition & Biosciences divulgou dados da consultoria HealthFocus, segundo a qual 56% dos consumidores brasileiros têm aumentado o consumo de proteínas vegetais, e 67% deles estão interessados em consumir mais produtos com esses ingredientes. Pesquisa da Euromonitor International, apresentada pela Abia, reforça essa ideia. Segundo o levantamento, a demanda por alimentação mais saudável deve avançar ainda pelos próximos dez anos.

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