Meio Ambiente (água, ar e solo)

Água – Tratamento ganha reforço tecnológico para recuperar correntes e diminuir custos

Marcelo Furtado
14 de julho de 2009
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    A estação em início de projeto vai envolver uma quantidade considerável de água a ser tratada. Fornecida por meio de adutora operada pela companhia de saneamento local, a água captada passará por um flotofiltro com capacidade para tratar 2.100 m3/h (três de 700 m3/h e um de stand-by). Para o tratamento do efluente (cujo vencedor da concorrência ainda não foi divulgado), também uma estação de biorreator a membranas (MBR) será montada para gerar um efluente sem contaminação orgânica, mas com alta salinidade, de 5.000 ppm de sais.

    E será também para recuperar a vazão aproximada de 400 m3/h de efluente tratado pelo MBR, e também uma corrente de cerca de 180 m3/h de purga das torres, que o consórcio Enfil-Veolia montará uma outra eletrodiálise reversa (EDR), de fornecedor ainda a ser escolhido no vendor-list da Petrobras. Com a mistura da purga da torre, pré-tratada por clarificação e filtração para remover os dispersantes, a corrente de quase 600 m3/h tem a salinidade reduzida para 3.800 ppm de sais. Depois da EDR, a redução é bem maior: o parâmetro cai para 200 ppm.

    Essa vazão pré-desmineralizada seguirá então para uma estação de resinas de troca iônica, para seguinte passagem por seis leitos de polimento misto de resinas, que produzirão uma média de 470 m3/h de água desmineralizada para as caldeiras da nova refinaria. Segundo a coordenadora da Enfil, Beatrice Bernhard, por conta da alta salinidade da água a EDR precisará contar com quatro pilhas em séries para conseguir atender aos padrões de entrada da troca iônica.

    Para aumentar a possibilidade de reúso, na Rnest também será instalado um sistema Grave de recuperação de condensado de vapor igual ao da Repar e da Revap. Ele está previsto para tratar 420 m3/h do condensado, que serão polidos em quatro leitos mistos. Após isso, seguem para tanques (cada um deles com 10 mil m2) com capacidade para armazenar os 880 m3 de água polida de reúso, prontas para gerar vapor nas gigantescas caldeiras da refinaria.

    Nozes e MBR – Outra empresa que comemora as obras da Petrobras é a Centroprojekt. Sua participação, aliás, tem sido muito voltada para a área de tratamento de efluentes, visto que se tornou a responsável pelo pacote tecnológico na ETDI da Repar e do Cenpes 2 e conta com grandes chances de ganhar a concorrência na ETDI da Rnest.

    Nessas obras, o comum tem sido a empresa instalar sistemas de MBR com pré-tratamento para remoção de óleos. Normalmente, emprega a tecnologia de sua licenciada japonesa Kubota, que possui sistema com membranas de placas planas, por sinal sistema qualificado para uso pela Petrobras. Mas isso não impede que utilize também outros tipos de membranas, como na Repar, onde a definição recaiu sobre as de fibra oca.

    Química e Derivados, Paul Anthony Woodhead, Gerente de processos da Repar, Água

    Paul Anthony Woodhead: Colgate optou por reúso por causa de custo de água

    Mas outros sistemas constantemente utilizados e presentes nas obras contratadas para a estatal são os de pré-tratamento dos MBRs, para remoção de óleo. Segundo explicou o gerente de processos Paul Anthony Woodhead, na Repar o sistema contempla uma tríplice barreira de óleo. Começa com um separador API, seguido por flotador de óleo e, por fim, um filtro de cascas de nozes. Este último será empregado pela primeira vez no Brasil. “Ele é o Rolls-Royce da separação de óleo”, brincou o inglês Woodhead.

    O filtro de cascas de nozes, fornecido no caso pela norte-americana Afic Absolute, não é abrasivo e tem maior capacidade de remoção em comparação com os convencionais filtros de areia. Uma grande vantagem é seu sistema de retrolavagem, que utiliza apenas a água do processo, sem necessidade de make-up, o que reduz o custo da operação. O volume de descarga durante a retrolavagem é até quatro vezes menor em relação aos filtros convencionais e o ciclo de limpeza do meio filtrante também é até três vezes inferior.

    Química e Derivados, Mauro Coutinho, Diretor técnico da Centroprojekt, Água

    Mauro Coutinho: Cenpes recupera efluente para desmineralização

    No Cenpes 2, onde além da ETDI também foi encarregada pela ETA, a Centroprojekt instala sistema similar para efluentes, com flotação API, filtro de casca de nozes e um MBR, desta vez da Kubota, para tratar os efluentes do Cenpes 1 e 2. Segundo o diretor técnico Mauro Coutinho, o efluente tratado, em uma vazão de 45 m3/h, passará ainda por osmose reversa para desmineralização e seu uso será em torre de resfriamento.

    Outros reúsos – Além desses casos grandiosos de reúso promovidos pela Petrobras, o tema vive de casos pontuais em outros tipos de indústrias. Mesmo que isso não signifique descaso com medidas de economia de água, já que várias iniciativas se dispersam em meio aos vários setores industriais do país, projetos propriamente ditos de reúso não são muitos.

    Ocorre um, por exemplo, na Colgate, em São Paulo, onde a Centroprojekt instalará nos próximos meses uma estação de MBR, projetada para 20 m3/h, que reusará os efluentes da fabricante de produtos de higiene pessoal. De acordo com o gerente Woodhead, a opção do cliente foi motivada pelos altos custos da água e do descarte na rede cobrados pela Sabesp. “Em dois ou três anos o investimento vai se pagar”, disse o gerente.


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