Alimentos e Bebidas

Alimentos: Funções nutritivas, cosméticos e farmacológicas avançam como tendências dessa indústria

Antonio C. Santomauro
29 de dezembro de 2017
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    Maior solubilidade – A redução do teor de sódio nos produtos alimentícios acontece não apenas pela substituição do sal tradicional. Há outras iniciativas, como o uso mais intensivo nas massas expandidas – casos dos pães e bolos –, de bicarbonato de amônio como alternativa aos fermentos compostos com bicarbonato de sódio e acidulante. Os fermentos com bicarbonato de sódio, explica Rogério Bonato, diretor da Boraquímica, quando aquecidos liberam água e gás carbônico, mas deixam o sódio no alimento. “Já o bicarbonato de amônio é totalmente volátil, não deixa resíduos”, ressalta.

    Também se desenvolve, destaca Bonato, o uso de adoçantes para além do universo dos produtos para diabéticos. “Com sabor cada vez mais próximo ao do açúcar, adoçantes são atualmente associados à redução calórica dos alimentos em geral”, relata o diretor da Boraquímica, empresa que recentemente incorporou ao portfólio diversos edulcorantes – como acessulfame K, aspartame, ciclamato, sacarina e sorbitol –, além do fermento químico de bicarbonato de amônio e das gomas.

    Bonato observa ainda crescente emprego dos fosfatos em diversas categorias de alimentos, oferecendo ampla gama de funções adicionais – acidulante, regulador de pH, estabilizante, entre outras. Os fosfatos fornecem ao organismo humano não apenas o fósforo, mas também minerais como cálcio, sódio e potássio.

    E nutrientes mais biodisponíveis, ou seja, mais facilmente absorvíveis pelo organismo por serem mais solúveis em água, constituem tendência atual da indústria alimentícia destacada por Jorge Machado Duarte, diretor industrial da Aksell. Ele cita, como nutriente já mais demandado devido a essa característica, o sulfato ferroso, que é altamente solúvel e constitui alternativa ao fumarato ferroso, que é menos solúvel, porém interfere menos no sabor. “Alguns fabricantes já dispõem de tecnologia, como o microencapsulamento, para usar o sulfato ferroso sem interferência no sabor”, explica. “E a tendência é ampliar o uso do sulfato ferroso, até porque ele também é mais barato que o fumarato”, acrescenta Duarte.

    Química e Derivados, Carvalho: uso de goma gelana avança na produção alimentícia

    Carvalho: uso de goma gelana avança na produção alimentícia

    Sócio-proprietário e diretor de marketing da Sunset, José Ramos de Carvalho nota a consolidação, na indústria alimentícia brasileira, do uso da goma gelana para, por exemplo, promover suspensão de pedaços de frutas em bebidas. “Isso já é comum na Ásia, e deverá ser mais aproveitado no Brasil”, prevê Carvalho, lembrando que sua empresa tem expressiva presença no mercado de gomas, fornecendo também antioxidantes, aminoácidos, aromatizantes, corantes, conservantes, edulcorantes de corpo, emulsificantes, espessantes, reguladores de acidez e estabilizantes, óleos essenciais, sucos concentrados, polpas, entre vários outros produtos.

    Paralelamente, Carvalho visualiza intensa busca por corantes naturais para substituir os sintéticos, mas tal tarefa não é simples, até porque, além de gerar custos adicionais, a maioria dos corantes naturais ainda não atende às especificações para aplicação industrial em produtos alimentícios. “Ainda é difícil encontrar, por exemplo, corantes naturais do tipo lake, que recobrem corantes e pastilhas; aqueles hoje disponíveis para essa aplicação se soltam facilmente nas mãos dos usuários”, ele diz. “Também deve crescer a busca por ingredientes nutracêuticos, já havendo forte demanda por sucos concentrados de frutas vermelhas, como blueberry, cranberry, cereja, morango, que contêm diversas substâncias com propriedades antioxidantes”, projeta.

    Segmentando os nichos – É de origem “natural”, ou seja, não decorre de síntese, todo o portfólio da Gelita, provedora de gelatinas e peptídeos bioativos para diversas aplicações da indústria alimentícia, como agentes gelificantes, estabilizantes, emulsionantes, formadores de película, entre outras. Essas gelatinas, por exemplo, podem ajudar a reduzir o teor de gorduras e carboidratos, e ainda aumentar o teor protéico de itens como balas, sobremesas, iogurtes, sorvetes, recheios, margarinas, patês, requeijões e produtos cárneos, detalha Eduardo Araújo, gerente de marketing e comunicação da Gelita para a América do Sul.

    Assim como os peptídeos bioativos, também as gelatinas da Gelita provêm de colágeno (no caso dessa empresa, no Brasil quase sempre extraído de couro bovino). Mas os peptídeos, ressalta Araújo, adequam-se muito diretamente às atuais tendências da indústria alimentícia por agregaram funções bioativas aos produtos. “O colágeno é extremamente importante para a saúde dos tecidos, assim como para a integridade dos músculos, ligamentos, tendões, articulações e ossos”, observa.

    Química e Derivados, Tacconi: parceria para atuar em nutrição personalizada

    Tacconi: parceria para atuar em nutrição personalizada

    A família de peptídeos da Gelita já inclui produtos como o Bodybalance e o Verisol, que prometem aos consumidores, respectivamente, ganho de massa muscular e beleza da pele com redução da celulite, e assim se inserem na crescente busca por alimentos funcionais, nutracêuticos ou nutricosméticos.

    Também a Basf disponibiliza para a indústria alimentícia ingredientes que, anunciando benefícios diretos para a saúde humana, podem se vincular a esses conceitos, como vitaminas, fitoesterol, betacaroteno e Ômega 3. Esse último, aliás, já se segmenta para atender demandas cada dia mais específicas: “Recentemente lançamos um Ômega 3 dirigido ao mercado vegetariano, pois ele não provém de peixes, como geralmente acontece, mas de algas marinhas”, conta Claudio Tacconi, gerente sênior de nutrição humana para a América Latina dessa empresa que também disponibiliza para a produção de alimentos estabilizantes, antioxidantes e emulsionantes, entre outros aditivos.

    A Basf, lembra Tacconi, em 2014, inaugurou em Jacareí-SP seu primeiro Centro de Aplicações de Nutrição e Saúde na América do Sul. E no início deste ano anunciou um acordo de cooperação com a empresa de suplementos nutricionais By-Health, que com ela trabalhará para desenvolver conceitos e tecnologia para soluções nutricionais personalizadas. “A parceria também inclui um estudo clínico conjunto sobre sarcopenia, doença associada à perda de massa muscular, bem como trocas regulares de insights e tendências do mercado”, ressalta. Também no começo deste ano, a Basf anunciou uma parceria com a startup Nuritas, em uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de peptídeos bioativos.



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