Água recuperada de esgoto supre demanda industrial

Meio Ambiente - Recuperação da água de esgoto reduz custos para indústrias e contorna a crise hídrica

Outros projetos – O índice de reúso da Braskem, em suas 41 unidades industriais espalhadas por Brasil, México, Estados Unidos e Europa, é de 25%.

Desde 2012, com o Aquapolo e ações internas dentro das fábricas, a empresa deixou de captar mais de 176 milhões de m3 de água, o equivalente a 70 mil piscinas olímpicas.

Outro indicador que demonstra sua preocupação com a água é o consumo médio específico de 4,3 m3 por tonelada de produto.

Segundo Marina Rossi, trata-se de índice seis vezes melhor do que a média global das indústrias químicas, segundo dados do ICCA (International Council Chemical Associations).

Para a Braskem, a solução do Aquapolo foi de tal forma aprovada ao longo dos anos que tem chances de ser replicada nas unidades de polímeros em Duque de Caxias (DCX), no Rio de Janeiro.

Segundo Marina Rossi, a empresa está empenhada em encontrar uma solução via reúso de esgoto doméstico pré-tratado da companhia de saneamento recém-privatizada, a Cedae, de quem hoje a planta consome água potável.

“Há um problema crônico de água na região e a bacia hidrográfica de lá apresenta um alto risco de abastecimento”, disse. Segundo ela, porém, o possível projeto ainda não teve sua “costura institucional” desenvolvida.

Embora o reúso em Duque de Caxias ainda não tenha sido definido, há uma grande probabilidade de que seja esta a escolha. Isso porque, além da experiência positiva herdada do Aquapolo, a empresa tem a meta de elevar seu nível de segurança hídrica, hoje em 83%, para 100% até 2030.

E o reúso é garantia certa de abastecimento, já que as estações de tratamento de esgoto são praticamente perenes.

A meta de segurança hídrica, além de novos projetos de reúso, também motiva outras ações, como a tentativa de procurar explorar água de aquíferos. Isso ocorreu no ano passado na Bahia, no polo petroquímico de Camaçari, que deixou de ter como fonte principal de abastecimento a água de rio, também considerado crítico na região, para a garantia de suprimento futuro das operações.

Também na Bahia, por conta da criticidade da água, recentemente foram feitas melhorias no tratamento da água das torres de resfriamento, que reduziram o consumo de 60 m3/h de água clarificada e geraram economia de R$ 500 mil por mês também com redução de consumo de químicos.

Segundo Marina, a busca pela segurança hídrica é a base da gestão da Braskem, que constantemente avalia as bacias hidrográficas onde estão as fábricas, levando em conta se haverá competição pelo uso da água no médio e longo prazo.

Além da unidade de Duque de Caxias e da Bahia, a de Maceió, em Alagoas, cuja planta de cloro-soda voltou a operar no ano passado, é outra considerada crítica.

Mas, por enquanto, a avaliação de algum projeto de reúso no local está adiada. Isso por conta da prioridade que hoje o grupo tem na capital alagoana de atender o remanejamento de famílias e com as ações resultantes do afundamento de solo provocado pela exploração da mina de sal-gema.

Nas unidades fora do Brasil, segundo a gerente, não há locais preocupantes em disponibilidade de água.

Na Argentina – O fato de a Braskem não ter problemas de segurança hídrica em suas unidades estrangeiras não significa que o problema é exclusividade do Brasil.

Na Argentina há um projeto em execução para gerar água de reúso para o polo petroquímico de Bahía Blanca, local considerado crítico em disponibilidade hídrica, a partir do tratamento terciário do esgoto.

Química e Derivados - Meio Ambiente - Recuperação da água de esgoto reduz custos para indústrias e contorna a crise hídrica ©QD Foto: Divulgação
Site da Dow em Bahía Blanca (Argentina) receberá água retirada de esgotos domésticos

Para dispor de mais água de abastecimento para a população da cidade, que muitas vezes sofre com estiagem e esvaziamento da represa local, a concessionária Águas Bonaerenses (Absa) propôs às empresas do polo, há cerca de dois anos, que fosse implementado um tratamento terciário em uma ETE recém-construída para atender a região.

O projeto, quando implementado, deve liberar um adicional de cerca de 30% de água potável para a população, volume que hoje é fornecido para uso industrial.

Uma das principais empresas do polo argentino, a Dow, que tem dois crackers petroquímicos e quatro plantas de polietileno no local, apoia o empreendimento e tem muito interesse na finalização do seu cronograma de obras, segundo disse o diretor de sustentabilidade para América Latina, Matias Campodonico.

Química e Derivados - Meio Ambiente - Recuperação da água de esgoto reduz custos para indústrias e contorna a crise hídrica ©QD Foto: Divulgação
Matias Campodonico, diretor de sustentabilidade para América Latina da DOW

“É muito importante para a segurança hídrica do polo, que não precisa disputar água potável com a população”, afirmou o executivo.

A Dow e as demais empresas em Bahía Blanca se comprometeram a adquirir a água da concessionária que, segundo Campodonico, já está operando o tratamento primário e implantando o secundário.

O investimento na estação, ao contrário do Aquapolo, será totalmente da concessionária responsável pelo saneamento da Província de Buenos Aires.

Aliás, por conta própria, a Dow tem procurado em suas fábricas na Argentina praticar o reúso.

Em novembro de 2020, revela Campodonico, a empresa obteve aprovação para reutilizar os efluentes da planta de produção de polietileno de alta densidade para irrigação dos parques e jardins do local, em projeto que vem sendo implementado de forma gradual desde 2007, com projeção anual de economia de água de 22 milhões de litros, o equivalente ao consumo anual de aproximadamente 200 famílias.

A Dow tem meta global de reduzir em 20% o seu consumo de água até 2025, em comparação com o consumido em 2015.

Esse objetivo faz o grupo buscar formas de reusar e racionalizar o uso em praticamente todas as suas plantas pelo mundo.

Por exemplo, no complexo fabril em Breu Branco, no Pará, que produz silício metálico, a partir de 2019, com o investimento para construção de nova usina de carvão vegetal, foram instalados novos fornos que não demandam resfriamento e que resultaram, nas primeiras etapas implementadas, em redução de consumo médio de 360 mil litros por mês.

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