Alimentos: ABIA divulga faturamento setorial acima de R$ 1 trilhão

Pela primeira vez na história, a indústria de alimentos do Brasil ultrapassou a marca de um trilhão de reais em faturamento.

As vendas para o mercado interno, em 2022, representaram R$ 770,9 bilhões, enquanto as exportações chegaram a R$ 304,4 bilhões, totalizando R$ 1,075 trilhão, o equivalente a crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior.

Esses dados foram divulgados pela Associação da Indústria de Alimentos (Abia), no início de fevereiro. Na ocasião, o presidente-executivo da entidade, João Dornellas, destacou que o setor registrou 1,8 milhão de empregos formais e diretos, o que representou um aumento de 58 mil postos.

“De quatro pessoas que trabalham na indústria, uma está na de alimentos e bebidas”, afirmou.

O setor também se manteve como o segundo maior exportador mundial de alimentos industrializados, em volume, e o quinto, em valor.

Foram comercializadas 64,8 milhões de toneladas, com destaque para as proteínas animais, açúcares, óleos e gorduras e farelos.

Alimentos: ABIA divulga faturamento setorial acima de R$ 1 trilhão ©QD Foto: iStockPhoto
Dornellas: resultado seria ainda melhor sem a guerra

“A indústria tem participação líquida de 17,6% de tudo o que o Brasil exporta”, disse Dornellas.

De qualquer forma, o país não depende da exportação. Do faturamento total, 72% vieram do mercado interno.

O food service (serviço de alimentação fora do lar) teve importante contribuição nos números do setor. Antes da pandemia, o segmento representava 33,1% das vendas e, posteriormente, caiu para 24%.

No ano passado, o índice alcançou 27%. Para 2023, a perspectiva é que avance e atinja 29%.

“É muito positivo ver que este mercado vem sendo retomado”, ressaltou Dornellas.

Alta nos preços – O desempenho do setor, no entanto, ficou aquém do seu potencial. A guerra entre Rússia e Ucrânia teve um grande impacto, pois os dois países são importantes produtores de grãos.

“Poderíamos ter tido um ano ainda melhor”, comentou Dornellas.

Especificamente, sobre os custos de produção, ele destacou que as principais commodities tiveram aumento, no ano passado, à exceção do milho.

“O alimento está caro aqui e no mundo. Os preços agrícolas dispararam no mundo inteiro, durante a pandemia”, reforçou.

A estiagem na região Sul, no começo de 2022, que reduziu a safra de soja, somada à restrição de oferta e aos preços altos dos insumos pressionaram os custos do leite e das demais proteínas animais.

Por outro lado, as safras recordes de trigo e a segunda maior de milho facilitaram a acomodação dos preços nos últimos três meses do ano, por conta da maior disponibilidade interna desses grãos.

A variação nos preços do café e do leite foi de 24%, do trigo 20% e do óleo de palma, 13%, enquanto da soja e do açúcar, 11% e 7%, respectivamente.

Esses são índices FAO/ONU, do acumulado de 12 meses (2022 versus 2021).

Em 2022, as embalagens registraram alta nos preços na ordem de 30%, e o combustível de 25% (diesel) e 30% (gás natural).

Tudo isso somado gerou um impacto médio no custo da fabricação dos alimentos em torno de 15%.

“Os alimentos, no ano passado, subiram mais do que a inflação brasileira”, destacou Dornellas.

A saber: matéria-prima, energia e material de embalagem compõem mais de 60% dos custos de produção do mercado.

O que virá – A Abia prevê que as vendas reais e a produção aumentarão entre 2% e 1,5%.

Para as exportações, a expectativa é de um cenário desafiador, por conta da redução do crescimento projetado para a economia mundial pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também são esperadas melhoria na oferta de matérias-primas e diminuição nas pressões sobre os custos de produção.

Essa previsão está alinhada à entrada da nova safra de grãos, se confirmadas as projeções para a expansão do volume de produção feitas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 14,5%.

Dornellas enfatizou o antigo desejo da associação de ver o país se tornar o supermercado do mundo e não apenas o celeiro.

“Queremos transformar a matéria-prima aqui. Queremos agregar valor ao Brasil”, afirmou.

No entanto, este feito não depende somente da indústria. Segundo ele, essa mudança de paradigma está diretamente atrelada à onerosa tributação – antigo gargalo do país.

“A reforma precisa simplificar o sistema tributário”, concluiu. (Renata Pachione)

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