Mineração, Minérios e Minerais

Álcalis/Barrilha – Clientes habituais mantém crescimento

Marcelo Fairbanks
26 de maio de 2020
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    Química e Derivados - Cristais de carbonato de sódio vistos ao microscópio

    Cristais de carbonato de sódio vistos ao microscópio

    Clientes habituais mantém crescimento e surgem novos usos, como a produção de lítio – Álcalis Barrilha

    O carbonato de sódio, ou barrilha, é outro conhecido álcali que pode ser obtido tanto pela mineração de jazidas naturais, quanto pela rota sintética. A primeira forma origina um produto mais denso, enquanto a outra leva a uma forma mais leve. Daí os nomes barrilha pesada (ou densa) e barrilha leve.

    Estima-se que o mercado brasileiro consumiu 1,45 milhão de toneladas de barrilha em 2019, um aumento de 6,2% sobre o total de 1,36 milhão de t de 2018, que já representaram elevação de 15% sobre os dados de 2017. O ritmo dos negócios apontava novo crescimento de demanda em 2020, previsão agora turvada pela crise sanitária.

    No mercado brasileiro, a participação da barrilha leve é pequena, avaliada por fontes do mercado em quase 70 mil t/ano, ou seja, 5% do total. É um produto mais caro que a barrilha densa. O processo sintético Solvay gera uma barrilha que tem a metade da densidade do produto natural, com granulometria muito fina. Daí a sua alta velocidade de dispersão e facilidade de reação. Em contrapartida, precisa ser embalada cuidadosamente, em sacos ou big-bags, aumentando o custo logístico.

    A barrilha pesada é também chamada de barrilha vidreira, por ser este seu principal destino. A cada quatro anos, um novo forno de vidro é inaugurado no Brasil, em média. Há pelo menos um projeto de investimento em nova e grande linha de vidros planos, além de uma unidade de produção de bicarbonato de sódio no Sul do país. Somados, os dois projetos agregariam quase 70 mil t/ano à demanda nacional por barrilha.

    Os Estados Unidos são o maior exportador de barrilha densa para o Brasil, explorando jazidas carbonáticas no Wyoming e na Califórnia. São cinco os produtores de barrilha natural nos EUA, três deles (Genesis Alkali, Tata Chemicals e Ciner) participam da Ansac, organização para exportação da barrilha, ou outros dois são a Solvay (saiu da Ansac em 2010) e a SZM (na Califórnia). A Ansac comanda a comercialização de 10 milhões de t/ano, das quais exporta 4,5 milhões de t, sendo o maior fornecedor do Brasil.

    O grupo Ciner tem origem turca, aliás a Turquia também explora jazidas cabonáticas e é um grande fornecedor global de barrilha.

    No Brasil, estima-se que os fabricantes de vidros absorvem 55% da barrilha densa importada. Outros 25% são direcionados para a fabricação de detergentes em pó e 15% atendem à produção química. No campo dos vidros, os planos são os de maior relevância, representando 25% da produção, destinada à construção civil e ao setor automotivo. A fabricação de garrafas responde por 20% desse mercado. Mas é exatamente o setor vidreiro que está sendo mais impactado pela Covid-19, pois os principais clientes do ramo automotivo e da construção civil estão com atividade reduzida. Os consumidores da área de domissanitários e químicos foram menos afetados.

    Pedro Nelson Almeida, vice-presidente de operações da Manuchar, considera que o abastecimento global de barrilha está bem equilibrado, sem gerar preocupação. “Há previsão de aumento de produção de Trona, que é a barrilha pesada natural nos Estados Unidos”, comentou. A Manuchar ampliou sua capacidade de armazenamento no Brasil com o objetivo de melhorar a capacidade de distribuição logística, não só para a barrilha, mas para todos os produtos do portfólio.

    Marcelo Silva, diretor da Basequímica, comercializa as formas densa e leve de barrilha, importando os produtos da China. “A barrilha pesada melhor sua qualidade, reduziu impurezas e acertou a granulometria, assim, conquistou aplicações que antes requeriam a leve, esta continua sendo preferida em alguns casos, mais exigentes”, considerou.



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