Álcool e Açúcar (usinas)

Álcool em gel – Indústria cria alternativas ao insumo escasso

Marcelo Fairbanks
22 de abril de 2020
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    Química e Derivados - Álcool em gel - Indústria química cria alternativas ao insumo escasso e garante oferta

    Indústria química cria alternativas ao insumo escasso e garante oferta

    O álcool em gel será o ícone da pandemia do Covid-19. A sua demanda disparou como um foguete em todos os países, provocando um desabastecimento geral, não do etanol, que é abundante, mas de modificadores reológicos e embalagens. O desejado e prático higienizador de mãos segue escasso e, em alguns lugares, teve preço multiplicado.

    Ainda é cedo para dizer como ficará a demanda pelo álcool em gel depois de superada a pandemia. Há quem afirme que o consumo cairá, mas não voltará ao patamar anterior. Essa expectativa movimenta fabricantes do produto e também dos insumos necessários a sua fabricação. Ressalta-se que outros produtos podem ser usados para a mesma finalidade, alcoólicos ou não, e a simples lavagem de mãos com água e sabão oferece a mesma proteção aos indivíduos.

    O maior fornecedor brasileiro de etanol para consumo geral, em diversas apresentações, entre elas o gel, do qual responde por 70% da produção local, é a Companhia Nacional de Álcool (CNA), com fábrica em Piracicaba-SP. Em 1948, lançou o Álcool Zulu, primeira marca de etanol engarrafado do país e, hoje, conta também com as marcas Zumbi, Coperalcool e Da Ilha, com várias formas e apresentações de produtos para higiene e limpeza. A CNA fabricou 120 mil frascos de 400 g de etanol 70% em gel durante todo o mês de janeiro deste ano, ou seja, antes do aparecimento por aqui do coronavírus-2. Em março, a empresa passou a produzir 250 mil frascos diários de 400 g. Isso representou um incremento de 6.500% na oferta apenas dessa companhia, que se esforça para chegar a 600 mil frascos diários, depois de instalar a quinta linha de produção desse tipo de produto na fábrica. De janeiro a abril, a empresa duplicou seu quadro de colaboradores, de 200 para 400, operando em três turnos ininterruptos, inclusive em domingos e feriados.

    Química e Derivados - Martins: álcool para fazer gel precisa ter alta qualidade

    Martins: álcool para fazer gel precisa ter alta qualidade

    “Conseguimos manter a produção usando carbômeros de boa qualidade, vindos da Índia, China e Estados Unidos, mas a disponibilidade está curta no mercado internacional”, comentou Flávio Martins, diretor de negócios da Álcool Ferreira, empresa do Grupo MPR, também proprietário da CNA. A Álcool Ferreira produz álcool em várias concentrações, incluindo o 96º GL (medida volumétrica) neutro, usado na produção de medicamentos, cosméticos e bebidas. Fornece esse item para que a CNA possa fabricar o álcool 70% (em peso) na forma de gel. “Hoje, o maior problema está em conseguir embalagens com tampa tipo pump, elas estão em falta no mercado”, comentou.

    O laboratório Cimed dedicou uma das suas linhas de produtos de higiene e limpeza para produzir 250 mil unidades de álcool gel para serem distribuídas aos seus funcionários e familiares, às Unidades Básicas de Saúde de Pouso Alegre-MG (onde está localizado) e de todo o Estado de Minas Gerais. O produto será integrado ao portfólio de 650 itens fabricados pela Cimed.

    Química e Derivados - Uma das linhas de produção da Cimed passou a fazer álcool em gel

    Uma das linhas de produção da Cimed passou a fazer álcool em gel

    Da mesma forma, fabricantes de cosméticos, a exemplo de Natura, Boticário e Granado, assim como de domissanitários (Química Amparo) e de bebidas (AmBev), também iniciaram produção de álcool em gel ou de álcool 70% (em peso) para distribuição gratuita durante a pandemia.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou em março duas Resoluções de Diretoria Colegiada (RDC) que reduziram por 180 dias algumas exigências para a produção de produtos alcoólicos com uso antisséptico ou sanitizante, de modo a ampliar a oferta desse insumos necessários ao combate à Covid-19. A RDC 347 permitiu que farmácias magistrais (que aviam fórmulas de medicamentos) produzissem esses itens e os comercializassem livremente. A RDC 350 liberou qualquer empresa com autorização de funcionamento e alvará ou licença sanitária válida a produzir, sem prévia autorização do órgão federal, preparações antissépticas com álcool, referindo-se principalmente às indústrias de cosméticos e de saneantes.



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