Álcool e Açúcar (usinas)

Álcool – Produtos de álcool vivem fase de euforia

Marcelo Furtado
3 de setembro de 2004
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    O plano do Ministério de Minas e Energia é de alcançar um percentual de mistura de 20% de ésteres no diesel até 2020, obtendo grande redução da poluição ambiental e também reduzindo a necessidade de importação do derivado de petróleo, cuja matriz de oferta nacional é deficiente. O problema não está no álcool, mas na parte graxa. O País é um grande produtor de soja, mas conta com ampla variedade de plantas capazes de oferecer óleos aproveitáveis, embora sejam ainda produzidos em pequena quantidade.

    “A soja é uma commodity internacional, com preços que flutuam muito, às vezes caros demais para sustentar o desenvolvimento do projeto”, afirmou José Luiz Olivério, da Dedini. Para ele, a transesterificação adequada ao Brasil deve ser flexível o bastante para operar com diferentes óleos, acompanhando as variações sazonais de oferta. “A parte agrícola precisa ser muito bem integrada à industrial”, recomendou, com a experiência na altamente integrada indústria sucroalcooleira. Aliás, segundo ele, uma unidade de transesterificação seria um anexo muito interessante para as usinas nacionais.

    A Dedini fechou, em abril, um contrato de venda de uma unidade para produzir biodiesel a partir de um ácido graxo residual do processamento da palma da Agropalma, de Belém-PA. A tecnologia dessa unidade foi desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com engenharia, produção e montagem a cargo da tradicional metalúrgica de origem piracicabana. “Essa unidade tem flexibilidade para usar etanol ou metanol no processo”, informou. Essa característica deve-se à localização geográfica do cliente, que tem facilidade para obter metanol no Golfo do México, com custos razoáveis. Segundo Olivério, as reações com etanol e metanol diferem nos tempos e regimes, além dos catalisadores. O processo escolhido opera por bateladas.

    Em julho deste ano, a empresa começou a oferecer aos interessados o fruto de sua parceria com a italiana Ballestra, líder na produção de equipamentos para a indústria graxa e detergentes. Trata-se de processo contínuo de transesterificação de óleos vegetais, usando apenas o etanol. “O álcool entra no reator isento de umidade e em quantidade bem acima da relação estequiométrica”, explicou. Depois da reação, o álcool não reagido precisa ser separado do biodiesel para posterior purificação e retorno ao processo.

    O processo contínuo desenvolvido em conjunto aceita vários tipos de óleos vegetais, oferecendo como subproduto glicerina loira (85% de pureza), com bom valor comercial. “A Ballestra está acostumada com essa diversidade, pois na Itália usa-se a matéria-prima disponível em cada estação”, disse. “Cada tipo de óleo gera um biodiesel um pouco diferente, mas é possível atender aos principais parâmetros técnicos.” Na Europa, como forma de criar barreira não-tarifária à importação de ésteres feitos a partir de óleo de soja mais econômicos, exige requisitos não-essenciais, a exempo de baixíssimo índice de iodo, que só consegue ser atendido pela colza (rapeseed).

    “Pelas intenções declaradas pela Ministério das Minas e Energia, bastariam duas plantas grandes contínuas para atender o mercado brasileiro”, calculou Olivério. Na sua avaliação, unidades de grande porte apresentam economia de escala e permitem obter melhor controle sobre a qualidade da produção. Já as unidades de pequenas dimensões teriam como vantagem o melhor aproveitamento das oleaginosas regionais. “É arriscado depender de plantas pequenas e de bateladas, melhor incentivar a construção de unidades contínuas”, recomendou.



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