Alimentos e Bebidas

Alimentos – Exportações de proteína animal disparam

Renata Pachione
1 de abril de 2020
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    Química e Derivados - Alimentos - Exportações de proteína animal disparam

    Exportações de proteína animal disparam para suprir a China – Perspectivas 2020

    O aumento significativo da demanda de proteína animal para a China movimentou a indústria alimentícia como um todo em 2019. Um dos gatilhos para essa expansão se refere ao problema sanitário que prejudicou a produção de suínos no país asiático. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e industrializados) alcançaram 66,4 mil toneladas em novembro, volume 13,2% superior, se comparado com as 58,7 mil t embarcadas no mesmo período do ano anterior.

    O volume das exportações de carne de frango aumentou 3,1% em comparação com novembro de 2018, alcançando 332 mil t em dezembro último. A saber: o Brasil detém o título de segundo maior exportador de alimentos industrializados, em volume, e o quinto, em valor.

    Os dados mais recentes (de 2018) da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) informam que a China foi o segundo maior importador mundial de alimentos industrializados, com compras superiores a US$ 50 bilhões, atrás dos Estados Unidos, com cerca de US$ 90 bilhões.

    Tudo indica que, no ano passado, a indústria de alimentos expandiu em vendas reais entre 2% e 2,5%. A Abia trabalha com estimativas, pois ainda não tem os dados fechados de 2019. “O desempenho do setor foi prejudicado pela recessão econômica de 2014 a 2016”, observa Cleber Sabonaro, gerente de Economia e Inteligência Competitiva da associação. Para dimensionar o cenário atual, vale o registro de que o mercado alimentício faturou R$ 656 bilhões, em 2018, somadas as exportações e as vendas para o mercado interno. Aliás, na última década, o crescimento médio anual das vendas reais dessa indústria foi de 2,4% ao ano.

    De acordo com projeções da Abia, em 2020, as vendas reais da indústria de alimentos poderão crescer até mais do que 3%. Sabonaro faz uma ressalva. Segundo ele, essas perspectivas só terão validade, caso o crescimento previsto para este ano se confirme e a safra 2019/2018 se mantenha no patamar de 2018/2019.

    Segundo Gisele Cardozo, porta-voz da Abiad (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres), o mercado de bebidas não alcoólicas no Brasil, incluindo as categorias de águas, refrigerantes, sucos, chás, cafés e energéticos, deve crescer 10,6% em volume entre 2018 e 2023, passando dos 24,1 bilhões de litros, no ano passado, para 26,6 bilhões de litros ao fim do período. O consumo de água engarrafada, que chegou a 8,6 bilhões de litros de consumo no país, em 2018, deve ser o principal gatilho desse aumento, com crescimento de 20,2% até 2023. “O motivo desse incremento é a busca do consumidor por opções de bebidas mais saudáveis ”, explica.

    As projeções para 2020 são positivas. Segundo Sabonaro, o desempenho da economia mundial aponta para mais um ano de expansão, com previsão de aumento das exportações de alimentos para a Ásia, e um cenário cambial positivo para países emergentes como o Brasil. “Há um grande espaço para agregar valor às exportações brasileiras de alimentos, por meio da diversificação de produtos e acesso a novos mercados ”, diz.

    Sobre os desafios da indústria alimentícia, o executivo destaca as deficiências em infraestrutura dos sistemas logísticos do país. Segundo ele, a cadeia de produção e distribuição brasileira é prejudicada por esse problema. Outro gargalo que subtrai a competitividade da indústria nacional é a complexidade do sistema tributário. “Essa questão implica elevados custos de gestão e acúmulo de créditos de impostos nas operações de exportação, bitributação e oneração dos investimentos em bens de capital e infraestrutura ”, comenta Sabonaro.



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