Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Água Ultrapura: Instrumental analítico demanda água ultrapura

Marcelo Furtado
6 de novembro de 2013
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    Para livrar a água de contaminação orgânica, depois do EDI as lâmpadas de ultravioleta serão escolhidas conforme a necessidade maior da água: se a demanda for pela eliminação das bactérias, a de onda de comprimento de 254 nm é a mais indicada; caso seja pela redução apenas da carga de matéria orgânica, a opção recai sobre a de 185 nm. Isso sem falar que há disponível a lâmpada de duplo comprimento. Para complementar, um ultrafiltro elimina as endotoxinas, gerando água apirogênea (livre de qualquer microrganismo).

    Os sistemas de produção da chamada labwater combatem cinco contaminantes principais: partículas em suspensão, sais inorgânicos, compostos orgânicos dissolvidos, microrganismos (inclusive pirogêneos) e gases dissolvidos. As diferenças nas demandas de ultrapureza se resolvem em combinações de tecnologias para preparar a água de acordo com o grau de exigência. Uma água de lavagem, por exemplo, não precisa da mesma pureza da utilizada em um espectrômetro de massa.

    Como padrão, o mercado utiliza normas ISO, ASTM ou NCCLS (National Committee for Clinical Laboratory Standards), qualificando-a em graus 1, 2 e 3, ou tipos 1, 2, 3 e 4. Pela muito popular norma ISO 3696, a água grau 1 é a de mais alta pureza, livre de contaminantes orgânicos e coloides iônicos ou dissolvidos, indicada para técnicas analíticas sensíveis, como a cromatografia líquida, espectrometria de emissão por plasma (ICP-MS), cromatógrafo iônico, biologia molecular e eletroquímica. Para atingir esse padrão – com condutividade máxima de 0,1 µS/cm a 25ºC e conteúdo máximo de sílica de 0,01 mg/l –, as técnicas mais comuns são um passo de membranas de osmose reversa ou de deionização por troca iônica ou eletrodiálise (EDI), seguida de uma filtração em membranas de 0,2 µm para remoção de particulados ou sílica do equipamento de destilação.

    Já a água de grau 2 precisa ter níveis reduzidos de contaminantes orgânicos, inorgânicos e coloides, para ser utilizada em métodos como a espectrofotometria de absorção atômica. Normalmente para essa necessidade são empregadas a deionização, a destilação múltipla ou a osmose reversa com destilação. A condutividade do tipo 2 é de, no máximo, 1 µs/cm a 25ºC e a sílica, de 0,02 mg/l. Já, a água grau 3 tem por fim as aplicações laboratoriais no preparo de reagentes e soluções, sendo produzida por osmose reversa, deionização por troca iônica ou destilação simples.

    Além desses graus, hoje em dia o mercado também utiliza uma nova qualificação para aquela considerada a água mais pura de todas: a tipo 1+. Seu desenvolvimento procurou atender às exigências de alta sofisticação e sensibilidade de alguns instrumentais analíticos, como os espectrômetros de massas com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS) e as técnicas de biologia molecular (DNAse e RNAse) e de análises de ultratraços. Trata-se de análises para níveis muito baixos de detecção, em partes por bilhão (ppb) e partes por trilhão (ppt), com detectores de massa de alta sensibilidade, cuja água empregada precisa ser isenta de contaminantes. Mas dificilmente a demanda da indústria de cosméticos chega a esse ponto. Pelo menos por enquanto.



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