Meio Ambiente (água, ar e solo)

Água – Tratamento ganha reforço tecnológico para recuperar correntes e diminuir custos

Marcelo Furtado
14 de julho de 2009
    -(reset)+

    Com todo o fluxograma da unidade pronto, e em fase de compra de equipamentos e início de obras, as tecnologias foram previamente definidas na concorrência com grande nível de detalhamento. A corrente do efluente tratado da ETDI, por sua vez tratado por uma estação de biorreator a membranas em instalação pela Centroprojekt (cuja tecnologia será com membranas de fibra oca, provavelmente da Siemens), passará por uma unidade de eletrodiálise reversa (EDR) da GE Water, para remoção de sais dissolvidos, a ser instalada pela Enfil.

    A escolha pela EDR e não por outros sistemas mais tradicionais de desmineralização de água, segundo o diretor Natali, se deveu a alguns anos de pesquisa da equipe de técnicos da Petrobras do Cenpes, que definiram as tecnologias para cada necessidade do reúso. “Ela é mais fácil de limpar, mais robusta e apropriada para a operação em refinaria”, explicou. “Quando começa a saturar, basta abri-la e limpá-la mecanicamente, ao contrário da osmose reversa, que, além de muito sensível a contaminações orgânicas, precisa de dosagem constante de produtos químicos, um bom pré-tratamento e periódicas limpezas químicas”, completou o diretor da Enfil. Isso sem falar que a EDR é tolerante ao cloro, ao contrário das membranas de osmose reversa.

    A robustez do sistema de eletrodiálise reversa compensa até a sua menor capacidade de remoção de sais, de 80% a 85%. Na Repar, as pilhas de EDR receberão uma vazão aproximada de 240 m3/h de efluente tratado (sem matéria orgânica, mas com elevada salinidade, com condutividade de até 3.500 mS/cm), reduzindo a condutividade da água para 200 mS/cm. O rejeito salino será descartado e o permeado, cerca de 200 m3/h, seguirá para tanque de armazenagem para posterior passagem por estação de desmineralização por troca iônica, a ser construída pelo consórcio Veolia-Enfil e que contemplará, na sequência, um leito com carvão ativado, seguido por um de resinas catiônicas, uma torre de descarbonatação (stripping), um leito aniônico e, por fim, o polimento misto.

    Química e Derivados, Beatrice Louisa Bernhard, Coordenadora de projetos da Enfil, Água

    Beatrice Louisa Bernhard: uso da EDR visa a facilitar a manutenção

    Nessa fase, no tanque, mais uma corrente de reúso da ETA se encontra para aguardar a desmineralização final. Trata-se da corrente de águas de baixa salinidade – oleosas, pluviais ou de purgas das torres – que passarão por um flotofiltro (sistema que inclui câmaras de coagulação e floculação, filtragem, flotação e desinfecção) com capacidade para 585 m3/h e também parte do fornecimento do consórcio. “A estimativa do projeto é de que seja recuperada uma média de 235 m3/h de água de baixa salinidade”, explicou a coordenadora de projetos da Enfil, Beatrice Louisa Bernhard.

    O objetivo dessas correntes de reúso é garantir para a refinaria, depois da nova estação de troca iônica, 520 m3/h de água desmineralizada. Em caso de necessidade, como garantia, essa etapa pode ser complementada com água captada do rio, cuja corrente será interligada ao tanque de armazenagem. Mas, segundo o diretor Natali, essa hipótese, para a Petrobras, é relegada ao segundo plano. “Eles priorizam o abastecimento com água de reúso”, revelou.

    O tratamento da água captada da Barragem do Rio Verde, aliás, também está sendo renovado. A antiga estação será substituída por um flotofiltro com capacidade para 900 m3/h (instalada com um sistema de stand-by, ou seja, com quatro equipamentos de 300 m3/h cada). Parte dessa água continuará a ter o destino atual: alimentará de 250 m3/h uma unidade de osmose reversa, cuja água polida depois por leito misto se somará à nova vazão da estação de troca iônica nos tanques da Repar. O restante da água tratada pelo flotofiltro seguirá para processos da refinaria (coqueamento) e para alimentar parte das torres de resfriamento e, por fim, havendo necessidade, pode se unir às correntes de reúso para cooperar na geração de água desmi na nova troca iônica.

    Paralelo a esse novo circuito de reúso da refinaria paranaense, o consórcio Veolia-Enfil implantará ainda um sistema de recuperação de vapor condensado. A tecnologia será a mesma de obra em instalação na Revap (ver QD-470, de fevereiro de 2008), da norte-americana Graver Water Systems, cuja licença no Brasil é da Enfil. Trata-se de sistema com capacidade para recuperar 585 m3/h dos vapores condensados gerados na refinaria e já saturados e contaminados com óleo.

    O sistema da Graver consiste em filtragem especial com composto de pré-capa (fibras) de celulose, carvão ativado e resinas de troca iônica, cujo filtrado segue para leitos de polimento misto de resina de troca iônica. Para isso, anteriormente há ainda o resfriamento do condensado, em trocador de calor, até 40ºC, em seguida ocorre a separação do óleo por gravidade e por filtros coalescedores. Todo o projeto permite o máximo de recuperação, visto conseguir reter 90% de traços de óleo (até 10 ppm) e de sólidos suspensos, contra apenas 75% dos sistemas convencionais. O condensado recuperado, depois do leito misto, segue para os tanques de água polida, para alimentar as várias caldeiras da refinaria junto com o volume disponível proveniente do reúso e do tratamento da água bruta.

    Rnest – O outro grande projeto de reúso será na Refinaria Abreu e Lima, a Rnest, em Ipojuca-PE, a nova unidade que a Petrobras planejava construir em sociedade com a venezuelana PDVSA, mas que até o momento só conta com investimentos próprios da estatal brasileira. Em março de 2009, novamente um acordo Enfil-Veolia (desta vez com a primeira como a líder do projeto, ao contrário da obra na Repar) ganhou a concorrência para erguer a ETA da refinaria pernambucana. O projeto será similar ao da Repar. Como diferencial, porém, os maiores valores envolvidos – apenas a estação deve superar o montante de R$ 700 milhões.


    Página 2 de 41234

    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *